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quinta-feira, 3 de março de 2016

Os perigos da falta de debate interno

Nos próximos quatro meses os principais partidos portugueses vão realizar congressos. Os conclaves surgem após as eleições legislativas de Outubro 2015 em que dois governos tomaram posse, mas só o segundo conseguiu passar o programa na Assembleia da República. 

As lideranças no PS e PSD não sofreram alterações, mas o CDS entra em campo com um novo líder, que será escolhido no próximo dia 12. Assunção Cristas foi a única que avançou com uma candidatura, sendo possível o aparecimento de uma lista alternativa. Caso não apareça outro concorrente, o debate no CDS será interessante porque deram entrada várias moções ligadas às correntes internas. No entanto, o partido corre o risco de partir para uma nova fase sem poder escolher o caminho em termos de liderança. Após 16 anos de portismo em que não houve correntes alternativas que tentassem conquistar o poder, este é o momento ideal para debater profundamente o futuro político, ideológico e social. Na minha opinião, o partido perde uma oportunidade enorme se não aparecer mais ninguém até dia 12 de Março. 

Os sociais-democratas realizam as directas no dia 9 de Março e o conclave será em Abril/Maio. Passos Coelho é o único que vai concorrer à liderança do partido, tendo como justificação ter vencido as legislativas pela segunda vez. Apesar da ameaça Rui Rio, não haverá oposição nas directas nem no Congresso. O conclave permite perceber se o novo PSD continua igual ou vai mudar para chegar à maioria absoluta nas próximas eleições. Contudo, Passos Coelho aproveita para reforçar o estatuto que alcançou no partido e no país. Outro aspecto importante é a pressão feita sobre o novo Presidente da República para marcar eleições antecipadas. O líder social-democrata irá pedir aos sociais-democratas que estejam em cima de Marcelo Rebelo de Sousa.

Os socialistas também realizam em Junho o Congresso. A oposição ao primeiro-ministro morreu no dia em que o PS conseguiu tomar posse como governo. Francisco Assis e os aliados não vão ao Congresso criticar a actuação do executivo nem do chefe do governo. Neste momento ninguém vai fazer barulho, pelo que, o conclave socialista será uma oportunidade para António Costa continuar a mostrar as habilidades políticas. 

Os congressos deveriam ser uma excelente manifestação de debate interno, já que, nenhum dos partidos obteve resultados positivos nas últimas legislativas e as presidenciais mostraram como o sistema está caduco. 

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