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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A ONU vai continuar a ser diplomática

A eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas é um momento importante para a história da política portuguesa, sendo que, o país também vai beneficiar em termos de relações internacionais, porque algumas nações irão tentar chegar a Guterres por via do governo e Presidente da República. 

As recentes visitas de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa são um reflexo da vitória de Guterres.

O novo homem-forte da ONU tem prioridades bem estabelecidas, embora sejam todas de difícil execução pela forma como o mundo está dividido devido aos interesses regionais. Os países já deixaram de actuar sozinhos nas relações bilaterais, passando a estar integrados em organizações políticas e económicas que falam em nome de todos, mesmo quando não há unanimidade. 

O cenário para Guterres não é o ideal, mas ter dado o passo nesta altura revela coragem e ambição de mudar, em particular dentro da própria organização. Na minha opinião, Guterres tem capacidade de trabalho, competência e um discurso que vai convencer as partes, bem como chamar a atenção do público em geral. Note-se que a presidência de Obama teve inúmeros erros, mas o poder da oratória tem bastante impacto na era da comunicação e da informação.

A primeira prioridade passa por resolver o conflito na Síria com o poder local, sem a interferência dos Estados Unidos, Rússia, Turquia ou dos restantes países árabes. Na minha opinião, se Guterres estiver com Bashar al-Assad sem o conhecimento destes intervenientes dará um grande sinal a todos os que actuam na região. 

Apesar da intervenção de Guterres ser mais exímia e esclarecida que Ban Ki-Moon, as Nações Unidas vão continuar a desempenhar um papel diplomático, embora mais vigilante. O novo secretário-Geral não será um líder autoritário com vocação para a chantagem. A inteligência de Guterres é o factor decisivo para conquistar os objectivos. 

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