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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

As democracias imperfeitas do Brasil e de Espanha

As situações políticas em Espanha e no Brasil mostram que a democracia nem sempre consegue ser perfeita, apesar dos instrumentos disponibilizados pelas respectivas constituições. 

O país vizinho prepara-se para o terceiro acto eleitoral num ano por causa da sede de poder do líder socialista. É impressionante como a vontade de apenas um homem consegue colocar o sistema em causa e provocar a confusão. O sistema constitucional espanhol não será o mesmo depois do que se passou neste ano. A atitude de Pedro Sánchez vai ser responsável por mudanças na constituição espanhola porque não se pode permitir a paralisação de um país devido à ambição de uma pessoa. Os partidos têm de continuar a ser protagonistas. A democracia deveria resolver o problema, mas em Espanha não existe qualquer mecanismo que proteja os vencedores e penalize os derrotados. Nem sequer uma segunda votação ao programa do governo consegue normalizar a situação política no país. 

O futuro vai confirmar que Sánchez continuará em segundo e Rajoy na primeira posição, sendo que, dificilmente haverá maioria de esquerda ou direita no parlamento espanhol. Como resolver o imbróglio?

No Brasil a destituição de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Michel Temer não foi bem aceite pelos brasileiros. Como se viu na cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos, Temer será sempre visto como um golpista, enquanto Dilma nunca terá apoio do Congresso e do Senado. Neste caso, a democracia encontra-se dividida porque os representantes suportam uma solução e os representados pretendem outra. O que se vai perceber nos próximos dias é uma mobilização contra o Chefe do Estado, mesmo que a antecessora não recolha total simpatia. No entanto, por causa de Dilma o povo revoltou-se contra Temer. 

A situação política no Brasil também será instável nos próximos anos, com possibilidade de haver um golpe de Estado por parte dos militares contra Temer, sendo que, o objectivo não será recolocar Dilma no poder, mas instaurar um novo regime no país. 

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