quinta-feira, 17 de março de 2016

E se?

Após os resultados de ontem da Big Tuesday o facto mais marcante foi a desistência de Marco Rubio, senador pela Flórida, que nesse estado apenas conseguiu ganhar no distrito eleitoral onde reside. A primeira consequência disto é que o sistema do Partido Republicano ficou sem um candidato  para apoiar. Rubio era a última esperança dos moderados republicanos, apesar de ter obtido a sua eleição para o Senado com o apoio do Tea Party. Restam, assim, como principais candidatos à nomeação dois concorrentes que se situam nas franjas ideologicamente mais extremistas do GOP. Outro resultado a destacar de ontem foi o aumentar da vantagem de Donald Trump em relação ao segundo classificado e, ao que tudo indica a manterem-se estes resultados, a aproximar-se do número de delegados que permitir-lhe-á garantir a nomeação. Sabendo-se que o multimilionário tem posições políticas muito para lá do extremismo e que as eleições nacionais se ganham ao centro — enquanto que as nomeações dentro dos partidos se ganham com um posicionamento mais próximo dos extremos —, e que é abominado pelo aparelho republicano, que fala em lançar um nome contra a sua candiatura oficial, uma maneira que ele terá de aumentar as suas possibilidades será convidar para o lugar de seu Vice Presidente alguém como Marco Rubio ou Jeb Bush, que chegou a ser o preferido pelo Partido Republicano, ou, Mitt Romney, que se fala para ser o tal candidato anti-Trump, ou outro nome grado dentro do partido. Contra isto jogará, em primeiro lugar, a própria personalidade egocêntrica de Trump e, depois, ninguém querer alegadamente juntar-se a um extremista e hipotecar o seu futuro, tendo aqui, no entanto, a possibilidade de moderar o discurso do presumível nomeado. Isto poderá parecer muito improvável mas o poder tem uma capacidade de atração muito grande. Para todos.

Texto de João Vale Sousa

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