terça-feira, 30 de agosto de 2016

A caminho de novas eleições

O início do debate sobre o programa do governo em Espanha fica marcada pela irredutibilidade do PSOE em votar contra na próxima sexta-feira. Rajoy venceu as eleições legislativas duas vezes, mas os socialistas pretendem governar o país, mesmo não tendo o apoio do Podemos, como se viu na primeira metade do ano. 

O assalto ao poder de Sánchez só se justifica pelo medo de perder o lugar de secretário-geral. É uma curiosidade os socialistas não terem pedido eleições antecipadas após os sucessivos falhanços do líder. Sánchez não venceu as eleições do final do ano passado, não conseguiu maioria parlamentar para governar e voltou a perder as legislativas de Junho. O próximo passo será derrubar o executivo de Rajoy para falhar novamente a criação de uma maioria porque o Podemos não irá suportar os socialistas. É incrível que na noite das últimas eleições, Sánchez tenha justificado a derrota do PSOE com as intransigências de Pablo Iglesias para passar o governo socialista. 

O momento político em Espanha é terrível. Os problemas nacionalistas são um problema crónico e agora junta-se uma crise política no governo central que não tem fim à vista. Dificilmente algum partido ganha maioria absoluta. Nem sequer a esquerda e a direita conseguem votos suficientes para governar. Se há um sistema em que podemos dizer que faz sentido falar em fragmentação política é o espanhol.

Na minha opinião, a incerteza só muda se os actuais actores políticos saírem, em particular Rajoy e Sánchez. Os resultados das duas últimas eleições mostram que os espanhóis não querem o socialista como primeiro-ministro, mas Rajoy também não recolhe simpatia, tendo um partido que continua a ser o mais popular em Espanha. Se as lideranças do Ciudadanos e Podemos mudassem, os partidos tradicionais tinham mais votos, mas Alberto Rivera e Pablo Iglésias são os novos entes queridos da política espanhola. 

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