quinta-feira, 16 de junho de 2016

A rebelião conservadora

As consequências do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia prometem ser devastadoras para o Partido Conservador. A posição de David Cameron pode ficar fragilizada durante o resto do mandato, mas o problema vai ficar para o próximo líder partidário. Se o Brexit vencer, Cameron irá passar os últimos anos a tentar negociar a melhor saída possível para o Reino Unido, sendo que, a tarefa deverá ser concluída pelo sucessor, seja trabalhista ou conservador.

O presente não augura nada de bom, mesmo com a vitória da saída por causa das exigências dos eurocépticos. O Partido Conservador pode ficar dividido a meio com movimentos pró e contra a Europa. Apesar do Labour também estar nos dois campos, o eurocepticismo não coloca em causa a unidade no partido. 

Nos conservadores existem facções que podem impedir a nomeação de um líder pró-Europa. Se isso acontecer o partido fica virado apenas para os problemas internos e não tem uma visão do mundo. Os que defendem o Brexit estão apenas preocupados com o que se passa no Reino Unido e não querem o país envolvido na resolução dos problemas da Europa e do Mundo. 

Nos próximos meses teremos os pró-europeus contra os eurocépticos, independentemente do resultado porque David Cameron ainda tem de cumprir o resto do mandato, apesar de vir a sair antes de 2020. Os defensores da Europa, como o primeiro-ministro e George Osborne vão colocar dificuldades económicas e sociais ao grupo dos eurocépticos, enquanto os últimos pedem mudanças nos vários temas que estiveram em cima da mesa durante a campanha. 

As próximas eleições para a liderança do partido serão condicionadas pelo resultado de dia 23, já que, os eurocépticos tendem a ganhar importância na máquina, o que favorece a candidatura de Boris Johnson. O antigo autarca de Londres pode vir a ser o novo Trump do Reino Unido. 

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