quarta-feira, 22 de junho de 2016

A sobrevivência do Labour e dos conservadores

A coesão no Reino Unido não é o único aspecto que está em causa no referendo. Os principais partidos políticos mostraram divisões que terão reflexos no futuro, nas lideranças, mas também nos vários grupos dentro das forças. 

Neste momento, os conservadores correm maior risco porque estão no governo e a situação de David Cameron será complicada, mesmo se o Remain vencer. Não será por causa de uma derrota, que os defensores do Brexit deixarão de ser eurocépticos ou que as questões europeias sejam afastadas. Por exemplo, se o próximo líder conservador for um eurocéptico como Boris Jonhson haverá mais discussões. 

Após o referendo, os conservadores terão dificuldade em se manter unidos, apesar de estarem no poder. Os vários movimentos eurocépticos dificilmente serão calados pelos resultados ou convencidos pela retórica do primeiro-ministro. Não é de excluir a saída de vários membros do partido para se organizarem numa força política eurocéptica, como acontece na Catalunha com os movimentos nacionalistas. O novo movimento também pode albergar trabalhistas que tenham as mesmas visões e não querem aderir ao UKIP. O partido de Nigel Farage tem a característica anti-europeia, mas internamente não consegue resolver os problemas dos britânicos.

A campanha também abriu fissuras no Labour, apesar de ser o partido com mais vocação europeia no Reino Unido. No entanto, o descontentamento relativamente à Europa pode dificultar a liderança de Jeremy Corbyn. A questão europeia é mais um motivo para discordar com o caminho trilhado nos últimos anos após as lideranças de Ed Miliband e Corbyn. 

As clivagens sobre a União Europeia são um bom motivo para o início de um novo ciclo no sistema político e partidário no Reino Unido, já que, haverá novas forças, não só em Inglaterra, mas também na Escócia e País de Gales.  

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