quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Theresa May entre a pressão interna e as mudanças na Europa

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia não vão ser fáceis porque dependem das condições internas e externas. A nova primeira-ministra britânica tem um longo caminho pela frente relativamente ao calendário, mas sobretudo à forma como se processa a saída.

No plano interno, os conservadores têm de ter em conta a oposição dos partidos que querem sair totalmente da União Europeia como o UKIP e dos que pretendem ficar mais perto possível, como acontece no seio do partido do governo e alguns trabalhistas. No entanto, se Owen Smith vencer a eleição para líder do Partido Trabalhista, May vai ser confrontada com a exigência de um novo referendo para também evitar que a Escócia realize uma consulta popular sobre a independência do país. As condições podem ser debatidas e votadas no parlamento, mas não está excluída a participação das pessoas. Os problemas começam a surgir antes da invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa.

As maiores complicações estão a nível externo porque algumas vontades podem chocar com as exigências internas. Ou seja, Theresa May tenta estar no meio para defender os interesses do Reino Unido, mas dificilmente deixará de optar por um dos lados. As eleições na Alemanha e em França vão condicionar o processo de saída do Reino Unido. Apesar da pressa anunciada por alguns dirigentes europeus e o líder francês, os actos eleitorais têm o efeito de travar o processo. Hollande e Merkel não querem perder votos para as forças anti-europeias que irão utilizar o Brexit como forma de espalhar a mensagem contra o diktat europeu. 

Tudo vai mudar se Marine Le Pen for eleita presidente francesa e Merkel tiver menos apoio parlamentar. Se os actuais líderes alemão e francês pretendem uma saída rápida, também necessitam que o Reino Unido fique mais próximo da União Europeia. Ora, isso contrasta com algumas posições internas. 

A nova chefe do governo britânico tem maioria absoluta no parlamento, mas deve seguir a recomendação dos partidos da oposição e dos conservadores eurocépticos para se afastar definitivamente da União. 

Sem comentários:

Share Button