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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O novo jogo político na Europa

Os resultados eleitorais na Áustria e em Itália revelam que a Europa continua dividida num jogo que tem tudo para correr mal.

Neste momento não se discutem ideias nem projectos, mas apenas os poderes de Bruxelas e as forças do mal que podem destruir a União Europeia. De referir que alguns partidos que cantam vitória sobre o status quo europeu também têm representação parlamentar europeia. 

A discussão relativamente ao eurocepticismo começou com a vitória do Brexit e estendeu-se aos restantes países que se encontram em processo eleitoral. A vitória de Trump nos Estados Unidos foi apenas um motivo para justificar mais receio junto do establishment europeu porque a realidade norte-americana e a europeia são bastante diferentes.

No espaço europeu existe um sentimento de revolta contra as medidas de Bruxelas, mas o surgimento de algumas forças ditas nacionalistas está mais relacionado com as políticas internas. Em muitos casos, os governantes locais têm falhado, como aconteceu em Itália. Não é possível associar a queda de Matteo Renzi ao Brexit ou à vitória de Trump nos Estados Unidos. O erro que muitos estão a cometer passa por associar instabilidade política no plano interno a factores europeus. 

A única justificação para a saída de Renzi é a mesma que levou David Cameron abandonar o barco após a vitória do Brexit. Nenhum deles pretendeu governar o país contra a vontade da população em aceitar as novas regras. Ou seja, Renzi e Cameron tinham de dar lugar a outro porque não fazia sentido conduzir um barco com destino diferente.

Nos últimos tempos criou-se um fantasma que supostamente ameaça os valores e ideais europeus. Em cada acto eleitoral parece que há um jogo entre os defensores do establishment e os eurocépticos para desviar as atenções dos verdadeiros problemas internos em cada país. 

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