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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Papéis do desperdício

A investigação denominada Papéis do Panamá resultaram num rotundo fracasso porque não teve nenhum interesse mediático, apesar do bom trabalho jornalístico em Portugal e não só. A bomba só estoirou no primeiro dia, sendo que, a pólvora secou à medida que os dias passaram, embora fossem divulgados muitos nomes. 

A questão que se coloca com a divulgação dos números encerra apenas problemas morais e não legais. Obama disse que as práticas não eram proibidas. No entanto, os jornalistas quiseram interpretar um papel de moralistas e apontar o dedo aos prevaricadores, como se agora mais ninguém metesse dinheiro em offshores para pagar menos impostos. É verdade que alguns políticos foram apanhados pela teia da investigação, mas o barulho e as consequências só atingiram o primeiro-ministro da Islândia. Na minha opinião é muito pouco tendo em conta o alarido que se fez nos primeiros dias. 

A partir do momento em que os jornalistas querem travar uma luta do bem contra o mal acabam por perder porque as regras não são definidas por eles. Em Portugal ainda existe um sentimento de repor a ordem por parte da comunicação social. O problema é que os "outros", nomeadamente os políticos não querem algumas regras. 

O que importa realçar neste caso foi a derrota do jornalismo de investigação perante o poder económico e político. O objectivo principal não se conseguiu alcançar devido ao desinteresse do público, mas também por não estarem em causa práticas ilícitas. Ou seja, o trabalho realizado foi por água abaixo e os que meteram dinheiro no Panamá vão continuar a utilizar offshores para fugir aos impostos. Nem sequer o poder político criou regras apertadas para os utilizadores das práticas. 


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