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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O dia do Partido Trabalhista

Os trabalhistas escolhem amanhã o novo líder. Não se trata apenas de uma opção entre a continuidade e a mudança, ou a divisão e a união no partido. O que está em causa é a ideologia. Ou seja, se continua a ser um partido de esquerda na defesa dos valores sociais contra o conservadorismo do governo, ou fica mais perto do centro.  

Neste momento, o mais importante para o partido é definir um caminho ideológico e os valores que vai defender, independentemente da orientação do executivo ou se vai ganhar eleições, porque no Reino Unido a política não gira em torno dos actos eleitorais. O actual líder manteve posições que não mereceram o apoio de alguns deputados como a questão dos bombardeamentos à Síria, a renovação do programa nuclear. Nestes dois aspectos, Corbyn colou-se à opinião pública e deixou os membros do Parlamento mostrarem discordância. Aliás, a forma como o líder se opôs aos ataques na Síria pode também estar relacionado com o passado, em particular com a ligação de Blair à guerra do Iraque. 

No último ano, Corbyn manteve uma postura de trazer problemas pessoais de alguns indivíduos para os debates parlamentares. As questões que levantava também tinham a ver com situações concretas de alguns sectores como os jovens médicos e a educação. No dia após as eleições na Escócia, Cameron disse que o Labour estava a desapontar os seus eleitores. 

A imagem que Corbyn trouxe é de um líder e partido muito preocupado com os problemas individuais em vez de se concentrar nos assuntos colectivos dos britânicos. Não acredito que Owen Smith seja o melhor candidato porque a única proposta que tem é a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Se o candidato começar por aí, é um mau sinal. 

O partido sabe que com Corbyn continua o mesmo caminho ideológico, embora com várias oposições, enquanto Smith tem pouco sumo para dar. 

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