quinta-feira, 31 de março de 2016

Um futuro indefinido

O próximo Congresso do PSD será decisivo para o partido enfrentar a geringonça que se vai mantendo coesa no executivo. O desafio de Passos Coelho passa por ser diferente no plano ideológico daquilo que o levou a duas vitórias eleitorais, mas sem maioria absoluta, embora a segunda também por culpa do CDS. Os portugueses querem saber se Passos Coelho tem novos projectos e formas de combater os problemas do país que não passem apenas pela austeridade. Como o Partido Socialista não deu oportunidade ao actual líder social-democrata de executar novas políticas, será na oposição que o trabalho tem de ser feito. 

A liderança do actual Presidente vai ser colocada em causa ao mínimo deslize, sendo que, dificilmente haverá espaço para errar. Ou seja, não vale a pena remoer as mágoas do passado. Neste campo, Pedro Passos Coelho tem sido responsável e coerente com aquilo que diz, mas sempre com espaço para relembrar quem venceu as legislativas. 

O primeiro grande teste à reeleição de Passos Coelho acontece apenas em 2017 nas eleições autárquicas. Durante este período as vozes críticas não irão ficar caladas. O líder social-democrata precisa de mais uma vitória, seja em que eleição, para reforçar a posição no partido e no país. Uma terceira vitória nas legislativas seria histórico e o percurso de Passos seria quase semelhante a de Cavaco Silva. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Isolacionismo norte-americano

O próximo Presidente norte-americano corre o risco de continuar com a política de isolamento dos Estados Unidos a nível externo. A Administração Obama optou por afastar a Rússia e alguns países do Médio-Oriente na resolução dos problemas locais como aconteceu na crise ucraniana e a guerra na Síria. O primeiro conflito foi esquecido, mas o segundo originou uma onda de terrorismo em todo o mundo. 

Nos dois casos os Estados Unidos preferiram seguir sozinhos sem ter em conta a opinião dos outros. Ou seja, daqueles que também fazem parte do conflito, pelo que, o isolacionismo é uma marca deixada por Barack Obama. A única excepção foi a aproximação a Cuba e o reatar de relações com a China.

O isolacionismo é a palavra certa porque Obama não tem vontade de ouvir a parte contrária nos assuntos em que o seu ponto de vista está correcto. A campanha eleitoral norte-americana mostra que os republicanos vão seguir o mesmo caminho.O recente apoio de John Kasich aos israelitas é mais um sinal negativo. Não acredito que Hillary Clinton seja como Obama e adopte posições mais flexíveis ao não colocar os Estados Unidos como polícia do mundo. Obama tem criado divisões no seio da comunidade internacional. 


terça-feira, 29 de março de 2016

Não estamos seguros

As últimas situações ocorridas na Europa, mas não só, envolvendo problemas ligados à segurança das pessoas, mostra que existem falhas na segurança, em vários locais do mundo. Os ataques terroristas em Bruxelas revelam fragilidades nos aeroportos. O ataque ao Capitólio nunca deveria ocorrer, já que, existem perímetros de segurança naquela zona. 

Ora, não pode haver desleixo no que toca à segurança das pessoas, seja em que situação for. Sou favorável ao reforço securitário, mesmo que implique perda de liberdades. Melhor. Nunca se perde a liberdade quando se ganha mais segurança. Por exemplo, a presença de mais polícias na rua nunca pode ser analisada do ponto de vista negativo porque a função das autoridades policiais passa por estarem na rua a protegerem as pessoas, pelo que, não percebo o alarido nas alturas em que os aparatos são mais visíveis. 

Neste momento, é muito fácil causar pânico e terror em qualquer sítio. Como se vê, os aeroportos, aviões, locais públicos e mesmo os edifícios públicos norte-americanos são permeáveis. Iremos continuar a assistir a este tipo de situações se as autoridades continuarem a ignorar o problema da segurança.

Os defensores das liberdades e garantias deveriam pensar em primeiro lugar no bem-estar das pessoas e do espaço público. 

Assim, Não!

Na sequência dos atentados em Paris, ocorridos a 13 de Novembro transacto, o Estado Islâmico (EI) publicou uma infografia onde elenca alguns dos seus objectivos, sendo o principal a criação de instabilidade nos países europeus. Um modo de alcançar esse objectivo é dividir as populações; virando-as umas contra as outras e, acima de tudo, fazê-las culpar todos muçulmanos pelos actos terroristas.

No passado domingo, na praça da Ópera, em Bruxelas, arruaceiros, ditos 'hooligans', alguns empunhando uma larga faixa dizendo 'Casuals Against Terrorism', provocaram distúrbios, destruindo a atmosfera de luto ali vivida, desrespeitando tudo e todos, semeando a violência, acicatando o ódio, promovendo a divisão.


À luz dos objectivos declarados pelo EI, os arruaceiros de domingo estiveram a agir em favor dos extremistas islâmicos. Em vez de a “manifestação” ter sido uma marcha pela paz, como estava planeado, tivemos acontecimentos graves que só contribuem para dificultar a luta contra a ideologia extremista do EI. Acções como as que ocorreram, que alimentam os extremismos, não podem ser permitidos pelas autoridades, sob pena de perdermos a dura luta que nos espera. As autoridades têm de actuar rapidamente, com o inequívoco apoio da população, para acabar com todos os extremismos. Todos, sem excepção.

Texto de João Vale Sousa

segunda-feira, 28 de março de 2016

O grande Bernie

As recentes vitórias de Bernie Sanders acalentam esperança ao senador do Vermont, embora Hillary Clinton esteja distante no número de delegados e perto da nomeação. A antiga secretária de Estado norte-americana deve confirmar a nomeação no mês de Abril, o que lhe garante tempo para preparar a eleição geral. No entanto, a coragem de Bernie Sanders em ir à Convenção tentar mudar a mente dos super-delegados conferem-lhe o estatuto de surpresa das primárias nos dois lados. 

A vitória de Hillary Clinton era esperada, mas a manutenção do senador em campo durante tanto tempo nem por isso. Na semana passada conseguiu cinco vitórias, duas na terça-feira e três no sábado. O autor da palavra "momentum" nesta campanha teve direito à fama durante uma semana, mesmo que o tema central tenha sido os ataques terroristas em Bruxelas. 

Não acredito que Sanders volte a concorrer à Casa Branca porque nos próximos quatro anos os intervenientes serão outros, mas o trabalho no Senado pode ser valorizado com o tempo de antena adquirido após a participação na corrida. Temos de esperar qual será a estratégia adoptada na Convenção, sendo que, quando Hillary Clinton for nomeada haverá um apagamento natural do senador, embora o principal objectivo seja reaparecer em Filadélfia. 

sábado, 26 de março de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Barack Obama - O presidente dos Estados Unidos fez um excelente discurso em Cuba, embora perigoso. Os atentados em Bruxelas colocaram em segundo plano a tentativa do Chefe de Estado norte-americano mudar a situação política no país. Ora, a forma como se dirigiu ao público foi positivo, mas coloca os Estados Unidos numa situação complicada porque se tratou de uma ingerência nos assuntos internos. Obama afirmou que as manifestações eram uma coisa boa.

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O Presidente da República apoiou as interferências de António Costa no BPI e convocou o Conselho de Estado para analisar o Orçamento que está em cima da mesa. Nas duas situações os sinais mostram que teremos um Chefe de Estado mais interventivo do que Cavaco Silva, pelo menos, fora dos corredores do Palácio de Belém. A imprevisibilidade de Marcelo..............

Em Baixo

Terrorismo - Os atentados em Bruxelas voltam a colocar o tema do terrorismo na agenda europeia. No entanto, o problema não se cinge só à Europa, já que, uma bomba num estádio em Bagdade colocada pelo Estado Islâmico matou 29 pessoas. Ora, a resposta para acabar com as atrocidades tem de ser global. Não basta apenas efectuar ataques aéreos. Contudo, a intervenção dos países do Médio-Oriente será decisiva para combater o medo que se instalou em todo o mundo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

O primeiro sinal de interferência

O primeiro Conselho de Estado que Marcelo Rebelo de Sousa vai reunir será no dia 7 de Abril para discutir o Orçamento de Estado que chegou a Belém. A reunião irá contar com a presença de Mario Draghi a convite do Presidente da República. 

A primeira tentativa de Marcelo interferir na acção executiva está anunciada. Ninguém sabe o que vai sair da reunião, mas não deve ser para dar umas recomendações leves ao executivo. Não estou espantado com a decisão, embora seja estranho o Chefe de Estado convidar Mario Draghi. 

A partir de agora sempre que houver um dúvida sobre o rumo da governação o Conselho de Estado vai ser chamado a pronunciar-se. Um novo estilo em Belém, bastante menos discreto do que aconteceu com Cavaco Silva, mas tendo por intuito incomodar mais vezes o governo, não apenas com discursos, mas com recomendações concretas.

As constantes interferências de Belém em São Bento têm tudo para correr mal. No entanto, existe a garantia de imparcialidade nas decisões porque Pedro Passo Coelho também já experimentou o poder do PR. Marcelo concorda com as interferências de Costa na banca. 

A convocação do Conselho de Estado para discutir o orçamento é o primeiro sinal da vontade demonstrada pelo Presidente da República em se tornar Primeiro-ministro, embora também haja outra que se vai revelar nos próximos tempos.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Aproximar a democracia

A Nova Zelândia e a Suiça são dois bons exemplos de democracia. No longínquo país, houve a necessidade de realizar um referendo para os cidadãos decidirem o futuro da bandeira nacional. Os neo-zelandeses optaram pela continuidade, mas o processo aberto pelas autoridades foi bastante concorrido, o que revela interesse por parte das pessoas na participação política. No futuro haverão mais iniciativas como aquela que aconteceu nos últimos meses. 

O exemplo da Suiça também pode ser copiado por alguns países como Portugal. No país dos cantões, o referendo é um instrumento natural de participação pública. A maior parte das questões nacionais e regionais estão nas mãos da população.

O processo democrático ganha com a possibilidade das questões de poder tiverem a participação das pessoas que não estão ligadas aos partidos. No nosso país tem havido alguma abertura, mas ainda há muito a fazer porque, dentro das estruturas, também existe pouca liberdade. As reformas que se fazem não colocam mais responsabilidade nas pessoas, que só participam nos actos eleitorais num determinado período. 

A nossa história, em particular a conquista de democracia, deveria permitir às pessoas participarem mais. No entanto, não é isso que acontece. Na minha opinião, a forma como os partidos lutaram pela democracia fizeram com que reclamassem o poder unicamente para si. O 25 de Abril foi um combate dos militares e das forças políticas. A população nem sequer sabia o que estava a acontecer. 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Corrida republicana também será a dois

A corrida republicana ficou reduzida a Donald Trump e Ted Cruz, embora John Kasich ainda se mantenha para tentar uma surpresa. No entanto, a manutenção do governador do Ohio prejudica o senador do Texas, já que, os votos do establishment serão fundamentais para vencer a nomeação. A chave para a vitória também está na decisão de Marco Rubio relativamente à escolha que vai fazer, já que, os delegados podem votar na convenção de Cleveland se ainda não houver um nomeado. 

Não acredito que Rubio vote no conservadorismo de Cruz, pelo que, talvez haja liberdade de voto para os delegados. A campanha do senador do Texas não tem sido a melhor, mas pode aproveitar a onda anti-Trump que atingiu as elites republicanas como Mitt Romney. Jeb Bush também vai apoiar Cruz. A última novidade do candidato republicano é a necessidade de vigiar as mesquitas. Afinal, Cruz não é diferente de Donald Trump relativamente à imigração nem à política externa. Trump não tem medo de assumir as diferenças, enquanto o adversário refugia-se no conservadorismo do Tea-Party para esconder as verdadeiras opções políticas. Na minha opinião é por essa razão que Trump está melhor na contagem dos delegados. 

As próximas semanas serão interessantes, mesmo estando Trump muito perto dos delegados necessários. Apesar do apoio de um membro do establishment, não acredito que as elites estejam com Cruz. 

Sucesso

Por paradoxal que seja os atentados em Bruxelas são fruto dos sucessos no combate ao Estado Islâmico (EI). Em primeiro lugar, porque existe a forte possibilidade que os ataques tenham sido cometidos devido ao receio que os terroristas tivessem que as informações que estão a ser fornecidas por Salem Abdeslam às autoridades pudessem levar à sua captura. Depois, porque no espaço de batalha da Síria e do Iraque o EI tem vindo a perder, pelo menos desde o início de 2015, paulatinamente controlo sobre o território que dominava. Ora, isso tem duas consequências. A primeira, é que estão a regressar a casa muitos dos combatentes que foram para o Levante combater pelo EI, sendo que outro factor importante tem sido a queda no preço do petróleo, que tem agravado as dificuldades de financiamento da organização extremista islâmica. Em segundo lugar, à medida que vai perdendo terreno o EI tenta com maior afinco expandir-se para outros locais (veja-se o caso da Líbia), ficando cada vez mais desesperado e perigoso. A vitória sobre o EI ainda não está assegurada, duras batalhas ainda nos esperam, mas com firmeza e determinação será possível derrotar a barbárie.

Texto de João Vale Sousa

terça-feira, 22 de março de 2016

Resiliência

Acordámos hoje ao som de mais uma vaga de atentados na Europa, desta vez em Bruxelas. O medo voltou a dominar o Velho Continente. Ora, não devemos deixar-nos intimidar. Convém relembrar que não é a primeira vez que somos assolados por um desafio destes. Na viragem do séc. XIX para o séc. XX assistiu-se a uma vaga terrorista de cariz niilista. Durante os anos 1970-80 outra série de ataques foram perpetrados. Em ambas as ocasiões foi possível superá-los. Temos de ter presente que um dos objectivos dos terroristas é fazerem alterar o nosso modo de vida, em particular no modo como os combatemos. Só lutando contra os que praticam tão hediondos actos, no escrupuloso respeito pela Lei, poderemos fazer-lhes frente eficazmente. Enquanto esse combate desenrola-se devemos seguir o exemplo dos londrinos nas horas mais duras do Blitz e adoptar como nosso o slogan que os guiou: ‘Keep Calm and Carry On’.

Texto de João Vale Sousa

Perigoso movimento conservador

As eleições norte-americanas nos republicanos mostram que os movimentos conservadores estão a perder adeptos nos Estados Unidos. Neste momento, apenas o Tea-Party de Ted Cruz se mantém na corrida, embora John Kasich tenha o apoio das elites. No entanto, o governador do Ohio não tem hipóteses de sucesso nesta eleição.

As críticas de Rubio aos valores do establishment mostram que o Partido Republicano necessita de se abrir mais no plano interno e externo. A utilização do símbolo norte-americano como única força militar capaz de derrotar os exércitos inimigos não corresponde à realidade. Na campanha assistimos a várias demonstrações que iríamos voltar ao tempo George W.Bush. Os tradicionais apoios a Israel e a guerra contra a Palestina e Irão não convence o cidadão comum, numa altura em que Barack Obama dá sinais de abertura com Cuba e tolerância relativamente ao Irão, embora haja um ponto em que estão todos de acordo. A Rússia tem de ser colocada em ordem. 

No plano interno também existem mudanças devido ao poder que as minorias conquistaram no território norte-americano. O discurso de Turmp consegue conquistar votos porque toca em questões relacionadas com a segurança e economia das pessoas. O que não tem adeptos são as propostas do Tea-Party, que são contra tudo porque sim. Curiosamente os dois candidatos que devem lutar pela nomeação conseguem ser tolerantes e realistas relativamente ao papel do Estados Unidos no mundo. 

A vitória de um republicano em Novembro traz mudanças significativas que tornam os Estados Unidos mais fechado em termos internos e menos actuante a nível externo. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um americano em Cuba

A visita de Obama a Cuba é um dos momentos do ano político no plano internacional. O Chefe de Estado norte-americano encerra a presidência com um triunfo diplomático na Baía dos Porcos, algo que John Kennedy nunca conseguiu. No entanto, Obama deveria adiar a visita devido à realização das primárias. 

Na minha opinião, as posições dos republicanos não fazem sentido, à excepção de Donald Trump. O empresário diz que deve ser alcançado um acordo melhor, enquanto os restantes opositores, em particular Ted Cruz, pretende instalar a democracia no país. Ora, não deve ser esse o principal objectivo dos Estados Unidos. Como se vê na Síria, a ingerência nos assuntos internos de um país tem consequências desastrosas. Obama perdeu capital por ter afastado a Rússia após a crise na Ucrânia e de tentar substituir Bashar al-Assad-

O reatamento das relações com Cuba só podem ser possíveis se cada país não alterar a vontade do outro. Não será com o Raúl Castro que haverá reformas políticas em Cuba. Talvez após a morte do actual Chefe de Estado haja esperança para o povo cubano. Obama não aterra em Havana com o intuito de mudar tudo, mas pretendendo ajudar a economia local, mantendo a estrutura política. O povo cubano agradece a chegada de mais dinheiro, mesmo que as liberdades continuam a ser uma miragem.  

domingo, 20 de março de 2016

Olhar a Semana - Estado Militar

O Brasil vive uma situação de Estado de Sítio, em que a intervenção dos militares é a única solução para resolver a crise no país. Os partidos não se entendem, a justiça toma posições políticas e as pessoas estão divididas. 

Os sinais revelam que ninguém detém o poder. Ele não caiu na rua, mas já não são as instituições que funcionam, pelo que, estamos à beira de uma revolução porque só assim se consegue garantir a estabilidade. 

O problema não tem a ver com o A ou B, mas com o sistema que está implementado há décadas. O que acontece neste momento é a consequência de vários anos em que todos se aproveitaram da política para subir na vida. Na direita e esquerda, com a conivência do poder judicial e apoiado por uma população adormecida, que não se manifestava. A organização do Mundial 2014 foi o primeiro passo de descontentamento das pessoas face ao poder públicp. 

Num país em que a Presidente, o ex-Chefe de Estado, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado estão sob suspeita e continuam agarrados ao poder, só pode haver uma solução para os tirar do cargo. 

sábado, 19 de março de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Assunção Cristas - A nova líder centrista tem um discurso positivo de abertura às várias sensibilidades dentro do partido. A composição dos órgãos nacionais representa uma mudança de página. O problema para a nova liderança será quando as sondagens não lhe forem favoráveis. Cristas não teve oposição neste congresso, mas poderá vir a ser confrontada durante o mandato. 

No Meio

Marco Rubio - O senador da Florida era o representante do establishment. Contudo, os maus resultados levaram-no à desistência na última terça-feira depois de não ganho o Estado nem sequer um bom resultado nas restantes eleições da noite. O jovem político tem um grande futuro à frente, mas não vai contar com o apoio do establishment, pelas críticas dirigidas. De facto, o movimento conservador nos Estados Unidos tem de mudar, senão haverá facções que se podem transformar em partidos.

Em Baixo

Presidenciais norte-americanas - As primárias para a escolha dos dois candidatos que vão concorrer em Novembro na eleição geral prometia ser excitante porque estamos perante uma sucessão na Casa Branca. No entanto, não é isso que se está a verificar, nos democratas e republicanos. A intenção de Obama escolher Hillary Clinton provocou uma fuga nos democratas, mas os republicanos apresentaram-se em grande número. No verão passado eram 13 concorrentes, mas ao fim de dois meses de eleições só temos 3. sendo que, Donald Trump já se encontra destacado. O desinteresse em Abril, Maio e Junho vai ser enorme a não ser que haja jogo de bastidores até à convenção dos republicanos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Fim do Partido Republicano

A vantagem de Donald Trump nos republicanos tem causado divisões no Partido. A desistência de Marco Rubio e as críticas dirigidas pelo senador da Florida ao establishment é o início das divisões que poderão acabar com o Partido Republicano. Se juntarmos o Tea-Party e os que apoiam Trump, podemos reparar que existem enormes facções que não são capazes de conviver juntos. 

O falhanço das eleições de John McCain e Mitt Romney significaram o princípio do fim no Partido Republicano. Não é por acaso que surgiu Donald Trump e Ted Cruz. Os dois representam os valores errados do Partido Republicano, mas só se fala em Trump por causa do discurso. O Tea-Party é o neoconservadorismo que não usa em lado nenhum, muito menos numa sociedade aberta como são os Estados Unidos. O discurso anti-Washington não é novo e representa o sentimento de muitos norte-americanos. 

Na minha opinião, se Trump não conseguir ser nomeado haverá um terceiro partido nos Estados Unidos que fragiliza os republicanos. Nada vai ser igual no establishment depois das eleições porque vão ter que tomar uma posição até Novembro, já que, John Kasich só dura mais um mês. Fiquei impressionado com a forma como Trump anteviu a desistência de Rubio antes das primárias na Florida. 

Antes do final dos dois meses de eleições, são as elites que vão ter de se ajoelhar aos anti-establishment e ao Tea-Party.

quinta-feira, 17 de março de 2016

E se?

Após os resultados de ontem da Big Tuesday o facto mais marcante foi a desistência de Marco Rubio, senador pela Flórida, que nesse estado apenas conseguiu ganhar no distrito eleitoral onde reside. A primeira consequência disto é que o sistema do Partido Republicano ficou sem um candidato  para apoiar. Rubio era a última esperança dos moderados republicanos, apesar de ter obtido a sua eleição para o Senado com o apoio do Tea Party. Restam, assim, como principais candidatos à nomeação dois concorrentes que se situam nas franjas ideologicamente mais extremistas do GOP. Outro resultado a destacar de ontem foi o aumentar da vantagem de Donald Trump em relação ao segundo classificado e, ao que tudo indica a manterem-se estes resultados, a aproximar-se do número de delegados que permitir-lhe-á garantir a nomeação. Sabendo-se que o multimilionário tem posições políticas muito para lá do extremismo e que as eleições nacionais se ganham ao centro — enquanto que as nomeações dentro dos partidos se ganham com um posicionamento mais próximo dos extremos —, e que é abominado pelo aparelho republicano, que fala em lançar um nome contra a sua candiatura oficial, uma maneira que ele terá de aumentar as suas possibilidades será convidar para o lugar de seu Vice Presidente alguém como Marco Rubio ou Jeb Bush, que chegou a ser o preferido pelo Partido Republicano, ou, Mitt Romney, que se fala para ser o tal candidato anti-Trump, ou outro nome grado dentro do partido. Contra isto jogará, em primeiro lugar, a própria personalidade egocêntrica de Trump e, depois, ninguém querer alegadamente juntar-se a um extremista e hipotecar o seu futuro, tendo aqui, no entanto, a possibilidade de moderar o discurso do presumível nomeado. Isto poderá parecer muito improvável mas o poder tem uma capacidade de atração muito grande. Para todos.

Texto de João Vale Sousa

quarta-feira, 16 de março de 2016

Trump e Clinton perto da nomeação

A nomeação de Donald Trump e Hillary Clinton parece ser uma realidade, tendo em conta os resultados na Florida, Missouri, Illinois, Carolina do Norte e no Ohio. A antiga primeira-dama ganha em quase todos os Estados, enquanto Trump vence no Missouri, Carolina do Norte, Illinois e a Florida. John Kasich conquistou o Ohio.

Neste momento, não há ninguém que pare os dois candidatos, mesmo que o establishment tente arranjar uma forma de evitar a nomeação ou não vote em Trump na eleição geral. No entanto, a desistência de Rubio é um duro golpe para as elites, sobretudo depois das críticas que o senador da Florida fez no discurso. Kasich não é homem nem político para chegar à nomeação porque não é popular nem tem dinheiro. Ora, resta o Tea-Party de Ted Cruz, que nunca terá o apoio do establishment. 

A única forma de Trump ter apoio total por parte do Partido Republicano passa por ter um Vice-Presidente escolhido pelas elites. Desta forma consegue subir nas sondagens contra Hillary Clinton. A máquina do partido não vai arriscar perder o terceiro mandato consecutivo para os democratas. Nem haverá tolerância, já que, a vitória de Hillary Clinton representa a continuidade de Barack Obama. Ou seja, aqueles que criticam Trump terão de se entender com o empresário. Tem de existir cedências entre as duas partes. 


terça-feira, 15 de março de 2016

Lulada

A confirmar-se a ida de Lula para o governo Dilma liga definitivamente o seu destino ao do ex-presidente. Ora, ele não parece muito auspicioso. E o do Brasil também não. Mas Lula também fica dependente do que suceder a Dilma, pois, se ela cair ele irá junto. Parece um casamento que a morte política não irá separar.
A actual presidente vai igualmente perder autoridade dentro do próprio governo devido à presença de alguém tão popular e tão conhecedor dos meandros da política brasileira como Lula. Para mais, o ex-presidente ainda fez exigências de adopção de reformas económicas para integrar o executivo. Dilma vai concentrar ainda mais a fúria de todos em si, fazendo aumentar a pressão para se demitir, pois passam ambos a estar acoitados num só órgão governamental.
Para Lula é uma derrota, pois parece querer obter imunidade por ter receio de ser apanhado pela justiça, ao invés de enfrentar as acusações e ser ilibado.
Com tudo isto o PT e o populismo que encarnou morrem em definitivo.
Texto de João Vale Sousa

O dia decisivo

As primárias na Florida e Ohio são mais importantes do que a Super Tuesday realizada no dia 1 deste mês. Neste momento, tudo aponta para uma grande vitória de Trump na Florida, o que acaba com as esperanças de Marco Rubio e do establishment. A partir de hoje temos de estar atentos sobre a posição das elites republicanas relativamente aos dois candidatos mais fortes. 

A violência que atingiu alguns comícios do empresário não são suficientes para parar a "Trumpmania". À medida que o tempo passa, a candidatura ganha mais força.

A missão de Rubio é relevante, mas não tem presente. Isto é, não será agora que o senador da Florida tem espaço para implementar as ideias. No futuro, poderá chegar mais longe, mas nesta eleição foi uma verdadeira desilusão porque prometeu muito e só venceu as pequenas primárias no Minnesota, Porto Rico e District of Columbia, o que significa muito pouco para quem afirmou ser a única candidatura alternativa a Donald Trump. Neste aspecto, Ted Cruz e o Tea-Party mantêm-se firmes na corrida. 

Nos democratas a noite também deve ser para Hillary Clinton reforçar a vantagem. A antiga primeira-dama já pensa nas eleições gerais, uma vez que, anda a consultar pessoas para o cargo de vice-presidente. 

Ao fim de mês e meio a corrida presidencial pode ficar perto do fim. 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sem consensos até às legislativas

Os consensos que se fala muito na nossa política nunca são reais. Quem ouviu o discurso de ontem de Assunção Cristas e as respostas dos dirigentes socialistas que foram convidados para a cerimónia de encerramento tem a garantia que pouco ou nada vai mudar nos próximos anos. A Direita tem razão quando fala da habilidade política de António Costa para sobreviver nos cargos através dos ditos consensos. No entanto, isso não pode servir para os dois partidos deixarem de assumir responsabilidades, mesmo quando surgem através do apelo do actual primeiro-ministro. Como se vê, Costa não perde uma oportunidade para atacar o PSD e CDS, o que não acontece com os parceiros que lhe garantem a manutenção do executivo. 

Os conclaves partidários que só terminam em Junho com a reunião socialista serão direccionados para o tema, embora todos saibam que isso não é verdade, pelo que, a importância de Marcelo Rebelo de Sousa vai ser fundamental. Contudo, há outro aspecto que vai ser tido em conta. As sondagens serão responsáveis pela duração deste governo e da decisão do Presidente da República. O problema é que ninguém sabe o que vai acontecer, já que, as sondagens não mudaram muito desde Outubro. Ora, dificilmente um partido se destaca do outro para garantir maioria absoluta. Sendo assim, as estratégias políticas não vão ser alteradas porque todos acham que os resultados são positivos. Na minha opinião, os resultados das próximas legislativas não irão coincidir com os valores apresentados pelas sondagens porque dependem da forma como os partidos fizeram a campanha eleitoral. 

domingo, 13 de março de 2016

Olhar a Semana - Lideranças para as próximas eleições

As lideranças do PSD e CDS partem com legitimidade reforçada para o ciclo de dois anos, que incluem as autárquicas e europeias, sendo que os resultados das primeiras irão definir se iremos ter legislativas antecipadas em 2018. Antecipar um ano as eleições legislativas também serve para o Partido Socialista, que se encontra desgastado. Nos próximos dois iremos ter um governo controlado pelo Presidente da República.

No congresso de Gondomar, Assunção Cristas prometeu abertura e cumpriu porque incluiu nomes relevantes de várias tendências nos órgãos do partido. Ora, isso revela que o CDS irá ser pragmático e não doutrinário, à semelhança do que vai ser o PSD. No entanto, quem tem de se esforçar mais para crescer são os centristas. As expectativas para saber qual a ideologia adoptada pela nova direcção eram grandes, mas com a inclusão de pessoas com vários pensamentos, todos estarão unidos no apoio à líder, apesar das diferenças existentes. Assunção Cristas não pretende implementar uma única doutrina durante os próximos dois anos. 

O problema para o crescimento do CDS passa pela manutenção do pragmatismo no PSD. Ou seja, a liderança de Passos Coelho vai esmagar todos aqueles que quiserem ocupar o espaço dos sociais-democratas nos próximos dois anos, com a agravante de reclamar apenas para si a vitória nas eleições, já que, Paulo Portas saiu, mesmo que Cristas tenha estado no governo. 

O grande desafio da nova líder centrista também passa por segurar os que irão abandonar o trajecto a meio do percurso por divergências. Se conseguir manter o partido junto assumindo uma postura pragmática e não ideológica até às eleições, pode ser que o CDS consiga um bom resultado que lhe permita não estar sempre a subir e descer. Os centristas não terão apenas a esquerda como adversário porque o PSD vai tentar conquistar a maioria absoluta com o argumento que venceu as eleições. 

sábado, 12 de março de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Marcelo Rebelo de Sousa - O professor tomou posse como o quinto Presidente da República da democracia e o 19º durante a República. Os primeiros sinais foram positivos, já que, mostraram abertura e uma vontade de aproximação às pessoas. Veremos como o Chefe de Estado concilia o aspecto social com os deveres políticos, sobretudo nas alturas em que tiver de estar contra as posições do executivo. No entanto, abre-se um novo ciclo na presidência com mais "afectos".

No Meio

Paulo Portas - O ainda líder do CDS-PP abandonou o Congresso de Gondomar em lágrimas, mas apelando à união em torno da nova líder. As palavras de Portas para Assunção Cristas revelam que o histórico não irá fazer marcação cerrada à nova liderança, embora tenha prometido que vai estar presente na vida activa partidária. O legado de Portas é globalmente positivo, mas a reunião magna mostra que o espaço para o debate de ideias foi substituído por discursos de afectos que não servem para o partido voltar a ultrapassar o Bloco de Esquerda, ou mesmo, chegar ao governo como pretende Assunção Cristas.

Em Baixo

Donald Trump - Os comícios do empresário norte-americano estão a ser marcados pela violência. A culpa é mais dos discursos do milionário do que as recentes declarações de alguns membros do establishment. No entanto, será que o próprio não está a ganhar com esta palhaçada?

sexta-feira, 11 de março de 2016

Quatro republicanos na corrida até à convenção

O último debate entre os candidatos republicanos antes da decisiva eleição na Florida mostra a existência de diferentes facções, sendo que, o conservadorismo é a ideologia que une todos os candidatos, à excepção de Donald Trump. O empresário começa a ter um discurso mais apaziguador e realista, o que não agrada aos adversários porque, um representa o establishment rejeitado por grande parte dos apoiantes de Trump, enquanto Ted Cruz foi empurrado pelo Tea-Party. John Kasich está na corrida apenas para consumo pessoal. O governador do Ohio tem capacidade para utilizar os delegados que vai ganhar para pedir a vice-presidência ao republicano nomeado. 

O senador da Florida, Marco Rubio, só fala da família quando inicia os discursos, numa tentativa de se vitimizar e explicar que o trabalho árduo tem sempre recompensa, mas o foco é para todos aqueles que reclamam igualdade nos Estados Unidos da América. Rubio tem qualidade, mas ainda está agarrado a um discurso sem sentido. Ted Cruz pretende desfazer tudo o que a administração Obama conquistou, em particular os acordos nucleares com o Irão e as negociações com Cuba. Trump entende que é necessário um melhor acordo, mas Cruz está nesta campanha para dizer que o actual Presidente fez tudo mal. Kasich é um idealista que faz ameaças a Putin e tem a intenção de acabar com o regime norte-coreano. 

O teste da Florida e do Ohio na próxima terça-feira é decisivo para Rubio e Kasich porque jogam em casa. No entanto, nenhum deles vai desistir porque será na convenção que se contam todas as espingardas. Nessa altura, poderão estar em condições de exigir a vice-presidência. Trump está mais alinhado com Kasich. Não vejo como Cruz e Rubio podem colaborar. 

Final infeliz para Dilma Rousseff e Lula da Silva

As acusações envolvendo Lula da Silva e a família é o princípio do fim para Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores brasileiro. O sentimento anti-Rousseff que começou durante a campanha eleitoral para as eleições ainda perduram. Ao contrário do que diziam os governantes, as manifestações tinham razão de ser, já que, também não eram organizados pelo partido liderado por Aécio Neves. O social-democrata não tem sido o rosto da oposição contra a actual Presidente. Há muito tempo que a população é a principal adversária do poder instalado. 

O caso Petrobras coloca a nu todas as fragilidades do sistema político e financeiro do Brasil. O envolvimento de Lula é pior para a Chefe de Estado em termos políticos do que para o ex-Presidente, apesar das várias aparições ao lado do poder instituído. 

Não há escapatória possível para Dilma Rousseff. A Presidente tem de ser submetida a um processo de impeachment para resolver a legitimidade política. Neste momento, não tem condições para liderar o país. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

A desilusão Marco Rubio

A prestação de Marco Rubio nas primárias tem sido um desastre. Neste momento, o senador da Florida conta com apenas duas vitórias no Minnesota e em Porto Rico. Na próxima semana será o grande teste do candidato porque a vitória garante a totalidade dos delegados. Na minha opinião é o tudo ou nada para Rubio, mesmo que o concorrente continue a disputar as eleições para ganhar delegados com o intuito de ser fundamental na nomeação republicana. 

O senador apresenta-se como o candidato do "establishment" e das elites do Partido Republicano. Curioso que Jeb Bush desistiu quando percebeu que não iria ter sucesso para facilitar a vida de Rubio. Mesmo assim, não houve progressos na candidatura. Na última terça-feira, não conseguiu ganhar delegados, perdendo terreno para Trump e Cruz, além de permitir a aproximação de Kasich. 

Neste momento, é o candidato que se sente mais pressionado porque os principais rivais pediram a sua desistência. O apoio do establishment pode ser visto como positivo e negativo. Embora conte com suporte de figuras importantes no partido, há muito que elas são contestadas por várias facções, como os apoiantes de Trump e o Tea Party que segura Ted Cruz. 

O oncservadorismo de Rubio faz sentido num país com as diferenças sociais norte-americanas. No entanto, o que está em jogo nesta eleição é saber se vence o 8 ou 80. Isto é, não há lugar para quem faz um discurso situado no meio destes dois números. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

O primeiro dia do novo Presidente

Os desafios do novo Presidente da República não se resumem apenas a gerar consensos entre os partidos numa Assembleia da República, que pode demitir o governo antes da legislatura. Marcelo Rebelo de Sousa deve estar atento à falta de participação política dos portugueses, já que, o próprio Chefe de Estado foi eleito numas eleições em que houve 50% de abstenção. 

O novo Presidente diz que vai ser mais próximo das pessoas. Na minha opinião isso vai acontecer porque Marcelo tem mais capacidade de conquistar a popularidade, do que, por exemplo, Cavaco Silva. Ou seja, por diversas situações, nos discursos ou nos roteiros, os problemas das pessoas estarão presentes na sua mente. O objectivo não é procurar popularidade fácil, mas criar um novo ânimo junto das pessoas. 

Há um aspecto negativo que vai marcar a actual presidência. A constante procura pelo mediatismo e a presença da comunicação social em todos os eventos do Presidente da República torna o Palácio de Belém um lugar aberto a qualquer tipo de intriga, suspeita ou comentário. Nesse aspecto, Cavaco Silva soube estar à altura do cargo que ocupou durante dez anos. 

terça-feira, 8 de março de 2016

A derrota do Establishment

A obsessão do Establishment republicano contra Donald Trump tem prejudicado o candidato que conta com o apoio das elites. Neste momento, Marco Rubio só tem duas vitórias em Estados irrelevantes como são o Minnesota e Porto Rico. As primárias da Florida são cruciais para o senador, já que, o vencedor fica com todos os delegados. Ou seja, a vitória de Rubio catapulta-o para a recuperação, mas a derrota acaba com as últimas esperanças. 

A estratégia do establishment visa unicamente derrubar Donald Trump, sendo que, Ted Cruz também não é apreciado devido ao conservadorismo suportado pelo Tea Party. Perante este cenário, a única vitória que mantém a influência de homens como Paul Ryan, Mitt Romney, Mitch Mcdonnell no seio do Partido Republicano é a de Marco Rubio. No entanto, isso é um cenário cada vez mais improvável. No fundo, o establishment, que perdeu as eleições de 2008 e 2012 com John Mccain e Mitt Romney, está a pagar uma elevada factura. As outras tendências dentro do partido surgem como cogumelos para afastar o poder das elites e tornar o partido mais aberto. 

O aparecimento de Trump não é por acaso. Nada melhor do que lançar um milionário com capacidade de mobilização e persuasão para abanar o sistema. À medida que os resultados vão sendo apurados reparamos que o envolvimento à volta do empresário não pára de crescer. Fico impressionado com o número de vitórias alcançadas por Trump neste mês e meio. A corrida eleitoral tem os dias contados se Trump vencer no Ohio e Florida. A partir desse momento, o establishment tem de estar aberto a negociar com o futuro nomeado nos republicanos. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mais Passos Coelho significa menos CDS

Nos próximos tempos a nova liderança do CDS terá dificuldade em se impor devido à permanência de Pedro Passos Coelho como líder do PSD, já que, os centristas não conseguirão captar voto aos sociais-democratas. A situação seria a mesma se Paulo Portas não tivesse deixado o poder ao fim de 16 anos. 

Os centristas vão ter dificuldade na reconquista do eleitorado que perderam nas últimas legislativas. O caminho de Assunção Cristas não será fácil, pelo que, será melhor para o partido haver eleições em 2019. Ou seja, que o actual governo cumpra a legislatura. O problema é que isso não beneficia o PSD nem a liderança de Passos Coelho que estará em jogo daqui a dois anos. Isto é, se em 2018 não estivermos numa cenário de eleições antecipadas e o PS com uma derrota nas autárquicas, o actual líder social-democrata pode ficar pelo caminho. 

Na minha opinião, o CDS não irá recolher frutos se a coligação de esquerda falhar, estando PSD de Passos Coelho na linha da frente para ser novamente poder com maioria absoluta ou perto disso. Nesta altura não existe convergência política entre os dois partidos porque o PSD ocupa algum espaço do CDS. Os centristas não conseguem ser mais fortes em matérias sociais. pol 

O congresso dos centristas que começa no fim-de-semana é importante para definir uma nova direcção, mas também para saber qual a ideologia ou doutrina adoptada. O futuro do partido passa por conquistar eleitorado a partir de valores previamente fixados.

As sondagens mostram um crescimento do PSD, que continua à frente do PS, mas o CDS tem 2,2%: Os números são preocupantes sobretudo numa altura de mudança, o que significa muito trabalho para Assunção Cristas, mas também união em torno da nova liderança, em particular daqueles que viram as costas à primeira dificuldade. Cristas tem de ter pulso firme para aguentar os "vira-casacas" e não se deixar cair, porque, se assim for, será impossível recuperar o que foi conquistado. Caso contrário, Paulo Portas terá de voltar novamente como bombeiro para apagar o fogo da extinção. 

O homem que governou o país durante 20 anos depois de quatro maiorias absolutas

Na próxima quarta-feira o país despede-se de Aníbal Cavaco Silva. O ainda Presidente da República termina um ciclo com mais de 20 anos na política portuguesa, sendo que, dez foram como primeiro-ministro e mais uma dezena enquanto Chefe de Estado. No tempo com responsabilidades acrescidas conseguiu 4 maiorias absolutas, embora tenha perdido uma eleição para Jorge Sampaio. No entanto, o que fica são as vitórias políticas semelhantes ao que obteve Mário Soares. Cavaco Silva vai estar ao lado de Soares como os dois principais homens que marcaram a democracia portuguesa. 

Nos últimos tempos ficou bem dizer mal do Chefe de Estado porque os índices de popularidade não são dignos. Outro ponto que mereceu destaque entre os detractores foram os discursos que denotavam opções político-ideológicas. Ora, não conheço nenhum Presidente que não intervenha de acordo com as convicções políticas, pelos quais foi eleito. Só mesmo em Portugal tudo tem de ser diferente.....

Não me lembro de Jorge Sampaio ter apelado ao consenso quando estava na Presidência da República, mesmo com um governo maioritário em funções. Cavaco Silva tentou juntar os principais partidos na crise de 2013 e após os resultados eleitorais de Outubro do ano passado. Contudo, o mais importante era comentar os silêncios presidenciais. Espero que Marcelo Rebelo de Sousa não seja um Presidente fala-barato. 

A questão dos afectos que se fala também é uma falácia política. Ninguém elege um Presidente para ser o miss simpatia, como afirmaram os adversários de Marcelo na campanha, pelo que, as críticas de distanciamento por parte de Cavaco Silva não fazem sentido. O objectivo é escolher um actor político e não um apresentador de televisão. 

sábado, 5 de março de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump e Hillary Clinton - O candidato republicano e a democrata venceram a Super Terça-Feira e preparam-se para vencer as cinco primárias de hoje. Nesta semana só se falou da eleição geral entre os dois. A vantagem no número de delegados é enorme para acontecer qualquer reviravolta, sobretudo nos democratas onde Bernie Sanders não irá muito longe. As eleições norte-americanas podem se tornar num passeio alegre, o que será uma chatice para o resto do mundo que acompanha minuto a minuto. 

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O novo Presidente da República toma posse na próxima quarta-feira. Os homens que o vão assessorar são excelentes escolhas, particularmente porque são pessoas ligadas à sociedade. As máquinas partidárias ficaram de fora com o professor em Belém. No entanto, nos próximos dias estão marcadas várias homenagens. Marcelo poderia começar por conhecer a realidade do país.


Em Baixo

Mitt Romney - O antigo candidato presidencial em 2008 e 2012 criticou Donald Trump como forma de pressão junto do eleitorado republicano. O mesmo que não foi suficiente ou nem sequer votou no milionário para presidente dos Estados Unidos em duas ocasiões. Romney é o último que tem capacidade para evitar o voto de protesto em Trump. Por causa da influência de pessoas como Romney no aparelho do partido é que Trump tem ganho em quase todo o lado. As elites do partido ainda não perceberam que os tempos mudaram. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Todos contra Trump

As sucessivas vitórias de Trump desde o início das primárias causou alerta em vários sectores da sociedade norte-americana e não só política, em particular nos republicanos. Os actores George Clooney e Miley Cyrus vieram fazer declarações públicas contra o candidato, o que revela preocupação por parte do aparelho controlado por Paul Ryan e Mitch Mcdonnell. O "Speaker" do Congresso e o líder dos republicanos no Senado são aqueles que mais detestam o empresário. 

Nesta semana, Mitt Romney também declarou o seu apoio, não a favor de um dos candidatos, mas contra o milionário. O mesmo acontecendo com o Republican National Commitee. O problema para o partido é não ter ninguém com capacidade para lutar com Trump e não as ideias defendidas, já que, em Novembro Hillary Clinton pode acabar com o anti-Trumpismo que se verifica nos Estados Unidos. Assistimos a uma campanha organizada contra o primeiro classificado no número de delegados.

Não partilho da ideologia de Trump nem com algumas posições assumidas, que dificilmente serão realizáveis. No entanto, não se pode admitir o tipo de campanha que estão a fazer contra um candidato, não assumindo responsabilidades pelo falhanço na escolha de Ted Cruz e Marco Rubio. Ora, os que estão descontentes com o funcionamento interno do Partido Republicano decidiram lançar alguém com boas qualidades retóricas, capacidade financeira e mobilização para fazer face ao establishment. Uma jogada de génio que apanhou as elites desprevenidas. O dito establishment não tem ninguém para vencer Hillary Clinton, pelo que, alguém teve de avançar para acabar com a hegemonia democrata na Casa Branca. O que vai acabar por acontecer é o apoio do establishment ao empresário para recuperar o poder. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

Os perigos da falta de debate interno

Nos próximos quatro meses os principais partidos portugueses vão realizar congressos. Os conclaves surgem após as eleições legislativas de Outubro 2015 em que dois governos tomaram posse, mas só o segundo conseguiu passar o programa na Assembleia da República. 

As lideranças no PS e PSD não sofreram alterações, mas o CDS entra em campo com um novo líder, que será escolhido no próximo dia 12. Assunção Cristas foi a única que avançou com uma candidatura, sendo possível o aparecimento de uma lista alternativa. Caso não apareça outro concorrente, o debate no CDS será interessante porque deram entrada várias moções ligadas às correntes internas. No entanto, o partido corre o risco de partir para uma nova fase sem poder escolher o caminho em termos de liderança. Após 16 anos de portismo em que não houve correntes alternativas que tentassem conquistar o poder, este é o momento ideal para debater profundamente o futuro político, ideológico e social. Na minha opinião, o partido perde uma oportunidade enorme se não aparecer mais ninguém até dia 12 de Março. 

Os sociais-democratas realizam as directas no dia 9 de Março e o conclave será em Abril/Maio. Passos Coelho é o único que vai concorrer à liderança do partido, tendo como justificação ter vencido as legislativas pela segunda vez. Apesar da ameaça Rui Rio, não haverá oposição nas directas nem no Congresso. O conclave permite perceber se o novo PSD continua igual ou vai mudar para chegar à maioria absoluta nas próximas eleições. Contudo, Passos Coelho aproveita para reforçar o estatuto que alcançou no partido e no país. Outro aspecto importante é a pressão feita sobre o novo Presidente da República para marcar eleições antecipadas. O líder social-democrata irá pedir aos sociais-democratas que estejam em cima de Marcelo Rebelo de Sousa.

Os socialistas também realizam em Junho o Congresso. A oposição ao primeiro-ministro morreu no dia em que o PS conseguiu tomar posse como governo. Francisco Assis e os aliados não vão ao Congresso criticar a actuação do executivo nem do chefe do governo. Neste momento ninguém vai fazer barulho, pelo que, o conclave socialista será uma oportunidade para António Costa continuar a mostrar as habilidades políticas. 

Os congressos deveriam ser uma excelente manifestação de debate interno, já que, nenhum dos partidos obteve resultados positivos nas últimas legislativas e as presidenciais mostraram como o sistema está caduco. 

quarta-feira, 2 de março de 2016

Quem desiste a favor de Trump

Os resultados da Super Terça-Feira confirmaram as expectativas criadas pelas sondagens nos últimos dias. As vitórias de Trump e Clinton são um passo importante, embora não sejam decisivos. No entanto, nos democratas, Bernie Sanders vai continuar com o "momentum", mas só para conseguir um milagre, já que, tem um discurso encomendado. Não tem nada a ver com as ideias próprias de Trump. 

O grande interesse das próximas eleições vai ser o duelo Marco Rubio vs Ted Cruz. Os dois disputam praticamente o eleitorado conservador, como se tem visto nos resultados. Neste momento, o senador do Texas tem 4 vitórias contra 1 do senador da Florida. Rubio e Cruz têm estado lado a lado na corrida pelos segundos lugares, sendo que o último teve melhores performances na noite de ontem. Contudo, isso não se reflecte numa vantagem significativa no número de delegados. 

À medida que nos aproximamos do final e se Trump continuar a vencer um dos dois terá que desistir. Na minha opinião, quem ceder primeiro não vai apoiar o outro. Isto é, Cruz não apoia Rubio se desistir e vice-versa. Na minha opinião, qualquer um deles ajuda Trump a ficar mais forte, seja com o establishment de Rubio ou os conservadores republicanos de Cruz. A partir desse momento, o empresário norte-americano fica mais forte e as sondagens nacionais sobem, o que lhe permite vencer Hillary Clinton. Nessa altura acaba o preconceito que o establishment tem tido contra Trump e o discurso inflamado dos conservadores. A união faz a força para evitar o terceiro mandato consecutivo dos democratas na Casa Branca. 

O final do mês de Março será um bom indicador para perceber quem desiste, embora só em Abril haja uma decisão sobre o assunto. Os dois senadores também podem ir à Convenção e no final garantirem os delegados necessários para Donald Trump ser o eleito. 

terça-feira, 1 de março de 2016

A famosa Terça-Feira

As eleições em 13 Estados norte-americanos na famosa "Super Tuesday" vai definir muita coisa em relação ao futuro nos democratas e republicanos. 

Nos democratas, Clinton tem condições para acabar com a moral de Bernie Sanders. O senador do Vermont tem pouca margem para continuar o "momentum" se ficar longe em número de delegados e se não vencer no próximo Domingo. Os 18 Estados que vão a jogo hoje e Domingo serão decisivos para ele. Após a esmagadora vitória na Carolina do Sul e a provável no dia de hoje tornaram Clinton o centro das atenções, sendo que, os discursos não têm como alvo o rival directo, mas os republicanos, em particular Donald Trump. 

A corrida republicana também vai ter um importante desfecho quando todos os votos estiverem contados. Trump corre para a vitória, mas não sabe qual será o adversário. Ted Cruz desiludiu e só tem vantagem no Texas, embora não seja um Estado Winner-take-all, que lhe permita vencer todos os 155 delegados. O triunfo será relevante, mas senão tiver mais ganhos dificilmente poderá sorrir no final da noite. O senador da Florida, Marco Rubio, deverá surgir em segundo lugar após a Super Terça-Feira. Neste campo, o mês de Março vai ser importante para escolher o adversário de Trump no resto da corrida. O problema será perceber se o desistente irá apoiar o candidato que continuar ou endorsa Donald Trump. 

A emoção está garantida ate final da noite, mas também durante todas as primárias. 


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