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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Uber

Os taxistas são afamados por patentearem um conjunto de más características. Entre elas destacam-se serem mal criados, terem os veículos em mau estado e tentarem enganar os clientes. Infelizmente, muitos deles fazem juz à má fama de que gozam.

A Uber quer ser distinguida precisamente pelos seus motoristas serem bem educados, os veículos estarem em bom estado de conservação e não haver a possibilidade de enganos, pois o cliente sabe antecipadamente quanto vai pagar. Os seus principais argumentos comerciais são a comodidade e a poupança.

As manifestações que os taxistas têm feito contra a Uber, por todo o mundo, até que podem ser entendidas como uma reacção corporativa de um sector que vê a sua forma tradicional de laborar a ser posta em xeque por uma nova tecnologia. O que numa primeira leitura pode parecer isso mesmo, e concedendo que também o é, em parte, é importante assinalar que existe um serviço, exactamente igual à Uber, que contrata só taxistas, o Mytaxi (https://pt.mytaxi.com/index.html) e contra o qual os taxistas não se manifestam.

Para impedir a operação da Uber em Portugal foi-lhe movida uma acção judicial que teve provimento, ou seja, existe uma decisão de um tribunal que proibe a acção da operadora virtual. Apesar disso ela continua a trabalhar, agora ilegalmente, desafiando o estado de direito.

O que está aqui em causa, que numa primeira interpretação pode parecer uma disputa entre o novo e o velho, é de facto mais um desafio à autoridade do Estado, pois este não consegue fazer que as decisões dos seus tribunais sejam acatadas. O Estado tem de fazer cumprir a Lei. Como não o faz, não exerce o seu papel e sai enfraquecido.

Texto de João Vale Sousa

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