quarta-feira, 25 de maio de 2016

Referendo histórico

O Reino Unido prepara-se para um referendo histórico no dia 23 de Junho. O dito "Brexit" vai mudar o país no plano interno e externo. Nada será com dantes, sobretudo ao nível das relações com os restantes países europeus. Após a consulta no Reino Unido haverá outros países que irão tomar a mesma decisão de colocar sob escrutínio a manutenção na União Europeia, até chegar o dia em que o clube europeu irá perder um membro. Não será isso que vai desequilibrar a união, mas o problema tem a ver com a reacção.

O Reino Unido, através da habilidade política de David Cameron, conseguiu excelentes condições para o país, em termos de soberania. No plano económico, os ingleses continuam fora do Euro e sem terem que ajudar outros que estejam em situação de bancarrota. Em troca disso, o Reino Unido continua a participar nas grandes questões europeias. 

O eurocepticismo britânico nunca vai acabar como acontece noutros países do norte da Europa. No entanto, o desenvolvimento do país é bem diferente do resto do continente, tirando algumas potências como a Alemanha. O problema dos britânicos tem a ver com a falta de poder devido à influência da Alemanha, embora a maior parte dos políticos, Cameron incluído, trabalha mais para a população do que a pensar no bem comum em termos europeus. O que distinguiu os líderes britânicos dos restantes foi terem colocado em primeiro lugar o Reino Unido e não a Europa. Por exemplo, os alemães e franceses têm mais sentido colectivo. 

Nos próximos dias vamos assistir a um confronto entre os que defendem a manutenção da soberania inglesa contra os que pretendem mais poder para o Reino Unido mesmo integrado na União Europeia. Ou seja, o que está em discussão não é exigir mais influência nas instituições europeias ou integrar a dupla França-Alemanha. O que estará em cima da mesa, dos dois lados, são a protecção dos interesses britânicos dentro ou fora da União Europeia. Por estas razões, a campanha será interessante porque as questões europeias não vão ser o foco principal dos apoiantes do Brexit e do Bremain, o que demonstra o nível de eurocepticismo que perdura em Terras de Sua Majestade.  

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