quinta-feira, 21 de abril de 2016

Desproporcional

Não gosto de Dilma Rousseff. Nunca gostei. Sempre a considerei uma criação de Lula da Silva, apresentada ao eleitorado para que ele continuasse a mandar. Sempre a vi como uma incompetente, uma incapaz, para o cargo de presidente de um país-continente como o Brasil.

O que estamos a assistir no país irmão é, entre muitas outras causas, o resultado do sistema político só permitir substítuir a presidente através de um julgamento por crimes cometidos no decurso do seu mandato. Não existe a possibilidade de, como nos sistemas parlamentares, destituir a presidente recorrendo a uma moção de censura.


O principal crime de que a presidente brasileira é acusada é de promover pedaladas fiscais. Adaptando para a nossa realidade é o que todos os governos têm vindo a fazer quando antecipam receitas e transferem despesas para o ano civil seguinte. Mesmo que isto à luz da Lei brasileira seja crime, parece-nos que não tem a gravidade suficiente para a sanção que querem aplicar. É como se alguém fosse condenado a uma pena pesada por ter furtado um chocolate. E, enquanto isto, o Brasil definha.

Texto de João Vale Sousa

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