sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cameron regressa a Londres com uma vitória na Europa

As várias horas que durou o Conselho Europeu sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, ou a manutenção, acabaram num acordo entre os 28 Estados-Membros. Independentemente do que estiver no texto, a vitória será sempre para o primeiro-ministro britânico que provocou um terramoto político na Europa com as novas exigências. O mais importante para Cameron é chegar a Londres e convencer os eurocépticos do partido, mas sobretudo os britânicos. Em relação aos primeiros, nem todos estarão de acordo. No entanto, Cameron pretende ganhar a população através do referendo europeu e dessa forma calar os colegas ministros e deputados mais barulhentos. 

O acordo não garante reforço político imediato ao Reino Unido, mas no futuro poderá haver alterações. Ou seja, com a entrada dos novos líderes europeus, o próximo chefe do governo britânico vai beneficiar do trabalho realizado por Cameron, que sai antes de 2020. Isto é, quem vier a seguir tem um acordo com força para ser a voz principal na Europa, obtendo também uma revisão dos tratados. 

Os passos dados por Cameron têm sido correctos. Por isso tem conquistado vitórias importantes, a nível pessoal, partidário e nacional. Nenhum  primeiro-ministro britânico fez finca pé à Europa, preferindo estar sempre com uma mão dentro e outra fora para agradar aos eurocépticos e aos que são favoráveis à integração europeia, como o Partido Trabalhista. O referendo permite tirar todas as dúvidas sobre o posicionamento de todos, mesmo que o resultado seja equilibrado. Haverá sempre um vencedor e um vencido. 

Por fim, a iniciativa britânica revela as fragilidades da União Europeia. A Europa será sempre um espaço de debate e confrontação, como tem acontecido em vários países com a realização de vários referendos sobre matérias distintas. Contudo, sempre que um país ameaça bater com a porta os restantes correm logo para apagar os fogos, acabando por aceitar as exigências. Também foi assim no Eurogrupo com a ameaça da Grécia sair da zona euro. Isto revela falta de uma liderança, de um rosto que represente todos os cidadãos, mas também de pouca união relativamente às políticas que permitem a existência das recentes crises que aconteceram em 2015. 

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