quinta-feira, 30 de junho de 2016

Quem tramou Boris Johnson?

O antigo presidente da Câmara de Londres não será candidato à liderança do Partido Conservador, pelo que, não será agora que chega a primeiro-ministro. A vitória no referendo era a rampa de lançamento para Boris Johnson chegar ao número 10, mas o ministro da Justiça, Michael Gove, trocou as voltas a ex-autarca. 

De facto, Johnson tinha de entrar na campanha como o rosto do Brexit e aquele que iria conduzir as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia. No entanto, alguém tramou as intenções de Johnson. De certeza que alguém ligado a Michael Gove, esteve por detrás desta tramóia. O mais interessante foi ouvir Gove dizer que não queria ser primeiro-ministro porque não tinha capacidades para o cargo. Afinal.......

Não havia espaço para os dois principais rostos dos conservadores eurocépticos serem candidatos. Gove adiantou-se e Johnson teve que se retirar porque não iria ter o apoio de todo o sector do partido, além do próprio ministro da Justiça. Gove tem espaço para colocar as ideias que tem para o futuro do Reino Unido fora da União Europeia. 

Os passos dado por Gove mostram que a candidatura já estava a ser preparada caso o Brexit vencesse. Num curto espaço de tempo, Gove despachou Cameron e Boris Johnson, mas ainda falta vencer Theresa May. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

De costas voltadas

O Brexit vincou a má disposição europeia. As reacções à vitória da saída do Reino Unido da União Europeia foram piores por parte dos dirigentes europeus do que na ilha britânica, onde a demissão do primeiro-ministro calou a instabilidade que se podia criar.

O problema não são as más disposições de Juncker, Martin Schulz ou outras personalidades, nem as farpas dentro do Parlamento Europeu. A resposta da Alemanha e França será decisiva para o avanço do processo. Não acredito que Cameron consiga mais uma vitória em adiar o problema até à escolha do novo primeiro-ministro, já que, após a nomeação do novo líder conservador, haverá pressões internas para se realizarem eleições antecipadas. Ora, a Europa não quer esperar um ano porque isso representa uma derrota para a União Europeia e a possibilidade de haverem novos pedidos de referendo em vários países. 

A posição da Alemanha será fundamental para o futuro das relações entre o Reino Unido e a União Europeia. Angela Merkel até poderá tentar convencer o novo primeiro-ministro de não respeitar a vontade da população em defesa dos superiores interesses europeus que a chanceler alemã sempre colocou em primeiro lugar. Iremos ter uma postura de ressabiamento dentro das instituições europeias e de ponderação por parte dos grandes países europeus. A tranquilidade alemã deve prevalecer sobre a histeria europeia que pode ficar sem microfone. 

O que se nota é uma grande vontade de culpar David Cameron e o actual executivo, sendo possível existirem mais retaliações políticos. Neste momento, o Reino Unido e o chefe do governo são o alvo a abater, enquanto na ilha começa a sentir-se uma viragem para o Atlântico.

Um presidente para quatro anos

As sondagens da impopularidade de Clinton e Trump são preocupantes, mas confirmam que o próximo Presidente dos Estados Unidos será apenas para quatro anos. Nenhum tem capacidade para aguentar no cargo durante dois mandatos. De facto, os dois são o menos mau de entre os que iniciaram as primárias em Fevereiro. 

O mais curioso é que nem Clinton ou Trump são capazes de mobilizar o eleitorado e sobretudo de garantir confiança no exercício do cargo. A antiga primeira-dama é a continuação das políticas de Obama, enquanto o empresário vai revolucionar a forma de exercer o cargo nos Estados Unidos. Neste momento, as incógnitas são mais do que as certezas. No caso do republicano existe mais medo do que garantia de estabilidade. 

Nesta campanha para as eleições gerais os dois têm de fazer uma campanha diferente, embora se esteja à espera de ataques mútuos, mas com a participação de Obama e do establishment republicano pode ser que hajam surpresas positivas. 

As alterações nos comportamentos políticos dos norte-americanos originaram o vazio do centro, tornando o discurso mais violento e pouco esclarecedor para o público, numa altura em que será necessário explicar o novo estatuto dos Estados Unidos no mundo, bem prestar mais atenção à política interna por causa das mudanças na geografia mundial. 

Perante os números publicados, os candidatos necessitam de pensar muito bem as estratégias após as convenções. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

A derrota dos socialistas

O resultado do referendo britânico e das eleições espanholas originaram críticas no Partido Trabalhista e no Partido Socialista Operário Espanhol. 

As convulsões internas no Labour e PSOE mostram que as lideranças de Jeremy Corbyn e Pedro Sanchez não convenceram os eleitores, apesar dos vários actos eleitorais que os dois já tiveram oportunidade de participar. Nos dois casos a derrota tem sido uma constante, em particular com o líder do Partido Trabalhista inglês. No entanto, o caso de Sanchez é mais escandaloso porque perdeu dois actos eleitorais em Espanha, sendo que, do primeiro para o segundo teve menos lugares no parlamento. Ou seja, mesmo com truques constitucionais, ninguém quer o líder do PSOE para ser primeiro-ministro. 

A vitória do Brexit não se deveu à falta de capacidade política de Corbyn, mas os trabalhistas querem que o actual líder saia porque a demissão de David Cameron abriu uma oportunidade de regresso ao governo. No entanto, para isso acontecer, Corbyn tem que sair.

Há muito tempo que os socialistas europeias estão em crise por falta de resultados. Por um lado, não conseguem vencer a direita, mas por outro estão condicionados pelo aparecimento de partidos ditos de extrema-esquerda que conseguem ficar com o eleitorado dos socialistas, nomeadamente os que estão descontentes com as políticas provenientes de Bruxelas. Após vários maus resultados em Espanha, Portugal, França e Reino Unido, ainda não deram a volta ao texto a nível eleitoral. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

As quatro razões que levaram a União Europeia perder o Reino Unido

O resultado do referendo penaliza bastante a coesão europeia, mas os principais dirigentes europeus parecem não ter aprendido nada com o sinal enviado pelos britânicos.

Nos últimos anos a política externa da União Europeia tem sido desastrosa, bem como algumas atitudes dos principais dirigentes. As posições sobre a questão ucraniana, a guerra na Síria e a possível nomeação de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos conduziu à insatisfação das potências estrangeiras sobre a forma como a União Europeia actua. Obviamente que os britânicos não querem o mesmo tipo de decisões relativamente ao Reino Unido. 

O isolamento da Rússia após a guerra na Ucrânia não beneficiou os dirigentes europeus que se colocaram ao lado de extremistas que fizeram cair um presidente. Ora, a União Europeia não deveria ter tomado posição, embora o conflito se tenha desenrolado na Europa. No entanto, não se entende o apoio a tentativas de golpe de Estado. Também não se percebe a aplicação de sanções por causa da anexação da Crimeia. O maior erro da política externa foi a forma como lidou com a questão ucraniana. 

A guerra na Síria redundou noutro erro por parte da União Europeia. É verdade que o espaço europeu acabou por ser o mais afectado por causa dos refugiados e do terrorismo. O problema é que, nem neste tema, conseguiu unanimidade. Ou seja, ninguém sabe se o melhor é Assad sair ou ficar. O mais inteligente seria deixar os Estados Unidos resolver o problema de forma diplomática. 

O maior erro tem sido a forma como alguns dirigentes falam de Donald Trump, faltando ao respeito a um candidato à presidência dos Estados Unidos. Não admira que o empresário não queira estabelecer relações diplomáticas com os países europeus se for eleito. Mais um sinal de ingerência nos assuntos internos de outro país. 

A intolerância relativamente ao surgimento de novas forças que, apesar de serem extremistas, respeitam as regras democráticas. Isso tem acontecido em particular na França, mas também na recente eleição presidencial na Áustria. A União não se faz apenas com as cores políticas tradicionais. Será necessário ter uma postura mais democrática perante forças que têm o apoio das populações. 

domingo, 26 de junho de 2016

Olhar a Semana - Clube dos Seis

A resposta da União Europeia à vitória do Brexit foi marcar uma reunião entre os países fundadores da União Europeia. É verdade que haverá reuniões com os 27 na próxima semana, mas o primeiro sinal dado foi negativo. Não há dúvida que os países que mandam na União Europeia não querem ondas provocadas pelos outros países. Neste momento, a dupla Hollande-Merkel controla os corredores europeus, só aceitando países que estejam alinhados. O mesmo é dizer que os contestatários não têm lugar no clube europeu, como sempre aconteceu com o Reino Unido.. 

O Brexit poderá ter contagiado alguns países, sobretudo no Norte da Europa onde o eurocepticismo também é muito forte, o que vai dificultar a acção dos países do centro e sul do continente. No entanto, o que se vai tentar contrariar por via das consultas internas é a forma como o Clube dos Seis domina as instituições e não qualquer sentimento anti-europeu presente nas sociedades nórdicas porque também foi contra isso que os britânicos votaram. 

O denominado Clube dos Seis pretende que a Europa caminhe para o federalismo, mantendo regras iguais para todos, independentemente das diferenças em cada sociedade. Isso não será possível num continente onde cada país defende o seu canto na Europa. Se o Clube dos Seis quer uniformizar legislação, culturas, economias e valores vai por um mau caminho, que não se esgotou apenas na vitória do Brexit. 

sábado, 25 de junho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Brexit - Os apoiantes do Brexit ganharam o referendo. A vitória que não aconteceu noutros países, acabou por se verificar numa das maiores economias da Europa. Os resultados mostram que os britânicos querem seguir um caminho político e económico sem depender das regras de Bruxelas.


No Meio

União Europeia - A vitória do Brexit coloca a União Europeia entre a espada e a parede e com necessidade de mudança. No entanto, com os actuais dirigentes europeus dificilmente se vai conseguir alguma coisa. O primeiro passo será marginalizar o Reino Unido das decisões europeias. O resultado do referendo não é apenas eurocepticismo britânico, mas alguma revolta sobre a forma como a UE está a ser conduzida.

Em Baixo

David Cameron - O primeiro-ministro britânico perdeu o referendo e demitiu-se do cargo. Após várias conquistas políticas, Cameron sai após a derrota no referendo porque não pode conduzir o Reino Unido à saída da União Europeia tendo votado a favor da permanência. Ainda faltam alguns meses para julgar o mandato, mas o que importa avaliar são as consequências da vitória do Brexit. A primeira foi a demissão do primeiro-ministro, sendo a única que começou a provocar instabilidade política. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A única derrota que tramou David Cameron

A derrota no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia levou à demissão do primeiro-ministro. David Cameron arriscou tudo, mas desta vez perdeu, embora por poucos. Apesar de ter dito que não iria sair em caso de derrota, o primeiro-ministro teve a melhor atitude porque a liderança do país será diferente. 

A carreira política de Cameron estava a ser fantástica devido às vitórias sucessivas. A última tinha sido na Escócia com a chegada dos conservadores ao segundo lugar. No entanto, o maior triunfo ocorreu o ano passado nas eleições gerais com a conquista do maioria absoluta. É importante não esquecer que Cameron também correu riscos no referendo sobre a independência da Escócia. Um ano depois obteve a primeira derrota, mas que tem um significado enorme porque dividiu o partido e o governo. Em caso de triunfo reforçava a liderança e acalmava os eurocépticos, mas Cameron não pode passar a apoiar uma saída do país da União. A promessa foi cumprida, mesmo que isso significasse um suicídio político. 

O referendo esteve para ser em 2017. Cameron talvez tivesse pensado que seria melhor aproveitar a vitória obtida no ano passado e antecipou a consulta popular. Os números finais do referendo revelam que mais um ano e o Remain teria ganho. 

Ninguém pode tirar os méritos políticos de David Cameron. O primeiro-ministro colocou sempre os interesses do país à frente das questões partidárias, como se viu com a realização do referendo. 

O que fica para a história é a demissão após a derrota política mais relevante. Contudo, Cameron continua a ser dos políticos mais brilhantes desta geração, juntamente com Barak Obama. Os dois desaparecem do mapa no final do ano. 


A mudança ou a desintegração

O Reino Unido enviou um grande sinal para a Europa com a vitória do Brexit. A partir de agora, as instituições europeias têm de iniciar um processo de mudança para não haver desintegração através de novos referendos. 

Neste momento, não existe terceira hipótese para os burocratas em Bruxelas, que andaram vários anos a assobiar para o lado, não pretendendo resolver os problemas que foram surgindo pela frente, preferindo utilizar a força ou a suposta união. A vontade demonstrada pelos britânicos nas urnas também é o desejo de alguns povos como os gregos, holandeses e dinamarqueses, que também estiveram perto da saída. 

Os problemas que a União Europeia vai passar por causa do Brexit serão enormes, a começar pela falta de resposta, ou de um plano de contingência, como também não havia no governo britânico, mas como David Cameron pediu a demissão, o novo executivo encontrará uma solução, o que não acontece na Europa. 

As consequências imediatas do Brexit são políticas e económicas. Não se trata de um problema de união porque isso nunca existiu no espaço europeu e nem vai haver por causa do referendo britânico. A instabilidade política não será apenas ao nível europeu, mas também em alguns países que terão de enfrentar forças anti-europeístas. Por exemplo, a falta de governabilidade em Espanha é uma consequência das políticas provenientes de Bruxelas. 

O Brexit não é o dia zero da desintegração europeia. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dia de Brexit ou Remain

Os britânicos votam pela manutenção ou saída do Reino Unido da União Europeia no segundo referendo realizado sobre questões europeias, após o primeiro em 1975. 

A consulta popular é mais importante para a União Europeia do que propriamente para o Reino Unido porque se a saída vencer, as únicas alterações têm a ver com a economia. No entanto, neste momento existe uma vantagem por se estar fora da zona euro. 

O que está em jogo são assuntos relacionados com a imigração e as relações políticas com a Europa, embora o primeiro-ministro não esteja preocupado em ter mais poder no seio das instituições comunitárias. A grande batalha de David Cameron é a imigração porque se trata do principal argumento do Brexit. No referendo nem sequer está em discussão a soberania nacional face a Bruxelas. Os que apoiam a saída também estão mais preocupados com a quantidade de imigrantes que escolhe o Reino Unido para ter uma boa vida. 

O resultado não vai mudar o sentimento eurocéptico no país porque os britânicos querem estar com apenas um pé na União Europeia. No fundo, o referendo é um grande teste para a União Europeia devido às questões de coesão. O efeito dominó noutros países eurocépticos e o aumento da influência de forças nacionalistas são as principais ameaças às instituições que pretendem ter espaço dentro da União Europeia. Também haverá tendência de se criarem alianças regionais, dificultando os consensos em matérias essenciais. Na prático isso acontece, mas sem haver uma posição assumida. A Europa vai-se tornar num continente onde cada um defende os interesses particulares, o que dificulta o caminho para o federalismo. 

A decisão está nas mãos dos britânicos, mas serão os europeus a sofrer com a escolha. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A sobrevivência do Labour e dos conservadores

A coesão no Reino Unido não é o único aspecto que está em causa no referendo. Os principais partidos políticos mostraram divisões que terão reflexos no futuro, nas lideranças, mas também nos vários grupos dentro das forças. 

Neste momento, os conservadores correm maior risco porque estão no governo e a situação de David Cameron será complicada, mesmo se o Remain vencer. Não será por causa de uma derrota, que os defensores do Brexit deixarão de ser eurocépticos ou que as questões europeias sejam afastadas. Por exemplo, se o próximo líder conservador for um eurocéptico como Boris Jonhson haverá mais discussões. 

Após o referendo, os conservadores terão dificuldade em se manter unidos, apesar de estarem no poder. Os vários movimentos eurocépticos dificilmente serão calados pelos resultados ou convencidos pela retórica do primeiro-ministro. Não é de excluir a saída de vários membros do partido para se organizarem numa força política eurocéptica, como acontece na Catalunha com os movimentos nacionalistas. O novo movimento também pode albergar trabalhistas que tenham as mesmas visões e não querem aderir ao UKIP. O partido de Nigel Farage tem a característica anti-europeia, mas internamente não consegue resolver os problemas dos britânicos.

A campanha também abriu fissuras no Labour, apesar de ser o partido com mais vocação europeia no Reino Unido. No entanto, o descontentamento relativamente à Europa pode dificultar a liderança de Jeremy Corbyn. A questão europeia é mais um motivo para discordar com o caminho trilhado nos últimos anos após as lideranças de Ed Miliband e Corbyn. 

As clivagens sobre a União Europeia são um bom motivo para o início de um novo ciclo no sistema político e partidário no Reino Unido, já que, haverá novas forças, não só em Inglaterra, mas também na Escócia e País de Gales.  

terça-feira, 21 de junho de 2016

A inércia dos dirigentes europeus

O referendo britânico é um grande desafio à coesão europeia. Numa altura em que se caminha para o federalismo, há quem queira saltar do clube europeu por causa das exageradas regras comunitárias. A partir de um momento em que um quer sair, o vizinho também tem a mesma vontade. Ou seja, dificilmente se conseguirá manter uma união como aquela que foi construída após a segunda guerra mundial. 

É verdade que existe uma grande dose de eurocepticismo no Reino Unido, em particular nos conservadores que governam o país. No entanto, o maior teste será para a União Europeia que pode perder vários Estados-Membros e nunca mais recuperar. Os nacionalismos que emergem na Europa têm força para criar blocos regionais que originam uma nova ordem europeia. 

Neste momento, não existe nenhum plano B no Reino Unido e na União Europeia. O governo britânico não sabe como lidar com uma situação. Isso é um problema interno do país que não vai afectar o resto da Europa porque cada um tem questões diferentes. O maior perigo é saber que as autoridades europeias não estão preparadas para o Brexit porque não há antecedentes. Isso não serve de desculpa para uma organização com mais de 40 anos e com a actual força política e económica. 

Não se admite que os dirigentes europeus estejam sem dizer nada a poucos dias do referendo. Não bastam as declarações a favor do Remain. Teriam de dizer o que pode acontecer em termos económicos e politicos, mas como o medo é enorme ninguém fala. Ora, se os principais dirigentes não falam, quem pode estar tranquilo perante a maior ameaça à coesão europeia desde o início do projecto europeu. Existe uma falta de capacidade das lideranças europeias em explicar o que se vai passar aos respectivos cidadãos. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

De Espanha nem bons ventos nem casamentos políticos

As eleições em Espanha são um duro teste aos principais partidos que costumam ocupar o poder. No acto eleitoral de Domingo vai haver um castigo ao PP e PSOE por não terem conseguido chegar a acordo. No entanto, as mesmas forças políticas deverão ser as mais votadas, embora estejam em risco alguns lugares que colocam em causa as lideranças de Mariano Rajoy e Pedro Sánchez.

A necessidade de sobrevivência política dos dois é capaz de ser fundamental para haver um acordo entre PSOE e PP no sentido de deixar passar o programa de governo no parlamento. Dificilmente será possível chegar a acordo com Podemos ou Ciudadanos, embora com o segundo haja alguma esperança. 

O próximo governo espanhol tem os mesmos problemas do actual executivo português porque vai exercer funções em minoria, mas existe mais instabilidade política em Espanha do que em Portugal. 

O aparecimento de novos partidos no país vizinho foi o pior que podia ter acontecido aos dois grandes porque Ciudadanos e Podemos vieram para tirar deputados ao PP e PSOE. Numa sociedade em que as autonomias são importantes, pode ser um primeiro passo para o fortalecimento das forças regionais. 

domingo, 19 de junho de 2016

Olhar a Semana - O futuro da Europa

O referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia é mais decisivo para a coesão europeia que para a estabilidade política e económica no Reino Unido. O que está em jogo não é apenas a saída de um Estado-Membro, mas as relações que se vão criar. As alianças regionais parecem ser cada vez mais uma realidade no espaço comunitário, em vez de se pensar como uma união. 

Haverá mais desconfiança relativamente às decisões que chegam de Bruxelas e a tendência para criar várias divisões também vai aumentar. 

Não tenho dúvidas que as regras vão mudar, bem como a importância das instituições. Em vez de se caminhar rumo ao federalismo desejado por alguns países, é provável que a desintegração seja a regra devido ao aparecimento de forças anti-Europa com representação parlamentar mais forte, chegando ao ponto de ajudar alguns movimentos extremistas conquistarem o poder em países fundamentais para o desenvolvimento europeu. 

A instabilidade que se vai criar favorece as nações emergentes que olham para a Europa como uma oportunidade para se enriquecerem, mas também originar divisões políticas. Em termos económicos a China pode ficar a ganhar e a Rússia espreita uma oportunidade política com a vitória do Brexit. 

O cenário não é favorável aos europeus por causa destes factores. Quanto aos britânicos continuarão a viver tranquilamente na ilha. 

sábado, 18 de junho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

UEFA - A entidade que organiza os campeonatos da Europa está de parabéns pelos primeiros dias do Euro 2016. O alargamento permitiu maior equilíbrio e esforço por parte das equipas menos cotadas quando defrontam os teóricos favoritos. Os críticos dizem que a competição perdeu qualidade, mas apenas num jogo ficou 0-0. De certeza absoluta que os jogos a eliminar irão proporcionar várias surpresas. 


No Meio

Remain - A campanha pela manutenção do Reino Unido na União Europeia tem ganho apoios importantes, no qual se incluem, os três últimos primeiro-ministro britânicos. No entanto, as sondagens não são favoráveis, apesar do número de indecisos ser bastante grande. Apesar de tudo, os argumentos do Remain continuam a ser mais fortes que os do Brexit.

Em Baixo

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa - As duas figuras mais importantes do Estado português fizeram uma colagem excessiva à participação de Portugal no Euro 2016. As várias manifestações de apoio à selecção das quinas não passam de momentos para os dois aparecerem e ficarem bem vistos. Não bastou terem recebido a equipa, mas também tiveram a necessidade de aproveitar qualquer oportunidade para serem filmados. A colagem da política ao futebol não passa de oportunismo. Marcelo e Costa sabem perfeitamente como funcionam as coisas. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Uma semana para o referendo

Na próxima quinta-feira os britânicos irão discutir o futuro do Reino Unido na União Europeia. A vantagem do Brexit é menor do que o número de indecisos, pelo que, está tudo em aberto até ao dia da votação, como acontece sempre. O ano passado os resultados eleitorais foram diferentes dos números avançados pelas sondagens. No entanto, neste caso os estudos de opinião parecem indicar um sentimento, mas os votos terão de ser contados até final.

O futuro do Reino Unido não se esgota na consulta popular de dia 23. Nem é certo que Cameron chegue a Bruxelas com um pedido de saída. Recorde-se o que aconteceu com a Holanda e a campanha de Tsipras na Grécia para ficar no euro. As instituições europeias estão a ser colocadas em causa, mas neste tempo de incerteza, mais vale ficar dentro do que fora. Os holandeses, dinamarqueses e gregos pensaram assim, pelo que, os britânicos também não querem fugir à regra. 

O conflito entre o Reino Unido e a União Europeia vai ser grande, independentemente do resultado. Na minha opinião, o que acontecer no dia 23 será apenas o princípio de algo que vai abanar a coesão europeia e a forma como as instituições se organizam. A União tem mais hipóteses de ser beliscada do que o Reino ficar desunido.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

A rebelião conservadora

As consequências do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia prometem ser devastadoras para o Partido Conservador. A posição de David Cameron pode ficar fragilizada durante o resto do mandato, mas o problema vai ficar para o próximo líder partidário. Se o Brexit vencer, Cameron irá passar os últimos anos a tentar negociar a melhor saída possível para o Reino Unido, sendo que, a tarefa deverá ser concluída pelo sucessor, seja trabalhista ou conservador.

O presente não augura nada de bom, mesmo com a vitória da saída por causa das exigências dos eurocépticos. O Partido Conservador pode ficar dividido a meio com movimentos pró e contra a Europa. Apesar do Labour também estar nos dois campos, o eurocepticismo não coloca em causa a unidade no partido. 

Nos conservadores existem facções que podem impedir a nomeação de um líder pró-Europa. Se isso acontecer o partido fica virado apenas para os problemas internos e não tem uma visão do mundo. Os que defendem o Brexit estão apenas preocupados com o que se passa no Reino Unido e não querem o país envolvido na resolução dos problemas da Europa e do Mundo. 

Nos próximos meses teremos os pró-europeus contra os eurocépticos, independentemente do resultado porque David Cameron ainda tem de cumprir o resto do mandato, apesar de vir a sair antes de 2020. Os defensores da Europa, como o primeiro-ministro e George Osborne vão colocar dificuldades económicas e sociais ao grupo dos eurocépticos, enquanto os últimos pedem mudanças nos vários temas que estiveram em cima da mesa durante a campanha. 

As próximas eleições para a liderança do partido serão condicionadas pelo resultado de dia 23, já que, os eurocépticos tendem a ganhar importância na máquina, o que favorece a candidatura de Boris Johnson. O antigo autarca de Londres pode vir a ser o novo Trump do Reino Unido. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A inexperiência de António Costa

A falta de experiência do primeiro-ministro foi novamente revelada nesta questão de mandar os professores emigrar. Ora, Costa derrubou o governo da maioria que ganhou as eleições com o argumento que iria ser diferente, mas aos poucos percebemos que faz a mesma coisa que Passos Coelho. 

O mais grave é Costa não perceber como funcionam as coisas, sendo que, passou a maior parte da vida em cargos públicos. O mínimo que se pode pedir ao actual chefe do governo é que não seja igual ao antecessor nos erros cometidos nos últimos quatro anos. Se isso não acontecer, as pessoas vão compará-lo a Pedro Passos Coelho, com a agravante de ter prometido que iria ser diferente. 

As dificuldades do líder socialista aumentam por causa da constante vigilância dos dois partidos que o apoiam no parlamento. PCP e BE não gostaram das declarações do primeiro-ministro que apelou aos professores para emigrarem. No entanto, Costa teve o apoio de Marcelo Rebelo de Sousa, o que não aconteceu com Passos Coelho relativamente a Cavaco Silva. Neste momento, o Presidente da República é o único que defende Costa, mas quando isso deixar de acontecer começam os verdadeiros problemas para o governo. Talvez seja melhor deixar passar o espírito da selecção nacional.....

terça-feira, 14 de junho de 2016

Perde a União Europeia e o Reino Unido

Os defensores do Brexit e do Remain utilizam argumentos para tentarem vencer o referendo do próximo dia 23. A grande questão é saber quem fica a perder mais, se o Reino Unido ou a União Europeia. Apesar de cada proposta, não é fácil calcular quem perde menos porque nunca aconteceu um país sair da União Europeia. É verdade que o Reino Unido praticamente não depende economicamente e politicamente das decisões da UE, pelo que, a saída significa menos investimento económico e poder nas grandes questões europeias, mas na realidade, em termos políticos, quem tem a faca e o queijo na mão é a Alemanha, já que, o Reino Unido de Cameron assumiu uma postura de despreocupação com as decisões tomadas em Bruxelas. 

A União Europeia fica com menos peso político relativamente aos parceiros mundiais, em particular a Rússia. No entanto, a ajuda dos Estados Unidos vai continuar, com ou sem Reino Unido na União Europeia. Não será por causa do Brexit que as instituições europeias deixarão de funcionar porque o epicentro sempre esteve em França e na Alemanha. O maior problema para a coesão é o efeito que pode vir a ter nos países nórdicos que são considerados mais eurocepticos. A saída do Reino Unido da União Europeia talvez proporcione a criação de blocos dentro das organizações, embora isso já exista, mas com pouca influência. 

Se o Brexit vencer o Reino Unido e a União Europeia irão ter uma experiência nova, mas como vai demorar tempo a negociar a saída, não se pode excluir um volte-face após as eleições gerais de 2020. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Histeria nacional

A euforia popular em torno da selecção é normal, em particular pelos emigrantes que se encontram fora do país e agarram-se a qualquer coisa para transmitir um sentimento de ligação ao país. O grande problema nestas alturas são as expectativas que se criam. O peso que se coloca em cima de uma equipa ou entidade como se resolvesse todos os problemas de um povo é exagerado. Quem alimenta isso é uma comunicação social que prefere apostar numa cobertura de um evento desportivo em vez de se preocupar com as grandes questões internacionais, como é o caso do referendo britânico que se realiza no próximo dia 23. 

Não se pode apontar o dedo ao fanatismo desportivo, mas a quem utiliza isso para ganhar audiências. Não se percebe como o Brexit tem sido apagado dos meios de comunicação social portugueses em detrimento daquilo que Cristiano Ronaldo vai comer ao almoço e jantar. Por causa disto nos últimos meses se tem assistido à queda de várias publicações nacionais. A culpa não é só da tecnologia. 

O mais grave é o envolvimento da política nesta histeria futebolística. Os recentes apoios de Costa e Marcelo não são apenas institucionais. Os dois gostam de futebol e despiram o fato de Chefe de Estado e do governo para vestir a camisola da selecção nacional. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro também alinharam na histeria colectiva, mas como têm mais poderes que o comum dos portugueses podem ter acesso aos bastidores. Em apenas dois dias, os nossos Dupond e Dupont sentiram vontade de estar perto da equipa das quinas, algo que nunca o fizeram quando eram cidadãos comuns. O apoio institucional ou fanático não terá a mesma expressão quando estiver em causa uma equipa nacional de outra modalidade. 

domingo, 12 de junho de 2016

Olhar a Semana - Dupond e Dupont

A cumplicidade entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro é algo que nunca vimos no passado. Os dois parecem ser da mesma área política quando estão em extremos opostos. Ora, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa parecem viver uma união duradoura. A relação entre os dois é mais do que as obrigações institucionais. No entanto, a paz irá durar pouco devido ao feitio dos dois. 

Apesar das aparências, existe algo que não desaparece, que tem a ver com a personalidade por isso não acredito que a relação dure muito.

Neste momento, Marcelo e António são inseparáveis como eram os famosos detectives da série Tintim. Dupont e Dupond faziam sempre tudo juntos, como acontece com Costa e Marcelo na defesa dos interesses nacionais. Curiosamente os dois também sentem enorme necessidade de aparecer na comunicação social, pelo que, não se estranha a presença dos dois sempre que abandonam os respectivos locais de trabalho. 

A questão é saber quando as posições individuais irão ficar acima dos problemas do país porque os dois provaram que são instáveis. Não tenho dúvidas que a aparente amizade vai ser quebrada no momento em que as leis socialistas não passarem em Belém ou Marcelo mandar indirectas para São Bento.

sábado, 11 de junho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Hillary Clinton - A candidata democrata confirmou a nomeação após as primárias de Terça-feira. A antiga secretária de Estado norte-americana venceu a corrida, apesar de algumas derrotas que deram moral a Bernie Sanders. No entanto, o melhor que podia acontecer a Clinton foi o apoio declarado de Barack Obama. A partir de agora o establishment democrata entra em campo para defender a candidata. Um apoio esperado, mas que pode facilitar o ataque dos republicanos.

No Meio

Brexit - Os defensores da saída do Reino Unido da União Europeia apresentam poucos argumentos na defesa das ideias. Um dos aspectos preocupantes tem a ver com as questões económicos. Os apoiantes do Remain explicam as vantagens de ficar no clube europeu e as consequências da saída. Por seu lado, quem está a favor do Brexit não consegue explicar porque razão a economia britânica fica melhor sem o país na União Europeia. A bandeira da imigração também não tem sido acolhida nos eleitores britânicos.


Em Baixo

PS, PSD, CDS - Os três partidos não se conseguem entender sobre a questão das sanções económicas a Portugal. A aprovação de dois textos na Assembleia da República revela a imaturidade democrática dos líderes partidários que recentemente foram bajulados nos respectivos congressos. Nada mudou após os maus resultados dos três nas legislativas de Outubro. Nem sequer a falta de maiorias no parlamento consegue unir os partidos em nome do interesse nacional. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Nem contra as sanções há consensos

O consenso entre os principais partidos nunca é fácil. Desde 2013 que PS, PSD e CDS conseguem estar de acordo, pelo que, não é de admirar as constantes manobras políticas e discursos inflamados dos líderes. 

O grande problema tem a ver com a perda de poder e importância. Quem fica sem o poder de decidir não consegue ter uma postura diplomática na oposição.

A falta de união na tentativa de evitar sanções económicas a Portugal por causa do défice de 3,2% é mais um sinal negativo enviado pelos partidos à sociedade, além de criar condições à realização de legislativas antecipadas. Não se percebe como ninguém ouve o apelo do Presidente da República. O único que esteve bem nesta questão foi Marcelo Rebelo de Sousa. A questão que se coloca é saber como o Chefe de Estado vai unir as pontas quando chegar a crise política. Recorde-se que Cavaco Silva teve de lidar com três situações complicadas. Na minha opinião, Marcelo vai passar por mais dificuldades nos próximos cinco anos porque os actores políticos não mudam. Ou seja, durante anos iremos ter que aturar Catarina, Pedro, António e Jerónimo. É verdade que Paulo já saiu do parlamento, mas não será por isso que Assunção irá optar por um caminho diferente. 

O que mais preocupa é não haver luz ao fundo do túnel. Isto é, mudanças. Por exemplo, na segurança social e sistema eleitoral também é preciso acordos. No entanto, ninguém quer ceder. Melhor dizendo, todos querem mostrar que têm poder para dizer não. 

Os factos políticos após as legislativas de 2015 criaram um ambiente tenso e vingativo no parlamento. Curiosamente nenhum dos principais partidos obtiveram vitórias, mas todos continuam agarrados ao poder. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Poucos argumentos a favor do Brexit

Os defensores do Brexit invocam apenas a questão da imigração para convencer os eleitores britânicos a votar na saída no próximo dia 23. Por outro lado, o Remain aposta nas consequências económicas para o país e nos empregos das pessoas. Curiosamente, a soberania parlamentar tem estado fora do debate. 

O trabalho mais árduo será do Brexit. Neste aspecto, o Remain tem feito um bom trabalho porque fala nas consequências negativas da saída, enquanto o Brexit não fala do que pode acontecer se o Reino Unido continuar na União Europeia, em particular a nível económico. 

Não há dúvidas que o Brexit tem poucos argumentos para convencer as pessoas. Nem mesmo na questão da imigração consegue explicar porque razão se deve controlar o fluxo de pessoas que querem trabalhar no Reino Unido por causa do valor dos subsídios. Parece estranho que Boris Jonhson, Michael Gove e Nigel Farage não terem capacidade para chegar ao nível das propostas do Remain. No plano económico, não existe qualquer medida que favoreça em relação ao Remain porque os britânicos não vão ficar melhores se saírem da União Europeia. A verdade é que as sondagens dão vantagem à saída. 

Na minha opinião, culpar a imigração por todos os males do país é exagerado. O Brexit nem sequer adopta uma postura nacionalista ou britânica para defender os argumentos. Penso que será necessário arranjar mais propostas no plano da soberania para haver uma vitória clara. Se o resultado for curto duvido que Cameron diga a Bruxelas que os britânicos querem abandonar a União Europeia. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Até quando?

Os primeiros sinais de desacordo entre Presidente da República e Primeiro-Ministro são visíveis e ainda nem sequer se completou um ano de governo e seis meses da actual presidência. Aos poucos, Marcelo Rebelo de Sousa lança avisos ao executivo, que são encarados com um sorriso, mas rapidamente se transformarão em problemas políticos. Repito que não é apenas o governo que está em alerta porque o líder da oposição também vai sofrer influências. A instabilidade que se falava na campanha começa a ser revelada.

Não acredito que a boa coabitação institucional entre Belém e São Bento perdure durante muito tempo. A táctica de Marcelo passa por encostar os responsáveis políticos às boxes para ganhar protagonismo. Aquele que nunca conseguiu ter porque também não concorreu a primeiro-ministro. Neste aspecto, o novo Chefe do Estado é bem mais interventivo que Cavaco Silva. No entanto, nada disto é novidade porque na campanha todos sabiam que iriam votar na "magistratura de influência". O mais engraçado é que nunca se ouviu da boca de Marcelo que iria ser um árbitro. 

Não tenho dúvidas que, na devida altura, as reacções de António Costa não serão "institucionais" como têm sido até agora. As interferências presidenciais serão mais um motivo para o primeiro-ministro bater com a porta, mas culpando tudo e todos na campanha eleitoral pelo insucesso do governo. 


terça-feira, 7 de junho de 2016

Vencedores e vencidos das primárias

As primárias na Califórnia, Nova Jérsia, Novo México e nos dois hemisférios do Dakota marcam o fim das primárias. A partir de agora os nomeados estão concentrados nas Convenções e na campanha para as eleições gerais em Novembro. Neste momento, Trump e Clinton contam com apoios importantes. O empresário conseguiu convencer Paul Ryan, que é a cabeça do establishment republicano e Clinton deve ficar com o suporte de Obama no final da semana. O caminho para a nomeação foi difícil para ambos, embora a antiga secretária de Estado tenha sido uma desilusão porque permitiu a Bernie Sanders sonhar com a vitória até final. Veremos quem fica com o protagonismo na Convenção em Filadélfia. 

Na minha opinião o grande vencedor das primárias foi Donald Trump. O empresário sempre foi visto como o patinho feio desde que anunciou a candidatura no Verão de 2015. Aos poucos as sondagens deram razão aos apoiantes e financiadores. No final de Março, Trump só tinha Cruz e Kasich como adversários, sendo que, no início de Maio os dois desistiram após terem celebrado um acordo para derrotar o milionário. Por fim, o apoio do establishment aconteceu antes da Convenção, o que precipitou as movimentações dentro do Partido Democrata. As sondagens também começam a ser favoráveis ao empresário. 

O percurso de Trump desde o ano passado tem sido apenas e só de vitórias. No entanto, a única derrota que pode ter será a pior porque significa perder a Casa Branca. A questão é saber se o sistema norte-americano não muda caso o empresário não vença as eleições gerais. O que importa é o duelo com Hillary Clinton. Não será fácil para qualquer dos candidatos por causa do legado de Barack Obama. 

O grande derrotada acaba por ser Ted Cruz. O senador do Texas dizia que era a melhor solução quando perdia Estados consecutivos para Trump. Nunca conseguiu ganhar a simpatia do establishment numa altura crucial das primárias.

Obama entra na campanha eleitoral

O apoio de Paul Ryan a Donald Trump obriga Barack Obama a entrar imediatamente na campanha eleitoral, sem esperar que Hillary Clinton seja confirmada na Convenção Democrata em Filadélfia. O anúncio do actual presidente norte-americano deve ser feito após as primárias de terça-feira, embora nas últimas horas, a antiga secretária de Estado tenha chegado aos delegados necessários após a vitória em Porto Rico. 

A estratégia de Obama foi correcta porque Bernie Sanders ainda estava na corrida. No entanto, as sondagens que dão Trump à frente de Clinton não permite aos democratas perderem mais tempo. Ainda por cima, tendo em conta que o Chefe do Estado garantiu o caminho livre para ex-primeira dama, não faz sentido continuar fora da corrida, mesmo que ainda seja o presidente de todos os norte-americanos. 

A acção de Obama será fundamentalmente atacar Trump e defender Clinton. No lado republicano, iremos assistir ao ataque do establishment contra o presidente, sem fazer a defesa do empresário. Isto é, os republicanos vão tentar diagnosticar os defeitos da actual administração em vez de mostrar as qualidades de Trump. No fundo, as eleições gerais são uma extensão do conflito entre a Casa Branca e o Congresso que dura há dois anos, embora o mais importante sejam os candidatos. O problema é que ainda existem questões por resolver entre os republicanos e o actual presidente. Se a campanha eleitoral se centrar apenas neste aspecto, o principal prejudicado será Turmp porque os democratas irão desmascarar todos os defeitos e contradições do milionário, o que deixa os republicanos com pouca margem para defender o candidato da sua cor. 

Talvez venhamos a ter uma segunda fase da campanha muito interessante, mas também com o aumento das acusações e palavras pouco bonitas. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Críticos isolados

Os recentes congressos partidários revelaram que os críticos estão isolados. Ou seja, não têm voz dentro do partido, preferindo a comunicação social para lançar algumas farpas às direcções. Neste momento, António Costa, Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas navegam em águas tranquilas apesar das discordâncias de Francisco Assis, Rui Rio e José Ribeiro e Castro. Podem haver mais, mas ninguém tem capacidade para criar uma corrente interna que discuta ideias e projectos, pelo que, os jornais são sempre a melhor forma de bater nos líderes.

A actual situação será mantida até às vésperas das eleições autárquicas de 2017. As próximas reuniões magnas realizam-se em 2018, pelo que, o resultado eleitoral será determinante para as lideranças. Se Costa não obtiver uma vitória nas autárquicas e o governo PS deixar de ter o apoio parlamentar de BE e PCP, a liderança do actual secretário-geral estará em causa. No entanto, se as eleições legislativas forem antecipadas para 2018 ainda haverá tempo para Costa ir a jogo. No PSD as autárquicas irá definir o futuro de Passos Coelho. Uma vitória reforça a liderança interna e legitimidade para pedir legislativas antecipadas, o que acontecerá no própria dia. Uma derrota origina o aparecimento de vozes contra a manutenção na liderança. No CDS, Assunção Cristas tem de ter um bom resultado para a liderança não ser discutida em 2018, talvez proporcionando o regresso de Portas ao partido. 

As incógnitas são maiores do que as certezas. Contudo, nos próximos dois anos haverá um silêncio ensurdecedor nos partidos, sendo a oposição feita nos canais de televisão. Por lá andam Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e brevemente Paulo Portas. Não esquecer também os súbitos aparecimentos de José Sócrates e António José Seguro que também devem querer um espaço para se oporem a António Costa. 

domingo, 5 de junho de 2016

Olhar a Semana - As várias vozes da União Europeia

Na campanha eleitoral para o referendo britânico sobre a saída da União Europeia, Michael Gove disse que a União Europeia fala a cinco vozes. Nesta semana verificámos que as instituições europeias não estão coordenadas e que cada representante tem uma opinião pública diferente. Não há mal nenhum ter visões distintas, mas o que se passou não augura nada de bom.

O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker afirmou que a França estaria livre de sanções porque simplesmente é a França. Por seu lado, o líder do Eurogrupo revelou que não havia excepções à regra. Por fim, Martin Schulz veio ao congresso socialista dizer que Portugal não tinha que pagar as sanções.

Na Europa também não há consenso sobre algumas questões importantes, nomeadamente o tratado orçamental. Os líderes das instituições não conseguem chegar a uma solução, estando dependente dos interesses que representam. A Comissão defende a França, o Eurogrupo a igualdade e o Parlamento Europeu está com Portugal. Quem fala a verdade?

Ninguém sabe, mas o mais grave é existir uma troca de argumentos nos media por parte dos responsáveis europeus, sem se sentarem à mesa. A União Europeia está a ficar igual a um Estado com os vários órgãos a caminharem pelo próprio pé, sem se importarem com a colaboração. É verdade que todos têm competências, mas verificamos que cada órgão se quer sobrepor ao outro. 

O bloco europeu está a fragmentar-se em várias uniões. 

sábado, 4 de junho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Referendo britânico - O Reino Unido vive um momento histórico devido à realização do referendo sobre a manutenção na União Europeia. Um ano depois das eleições legislativas, a campanha está de volta às ruas. Desta vez vemos o governo de Cameron e o Partido Trabalhista divididos entre o Brexit e o Remain. A sociedade civil também se mobilizou em força para mostrar os argumentos. A democracia no Reino Unido é fantástica.

No Meio

Paul Ryan - O "Speaker" do Congresso norte-americano declarou apoio a Donald Trump. Não esperava outra atitude do dirigente republicano, que contrasta com as posições assumidas por Mitt Romney e a família Bush. O gesto do líder vai favorecer o empresário nas sondagens porque o partido unido tem condições para combater Hillary Clinton e Barack Obama. Se Trump não conseguir a Casa Branca, Ryan tem hipóteses de ser candidato em 2020.

Em Baixo

Paulo Portas - O histórico líder do CDS fez o último discurso na Assembleia da República enquanto deputado. A ocasião não proporcionou a habitual salva de palmas em pé do hemiciclo porque alguns membros da esquerda não se juntaram aos da direita. No final, houve discursos de todos os grupos parlamentares com bocas negativas à mistura. Portas não vai deixar de intervir politicamente, mas isso nunca terá peso na oposição. A despedida do antigo líder foi como a carreira política, um autêntico sentimento de amor-ódio. No fundo, o trabalho de Paulo Portas não pode ser considerado positivo ou negativo, está no meio. Paulo Portas é o expoente máximo daquele português que fica amuado se deixar de aparecer nas câmaras de televisão. No entanto, infelizmente o país vai continuar a ter que lhe prestar vassalagem mediática. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O trunfo que faltava a Trump

O apoio de Paul Ryan ao empresário é um passo decisivo nas hipóteses do Partido Republicano conquistar a Casa Branca. De certeza que as sondagens vão ser mais favoráveis a Trump. 

O Speaker da Câmara dos Representantes não tinha outra hipótese senão apoiar Donald Trump porque Barack Obama também irá ajudar Hillary Clinton perto das eleições gerais. Ou seja, os dois establishments estão com os candidatos, embora relativamente a Trump haja algumas reservas. No entanto, Paul Ryan é mais importante do que a família Bush e Mitt Romney. O antigo candidato nunca ganhou eleições, apesar de duas tentativas. O que interessa é o líder do Congresso porque vai influenciar grande parte da estrutura republicana, incluindo os candidatos a congressistas e senadores. 

A decisão de Ryan também significa uma mudança de postura por parte de Trump. A partir de agora existem situações que não podem ser repetidas, como são os ataques pessoais. Em termos de medidas também haverá alterações porque simplesmente são irrealistas. O foco dos republicanos será a gestão de Barack Obama nos últimos 8 anos, sobretudo a nível interno, sendo que, tudo será feito para colar Clinton aos erros do actual Presidente norte-americano. 

Não tenho dúvidas que Trump conseguiu mais uma enorme vitória porque tem uma das figuras mais influentes do Partido Republicano. Seria extraordinário mudar a vontade de outras personalidades, mas será mais complicado. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ataque contra Ataque

A campanha para a presidência norte-americana já começou, mesmo faltando a nomeação oficial de Clinton e a confirmação dos dois candidatos nas Convenções que se vão realizar em Julho. No entanto, Trump alcançou os delegados necessários e a antiga primeira-dama deve conseguir na próxima Terça-Feira. 

Neste momento, assistimos a uma troca de acusações das duas partes. Ou seja, Clinton não teve medo em baixar ao nível do empresário, mesmo sabendo que isso pode custar votos. Contudo, será necessário começar a fazer marcação ao principal rival porque Sanders tem apenas dois meses de aparição pública.

O que mais importa realçar é a fraca qualidade de Clinton nas respostas. Isto é, a imagem de apaziguadora e conciliadora criada durante os primeiros meses da campanha terminou. No fundo, não há nada que distingue a ex-secretária de Estado do milionário em termos de personalidade. A postura de Trump é mais verdadeira só que Clinton também revela pouco fair-play. Perante o cenário não iremos uma campanha interessante, talvez pior do que aconteceu nos republicanos. Neste aspecto, Clinton não pode lavar as mãos dizendo que Trump é o único culpado. 

O grande erro de Clinton será fazer o jogo de Trump porque foi isso que levou aos maus resultados de Ted Cruz e Marco Rubio, em particular do primeiro. Não acho que Hillary deva passar por cima sem dizer nada, mas ficar nas mãos do adversário significa perder votos, o que permite ao Partido Republicano voltar a unir-se e as sondagens ficarem mais equilibradas. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O que separa o Reino Unido da União Europeia

O referendo sobre a União Europeia que se vai realizar no Reino Unido no dia 23 de Junho é uma grande oportunidade para clarificar a posição do país junto da organização. Nalguns países a consulta nunca foi feita, pelo que, não se admira o decréscimo de desinteresse nos temas europeus, apesar de todos se afirmarem europeístas sem conhecerem o funcionamento das instituições. 

No Reino Unido existe um enorme eurocepticismo também naqueles que vão votar pela manutenção. De facto, há muito tempo que não se sabe qual a posição do país na UE porque nos últimos anos as grandes figuras são a França e Alemanha. O Reino Unido não pode ficar fora das decisões mais importantes. O problema é que não existe vontade em resolver a crise económica, a situação dos refugiados, o combate ao terrorismo, bem como outros assuntos. Ora, sem colaborar não faz sentido estar presente. Melhor dizendo. Tendo em conta que só existe vontade em estar fora ou fechar portas a presença nas instituições tem pouco significado. No entanto, fazer propostas também é uma obrigação de todos. 

Os principais temas que afastam os britânicos da Europa são a imigração, economia e soberania nacional. Nestes pontos todos estão de acordo que o Reino Unido deve manter políticas independentes. Ou seja, tanto os defensores do Brexit como do Remain querem mais poder para Londres. É curioso verificar que os apoiantes da saída acreditam que o Reino Unido tem condições para atrair investimento e melhorar a economia, bem como promover a igualdade entre nacionais e estrangeiros sem a ajuda europeia. Na minha opinião têm razão. O Brexit vai conquistar votos aos britânicos que pretendem manter a unidade nacional. 
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