quarta-feira, 29 de junho de 2016

De costas voltadas

O Brexit vincou a má disposição europeia. As reacções à vitória da saída do Reino Unido da União Europeia foram piores por parte dos dirigentes europeus do que na ilha britânica, onde a demissão do primeiro-ministro calou a instabilidade que se podia criar.

O problema não são as más disposições de Juncker, Martin Schulz ou outras personalidades, nem as farpas dentro do Parlamento Europeu. A resposta da Alemanha e França será decisiva para o avanço do processo. Não acredito que Cameron consiga mais uma vitória em adiar o problema até à escolha do novo primeiro-ministro, já que, após a nomeação do novo líder conservador, haverá pressões internas para se realizarem eleições antecipadas. Ora, a Europa não quer esperar um ano porque isso representa uma derrota para a União Europeia e a possibilidade de haverem novos pedidos de referendo em vários países. 

A posição da Alemanha será fundamental para o futuro das relações entre o Reino Unido e a União Europeia. Angela Merkel até poderá tentar convencer o novo primeiro-ministro de não respeitar a vontade da população em defesa dos superiores interesses europeus que a chanceler alemã sempre colocou em primeiro lugar. Iremos ter uma postura de ressabiamento dentro das instituições europeias e de ponderação por parte dos grandes países europeus. A tranquilidade alemã deve prevalecer sobre a histeria europeia que pode ficar sem microfone. 

O que se nota é uma grande vontade de culpar David Cameron e o actual executivo, sendo possível existirem mais retaliações políticos. Neste momento, o Reino Unido e o chefe do governo são o alvo a abater, enquanto na ilha começa a sentir-se uma viragem para o Atlântico.

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