segunda-feira, 13 de junho de 2016

Histeria nacional

A euforia popular em torno da selecção é normal, em particular pelos emigrantes que se encontram fora do país e agarram-se a qualquer coisa para transmitir um sentimento de ligação ao país. O grande problema nestas alturas são as expectativas que se criam. O peso que se coloca em cima de uma equipa ou entidade como se resolvesse todos os problemas de um povo é exagerado. Quem alimenta isso é uma comunicação social que prefere apostar numa cobertura de um evento desportivo em vez de se preocupar com as grandes questões internacionais, como é o caso do referendo britânico que se realiza no próximo dia 23. 

Não se pode apontar o dedo ao fanatismo desportivo, mas a quem utiliza isso para ganhar audiências. Não se percebe como o Brexit tem sido apagado dos meios de comunicação social portugueses em detrimento daquilo que Cristiano Ronaldo vai comer ao almoço e jantar. Por causa disto nos últimos meses se tem assistido à queda de várias publicações nacionais. A culpa não é só da tecnologia. 

O mais grave é o envolvimento da política nesta histeria futebolística. Os recentes apoios de Costa e Marcelo não são apenas institucionais. Os dois gostam de futebol e despiram o fato de Chefe de Estado e do governo para vestir a camisola da selecção nacional. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro também alinharam na histeria colectiva, mas como têm mais poderes que o comum dos portugueses podem ter acesso aos bastidores. Em apenas dois dias, os nossos Dupond e Dupont sentiram vontade de estar perto da equipa das quinas, algo que nunca o fizeram quando eram cidadãos comuns. O apoio institucional ou fanático não terá a mesma expressão quando estiver em causa uma equipa nacional de outra modalidade. 

Sem comentários:

Share Button