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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O "momentum" de Marcelo Rebelo de Sousa

Nunca se viu um Presidente da República agarrado ao governo como tem sido a prática de Marcelo Rebelo de Sousa. O Chefe do Estado faz bem em enaltecer os feitos do executivo porque isso é bom para o país, mas escusa de tirar o tapete à oposição.

O primeiro ano de mandato do Presidente da República fica marcado pela consonância com António Costa. Os dois gostam de aparecer como salvadores da pátria, reivindicando para si tudo o que foi feito de bom. 

O problema é que a relação Costa-Rebelo de Sousa também tem todos os ingredientes para estalar à primeira crise. Isto é, ao primeiro não que virá do primeiro-ministro. A personalidade de ambos tanto dá para almoçarem juntos como criarem uma crise institucional sem possibilidade de reconciliação. Tudo por causa do egocentrismo que paira no interior de cada um.

O Chefe de governo e de Estado têm outra semelhança perigosa para a nossa democracia. António Costa subiu a primeiro-ministro através de um acordo parlamentar depois de ter perdido as eleições, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com níveis baixos de votação, muito inferior à popularidade que tinha quando vestia unicamente a pele de comentador televisivo. 

O "momentum" obriga o Presidente a tirar fotografias com o primeiro-ministro e a dar pontapés no líder da oposição, que por acaso, conseguiu ser eleito chefe do governo, algo que nenhum dos dois representantes do Estado português obtiveram nas respectivas carreiras políticas. 

1 comentário:

João Menéres disse...

Bem e justamente observado !

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