O impasse político em Espanha prova que as forças de esquerda nem sempre estão de acordo, sobretudo quando dois partidos diferentes pretendem coligar-se. O PSOE e o Podemos jamais conseguirão estar no mesmo executivo, sendo mais fácil, a coabitação entre socialistas e Ciudadanos.
As comparações com o que sucedeu em Portugal e Espanha nas eleições legislativas realizadas no dois países saíram goradas porque resultou num lugar, mas noutro não. O Podemos é bem mais radical do que o Bloco de Esquerda, sendo que, o Partido Comunista praticamente expressão no país vizinho e em Portugal não há partidos regionais. Por esta razão, não é difícil ao Partido Socialista fazer acordos com os dois partidos. No entanto, a viragem que António Costa quis dar por razões de sobrevivência política prejudica apenas os socialistas. Em Espanha, o PSOE quis manter a ideologia, bem como a marca europeísta e não querendo radicalizar-se.
No país vizinho o Podemos pretende alterações profundas na política espanhola, mas o PSOE não está virado para esse cenário. Neste momento, PP e Ciudadanos ficam à espera de novo acto eleitoral para recolherem os frutos da obsessão de Pedro Sanchez e Pablo Iglésias. Como aconteceu em Portugal, os dois preferiram ir para o poder antes de cumprirem o papel que lhes estava destinado na oposição.

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