quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dia de Brexit ou Remain

Os britânicos votam pela manutenção ou saída do Reino Unido da União Europeia no segundo referendo realizado sobre questões europeias, após o primeiro em 1975. 

A consulta popular é mais importante para a União Europeia do que propriamente para o Reino Unido porque se a saída vencer, as únicas alterações têm a ver com a economia. No entanto, neste momento existe uma vantagem por se estar fora da zona euro. 

O que está em jogo são assuntos relacionados com a imigração e as relações políticas com a Europa, embora o primeiro-ministro não esteja preocupado em ter mais poder no seio das instituições comunitárias. A grande batalha de David Cameron é a imigração porque se trata do principal argumento do Brexit. No referendo nem sequer está em discussão a soberania nacional face a Bruxelas. Os que apoiam a saída também estão mais preocupados com a quantidade de imigrantes que escolhe o Reino Unido para ter uma boa vida. 

O resultado não vai mudar o sentimento eurocéptico no país porque os britânicos querem estar com apenas um pé na União Europeia. No fundo, o referendo é um grande teste para a União Europeia devido às questões de coesão. O efeito dominó noutros países eurocépticos e o aumento da influência de forças nacionalistas são as principais ameaças às instituições que pretendem ter espaço dentro da União Europeia. Também haverá tendência de se criarem alianças regionais, dificultando os consensos em matérias essenciais. Na prático isso acontece, mas sem haver uma posição assumida. A Europa vai-se tornar num continente onde cada um defende os interesses particulares, o que dificulta o caminho para o federalismo. 

A decisão está nas mãos dos britânicos, mas serão os europeus a sofrer com a escolha. 

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