terça-feira, 16 de agosto de 2016

Um partido fechado à sociedade

Os partidos políticos atravessam uma crise de identidade por causa da falta de debate interno. As eleições no Partido Trabalhista britânico não estão acessíveis a todos os militantes, podendo ser decidida apenas por alguns sectores como os deputados, sindicatos e membros mais importantes. Uma decisão judicial excluiu 130 mil membros de participarem no acto eleitoral do próximo dia 15 de Setembro. 

Os candidatos à liderança apelaram a mudanças nas regras que escolhem os líderes do partido. Apesar da democracia britânica estar bastante próxima dos cidadãos, os partidos ainda são bastantes fechados, com regras apertadas para quem pretende concorrer à liderança do partido. O processo de candidatura na maioria dos partidos tem mais em conta a vontade dos deputados e não propriamente o jogo de bastidores dos militantes mais importantes. Normalmente existe conflito de interesses entre os dois sectores. Como se nota na campanha para a liderança do Partido Trabalhista, a grande maioria dos deputados não gosta de Corbyn, mas os membros mais importantes do partido tem uma opinião diferente. Confesso que em Portugal os partidos deram passos de abertura com a realização das eleições directas. 

Não acredito que a mesma mudança ocorra no Reino Unido. A forte ideologia partidária faz com que os partidos estejam organizados de outra forma. No entanto, a falta de democracia dentro dos partidos é compensada com mais participação em todo o tipo de eleições, como se verificou no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

A tentativa de permitir a participação de mais militantes nas eleições para a escolha do novo líder é uma proposta interessante de Corbyn, embora não deva ser aplicada mesmo vencendo o acto eleitoral. 

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