Etiquetas

terça-feira, 21 de junho de 2016

A inércia dos dirigentes europeus

O referendo britânico é um grande desafio à coesão europeia. Numa altura em que se caminha para o federalismo, há quem queira saltar do clube europeu por causa das exageradas regras comunitárias. A partir de um momento em que um quer sair, o vizinho também tem a mesma vontade. Ou seja, dificilmente se conseguirá manter uma união como aquela que foi construída após a segunda guerra mundial. 

É verdade que existe uma grande dose de eurocepticismo no Reino Unido, em particular nos conservadores que governam o país. No entanto, o maior teste será para a União Europeia que pode perder vários Estados-Membros e nunca mais recuperar. Os nacionalismos que emergem na Europa têm força para criar blocos regionais que originam uma nova ordem europeia. 

Neste momento, não existe nenhum plano B no Reino Unido e na União Europeia. O governo britânico não sabe como lidar com uma situação. Isso é um problema interno do país que não vai afectar o resto da Europa porque cada um tem questões diferentes. O maior perigo é saber que as autoridades europeias não estão preparadas para o Brexit porque não há antecedentes. Isso não serve de desculpa para uma organização com mais de 40 anos e com a actual força política e económica. 

Não se admite que os dirigentes europeus estejam sem dizer nada a poucos dias do referendo. Não bastam as declarações a favor do Remain. Teriam de dizer o que pode acontecer em termos económicos e politicos, mas como o medo é enorme ninguém fala. Ora, se os principais dirigentes não falam, quem pode estar tranquilo perante a maior ameaça à coesão europeia desde o início do projecto europeu. Existe uma falta de capacidade das lideranças europeias em explicar o que se vai passar aos respectivos cidadãos. 

Sem comentários:

Share Button