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quarta-feira, 13 de julho de 2016

O adeus de um grande líder político

Ao fim de seis anos no poder, David Cameron abandona a liderança do Partido Conservador e do país. Nos últimos dois anos acompanhei a liderança de Cameron enquanto jornalista e apercebi-me da qualidade do ex-primeiro-ministro. 

As qualidades políticas e pessoais são muito importantes num líder, embora as primeiras sejam fundamentais para o desenvolvimento de um país. No entanto, com o escrutínio dos meios de comunicação social as características pessoais começaram a ser importantes. 

O trabalho desenvolvido por Cameron foi fantástico, sobretudo a nível económico. A grande façanha foi o abandono do velho conservadorismo que marcou as lideranças de Thachter e John Major. Em muitas áreas, os governos tiveram preocupações sociais, mas também por culpa das pressões dos trabalhistas. 

No plano político, Cameron dizimou os rivais ao ter ganho todas as eleições. A vitória sem maioria absoluta em 2010 permitiu aos Liberais-Democratas chegarem ao poder. O anterior executivo conseguiu cumprir o mandato. Pelo meio venceu o referendo sobre a independência da Escócia. A grande vitória foi nas eleições legislativas do ano passado com a conquista da maioria absoluta. Um enorme triunfo que acabou com as lideranças dos trabalhistas e liberais-democratas. Por causa da qualidade de Cameron, o Partido Trabalhista ainda se encontra bastante debilitado, estando perto de ter novas eleições um ano após a substituição de Ed Miliband. Os líderes da oposição são fracos, mas em grande parte devido à competência de David Cameron. 

Neste ano ainda conseguiu que os conservadores fossem a segunda força política na Escócia, embora não tenha reconquistado a Câmara de Londres. 

A principal e única derrota política não deixou outra hipótese a Cameron senão apresentar a demissão. O primeiro-ministro esteve bastante empenhado na manutenção do Reino Unido na União Europeia, mas os britânicos deram uma resposta diferente. Não havia condições para o chefe do governo conduzir as negociações para a saída. Mesmo sendo eurocéptico, Cameron cumpriu a promessa de realizar o referendo e colocou os interesses do país à frente das convicções políticas. Como disse na despedida, o Reino Unido deve estar o mais próximo possível da União Europeia. 

O Reino Unido fica sem mais um grande líder político, mas a verdade é que Cameron cumpriu o trabalho, não tendo mais nada melhorar a nível interno, pelo que, era tempo de dar lugar a outro. 

David Cameron será lembrado como o homem que deu força económica ao país, obteve grandes vitórias políticas internas, mas também permitiu aos britânicos optarem pela saída da União Europeia. 

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