quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Brexit deu poder ao eixo Paris-Berlim

Desde a confirmação do Brexit a União Europeia já indicou vários caminhos e possibilidades, mas sem saber quais serão as consequências. O pedido de saída imediata foi a primeira reacção dos dirigentes europeus, talvez por estarem com a cabeça quente. Nessa altura o Reino Unido não tinha um novo primeiro-ministro, mas a Europa queria tudo feito à pressa sem alguém no comando da ilha britânica.

Após a eleição de Theresa May, o presidente francês solicitou rapidez na invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa. Ora, a nova chefe do governo voltou a referir que era necessário prudência, já que, no Reino Unido faltam limar arestas sobre a questão. 

Neste momento, a pressa deu lugar à calma. O antigo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que só depois das eleições alemães se vão iniciar as conversações. A Europa não pode continuar dependente dos estados de espírito e das agendas políticas da França e Alemanha. Na minha opinião, foi por esta razão que os britânicos quiseram sair da União Europeia. Não querem aturar mais os alemães e franceses. Não faz sentido fazer pressão para uma saída rápida e agora querem esperar até à conclusão das eleições legislativas na Alemanha e presidenciais em França. Ninguém sabe em que ficamos. 

As indecisões, as pressões e as palavras mal escolhidas revelam desorientação. O problema não tem a ver apenas com o Reino Unido, mas com a fragmentação. A França e a Alemanha têm medo de não conseguirem unir os restantes países em torno do ideal europeu, o mesmo é dizer, à volta do lobby Paris-Berlim no seio da comunidade europeia. 

O Brexit teve o condão de fechar mais o grupo restrito de países que decidem o futuro da União Europeia do que aumentar a democracia. 

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