sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Votaria em Cavaco Silva para conquistar a quinta maioria absoluta


O actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vai terminar o ciclo político no próximo dia 9 de Março, tendo sido o político que mais governou em Portugal, juntamente com Mário Soares. No entanto, Cavaco conseguiu quatro maiorias absolutas, duas com primeiro-ministro e as outras para a presidência da República. Ninguém tem isto em conta na hora de criticar. 

O último mandato de Cavaco Silva foi o mais difícil de sempre para qualquer Chefe de Estado, já que, ocorreram três crises políticas provocadas por governos diferentes. O primeiro aconteceu em 2011 após a demissão de José Sócrates a poucos dias de se pedir um resgate financeiro que mudou o país nos quatro anos seguintes. Em 2013 o líder do CDS anunciava a demissão irrevogável do governo liderado por Passos Coelho. Por fim, o resultado das eleições legislativas de Outubro 2015 originou algo inédito na nossa democracia. Um governo sem maioria não passou na Assembleia da República, tendo sido necessário dar posse a um executivo socialista com apoio parlamentar. Nas três ocasiões o Chefe de Estado fez o que lhe competia. Aceitou a demissão de Sócrates, não deixou cair o executivo de Passos Coelho e deu posse ao governo de António Costa, mesmo sabendo que a solução não vai durar muito tempo.

Apesar de ter feito o que lhe competia, nunca um Presidente da República foi severamente criticado porque tomou as decisões com base naquilo que eram as convicções. Cavaco Silva foi eleito devido às propostas que apresentou aos portugueses nas campanhas eleitorais. Não percebo os que o criticam por dar a opinião enquanto Chefe de Estado, como tivesse de ser um fantoche para receber os partidos e proferir palavras simpáticas. Isso não acontece com outros governantes com responsabilidades semelhantes às de Cavaco Silva. Só em Portugal a convicção ideológica de um Presidente é censurada. 

Os baixos índices de popularidade não são nada comparados com as quatro maiorias absolutas conquistadas. Não acredito que a postura do próximo Presidente da República seja a mesma do actual. Nem Marcelo Rebelo de Sousa vai conseguir evitar meter-se na vida do governo e dos partidos. Durante o mandato, Cavaco Silva nunca se imiscuiu na política interna dos partidos, apesar de ter tentado que houvesse consensos, mas isso nunca foi possível devido aos egos das lideranças. 

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