segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Uma coabitação difícil de gerir por parte de Trump

As primeiras escolhas de Donald Trump para coordenarem a estratégia presidencial não parecem acertadas devido à dificuldade de meter no mesmo espaço duas visões distintas sobre o país e o Mundo.

O novo Presidente ofereceu o lugar de chefe do gabinete ao presidente do Comité Nacional Republicano para agradar ao establishment, mas sobretudo para conseguir fazer uma ligação positiva entre a Casa Branca e o Congresso. As duas instituições estiveram de costas voltadas nos últimos quatro anos, pelo que, é necessário mais coordenação e informação. Nesse aspecto, Trump esteve bem porque Reince Priebus é uma figura aceite pelos republicanos e sabe como orientar o chefe do Estado nas questões mais complicadas, já que, convém ter alguma ajuda no relacionamento com o mundo político.

O problema está na nomeação de Stephen Bannon como líder da estratégia. A opção visa adoptar soluções para o país sem a opinião do Congresso. O responsável da campanha de Trump é uma pessoa que tem posições semelhantes aos do Presidente, tendo realizado vários comentários que foram criticados durante a campanha, mas não só. Bannon vai insistir com o Presidente na implementação das medidas mais radicais proferidas durante o último ano, sendo que, algumas delas devem ter vindo da cabeça do novo estratega. 

Ora, os dois homens têm visões diferentes, mas irão ter praticamente a mesma função. Trump aceitou ceder à vontade do establishment e nomeou Priebus para chefe do gabinete, embora não abandonasse a ideia de ter Bannon perto de si para cumprir as promessas eleitorais. Tendo em conta que Bannon é um anti-sistema, como vai permitir a opinião de alguém que vai defender o establishment?

Não acredito que haja cooperação entre Bannon e Priebus por aquilo que escrevi no primeiro parágrafo. De certeza que os dois homens querem ter maio protagonismo sobre o outro. Se Trump adoptar soluções mais radicais é por causa de Bannon e se estiver mais moderado é graças a Priebus. O problema é que não se pode andar da esquerda para a direita e vice-versa durante quatro anos, pelo que, chegará a altura em que o Presidente vai dispensar um dos elementos. 

2 comentários:

João Menéres disse...

Lógica a sua análise.
Mas Trump é um negociador, embora radical.
Aguardemos...

Um abraço.

Francisco Castelo Branco disse...

Veremos de que forma negoceia

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