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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte X

2.6 Os problemas causados pela saída do Reino Unido da União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia é o momento mais complicada do projecto europeu. As consequências não serão visíveis no curto prazo, estando previstas que surjam daqui a alguns anos.
O resultado do referendo prejudica mais a União Europeia que o Reino Unido, devido à importância que o país tem no desenvolvimento económico da Europa, embora não desempenhe um papel relevante a nível político. Ora, precisamente por esta razão, os britânicos decidiram abandonar o clube europeu, embora haja outras razões como a imigração e o comércio livre.

A União Europeia perdeu um Estado-Membro, mas pode compensar com novos alargamentos. No entanto, nenhum novo Estado-Membro tem a importância do Reino Unido. A saída dos britânicos acontece num momento em que o eurocepticismo está em crescimento em vários países da Europa, com a ascensão de partidos nacionalistas que pretendem mudar as actuais políticas europeias. Algumas forças afirmam ser anti-europeias, mas nenhuma delas tem como objectivo acabar com a União Europeia. O discurso é virado para a forma como as políticas de Bruxelas não funcionam e pela necessidade de existirem alterações. O Brexit provocou uma grande mudança ao nível das relações entre os Estados-Membros, já que, em termos económicos o Euro não perde nenhum membro porque os britânicos optaram por continuar na libra. No plano social também não se registam transformações importantes.

O Brexit será responsável por uma grande fissura política na União Europeia. A partir de agora, os Estados-Membros mais fortes como a Alemanha e França tentam reforçar o poder para impedir novos focos de instabilidade. Por seu lado, os países com menos força e voz dentro das instituições reclamam mais atenção sob pena de consultarem as populações tendo em vista a saída do clube europeu. Não sendo possível satisfazer as duas vontades, haverá conflitos de interesse e ameaças de bater com a porta., criando divisões internas que serão aproveitadas pelos Estados Unidos e a Rússia.

Como tem acontecido nos últimos anos, haverá sempre espaço para negociação, mas as reuniões nunca são conclusivas e não é com novos tratados que se resolvem os problemas. O momento actual é o mais delicado da história porque está em causa a coesão interna. Se a divisão prevalecer não voltará a ser possível continuar com o sonho concretizado nos anos 50 do século XX.


A opção tomada pelos britânicos reflecte a vontade de algumas populações europeias porque o caminho que está a ser trilhado não favorece a igualdade, as oportunidades e o desenvolvimento económico, que foi sempre a bandeira principal da construção europeia ao longo dos anos, sobretudo com a introdução da moeda única. 

Termina na sexta-feira com as conclusões

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