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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Brincar ao jornalismo

A recente propaganda que o Correio da Manhã fez ao microfone atirado por Cristiano Ronaldo a um lago antes do Portugal-Hungria é uma forma de brincar com a profissão. Ora, não cabe na cabeça de ninguém promover um passatempo, mesmo solidário, para ficar com um microfone. 

Numa altura em que o jornalismo passa por uma crise não se percebe as manobras de diversão promovidas por alguns órgãos de comunicação social. Num país em que vale tudo, também é possível contratar profissionais para brincarem. As entidades reguladoras andam a dormir, mas deviam ter atenção sobre esta situação. 

Nos dias que correm tudo vale, mesmo desrespeitar regras deontológicas e da sociedade. 

As audiências são importantes, mas deve haver critério e rigor em defesa dos valores do jornalismo e não arranjar qualquer coisa para divertir os profissionais e os telespectadores. 

O excitamento em torno da participação de Portugal no Euro 2016 deu a possibilidade aos adeptos transformarem-se em comentadores. O que interessa é saber a opinião dos adeptos e não daqueles que sabem, porque o que dá audiências é a festa do povo. Alguns profissionais também violam a postura em nome da pátria futebolística. 

A situação do microfone e os festejos populares do Euro 2016 em que só interessa saber a voz do povo mostram a mediocridade do jornalismo em Portugal e que nada é levado a sério. 

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