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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A falta de dinheiro já não serve de desculpa para os maus resultados

A fraca prestação dos atletas olímpicos portugueses tem de ser analisada sob dois pontos de vista. O primeiro diz respeito ao comportamento de alguns atletas durante a competição e o outro com a denominada falta de apoios.

Nem todos os atletas vão para os Jogos com vontade de triunfar. Ninguém obriga a lutar por medalhas, mas tem de haver empenho. Portugal chegou aos Jogos Olímpicos com campeões da Europa no Taekwondo, Canoagem K1 1000 metros, triplo salto feminino, lançamento do peso masculino e na maratona feminina. Apenas Fernando Pimenta mostrou vontade em defender o estatuto com que chegou ao Rio de Janeiro. Os outros, em particular Jessica Augusto e Tsanko Arnaudov envergonharam o país com a desistência na maratona e com a vontade de se divertir nos jogos em vez de querer ganhar. Na pista estiveram mal, mas não perderam oportunidade para aparecerem na comunicação social como derrotados. O mesmo se passa com o golfista Ricardo Melo Gouveia, que, com o honroso último lugar na prova de golfe, também não se coibiu de dar entrevistas.

A falta de ambição de alguns atletas é confrangedor. Não serve de desculpa dizer que se está a competir com os melhores do Mundo porque todos têm as mesmas condições. Se o país continua a pagar bolsas a atletas que não se esforçam temos direito de criticar. 

Outro aspecto que vem à baila de quatro em quatro anos é a falta de condições desportivas ou financeiras para conseguirmos chegar às medalhas. O atleta Rui Bragança utilizou os jornais para reclamar mais apoios. É preciso recordar que nos outros países também há atletas que financiam a presença nos Jogos. Bragança preferiu fazer queixinhas em vez de assumir responsabilidades após o vergonhoso 9º lugar para um campeão da Europa. Rui é mais um que quer mamar à conta do Estado, optando por procurar apoios através da comunicação social. No fundo, é mais um pseudo-campeão que fica à espera do dinheiro porque senão deixa de representar o país. Mais um comportamento típico do tradicional atleta português.

Nem tudo foi mau no Rio de Janeiro. Houve portugueses que merecem destaque pela positiva como o ciclista Nelson Oliveira, Patrícia Mamona, os canoístas, Luciana Diniz, o triatleta João Pereira e a medalhada Telma Monteiro. Nos próximos quatro anos tem de haver evolução desportiva destes atletas para pensarmos em melhores resultados em Tóquio 2020. O ciclista e a cavaleira competem fora do país, mas os outros precisam de ser apoiados nos clubes e pelas federações. 

Os Jogos do Rio mostraram que tem de haver mudanças na mentalidade dos atletas, na organização desportiva e na forma como se encara a competição. O objectivo tem de ser global. Se cada federação pensar apenas no próprio umbigo é normal que surjam sempre casos como os descritos no texto. Parece que cada atleta tem objectivos individuais não havendo metas estabelecidas pelas federações e pelo Comité Olímpico de Portugal. Também era necessário adoptar uma política de comunicação para não criar embaraços aos participantes. A conquista de medalhas também passa por aqui. 

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