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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Um novo referendo não resolve os problemas do Labour

A corrida à liderança no Partido Trabalhista não está a ser esclarecedora porque os candidatos colocam em cima da mesa alguns assuntos com pouca importância. Neste momento, o tema do dia é a possibilidade de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

Não faz sentido colocar novamente o assunto na ordem do dia porque os britânicos decidiram a favor do Brexit, apesar do equilíbrio. No entanto, Cameron não fez qualquer exigência para considerar o escrutínio vinculativo, porque se tivesse feito ainda estaria no poder, embora o Labour mantivesse o processo eleitoral. 

O candidato trabalhista Owen Smith defende um novo referendo para agradar às elites do partido, em particular os deputados. O problema é que o Partido Trabalhista também se mostrou dividido durante a campanha eleitoral. Não faz sentido trazer o tema para discussão pública, já que, os britânicos escolheram e a demissão de Cameron significa que o país necessita de ter uma orientação tendo em vista a saída da União Europeia. 

A estratégia de Smith passa por convencer os que não gostaram do pouco empenho de Corbyn na defesa da manutenção. O actual líder também é um eurocéptico, pelo que, era expectável não se preocupar com o Brexit. Smith tem tudo para conquistar o voto dos críticos de Corbyn após a campanha. Aliás, a marcação de eleições antecipadas pretende aproveitar a onda negativa relativamente ao actual líder, por causa das várias derrotas e não devido ao Brexit. Contudo, Smith começa mal por falar de um assunto que está encerrado. 

A campanha para a liderança do Partido Trabalhista não deve ser feita à custa dos temas fracturantes como aconteceu com o referendo. A melhor maneira de derrotar os conservadores será ter uma agenda de esquerda.

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