sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte VIII

2.4 A possível adesão da Turquia à União Europeia

As relações entre a União Europeia e a Turquia nunca foram brilhantes, mas também não são conflituosas. Isto é, não existe nenhum padrão que garante uma aliança estável.
A adesão da Turquia na União Europeia é um desejo dos responsáveis turcos e dos dirigentes europeus. As pretensões nunca passaram de meras formalidades por causa da falta de condições políticas. O regime nunca cumpriu as exigências europeias e Ancara não aceita algumas intromissões políticas, sociais e económicas. O autoritarismo do actual executivo não permite retomar as conversações, já que, o modelo democrático pretendido pelo clube europeu não está nos horizontes de Recepp Tayyip Erdogan.

Apesar das condicionantes, a Turquia continua a ser a principal porta de entrada da União nos assuntos relacionados com o Médio-Oriente. Se a Turquia estiver do lado europeu, consegue transmitir os desejos da Europa de acabar com algumas ditaduras naquela região, transformando-as em verdadeiras democracias. Por esta razão, Ancara tem sempre a porta aberta da União Europeia, mesmo que seja apenas uma relação residual.

A adesão da Turquia tem mais desvantagens do que benefícios. O país não tem uma cultura europeia nem sequer se assemelha aos valores ocidentais. No plano político, a prioridade são as relações com os vizinhos e as potências asiáticas. O principal entrave é a falta de democracia. As instituições políticas não funcionam consoante os valores da União Europeia. Também é preciso ter em conta o plano social, já que, as portas de alguns países europeus iriam ser invadidas por milhões de turcos à procura de melhores condições de vida em igualdade de circunstâncias com os restantes cidadãos europeus. A falta de condições para receber imigrantes iria ser a principal queixa diária dos Estados-Membros. Em termos económicos não existe vantagens porque a Turquia nunca será uma potência.

A Turquia dificilmente vai ser um membro da União Europeia. O estatuto que pode vir a ter é o de um Estado amigo, sendo que, a relação muda consoante o líder que ocupar o poder em Ancara. Os restantes tipos de acordos também continuarão em vigor, mesmo havendo quebra de regras.  

Continua na segunda-feira com o tema "A forma como a União Europeia quer ficar ao lado da Ucrânia" 

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