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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Os bons políticos também emigram

A entrevista de António Guterres à RTP confirmou a vontade de alguns socialistas em contar com antigo primeiro-ministro para uma candidatura à presidência da República. No entanto, o ex-alto comissário das Nações Unidas para os refugiados não aceitou ser bandeira do partido liderado por António Costa. Não havendo Guterres, o PS avançou com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. O combate entre Guterres e Marcelo seria bem interessante, já que, estariam em confronto duas pessoas com perfil indicado para serem chefes de Estado. Os dois cabem que nem uma luva no papel. 

As insistências não convenceram Guterres a regressar ao país que liderou durante seis anos entre 1995 e 2001. Também não vai estar na lista de espera para futuras eleições presidenciais. A entrevista foi esclarecedora sobre as pretensões do antigo chefe de governo, que rejeitou o regresso à vida política activa em Portugal. Os que têm sucesso lá fora dificilmente voltam a Portugal, sobretudo numa área dominada por pessoas que estão agarradas ao poder. Tendo em conta a palavra de Guterres, acredito que fala verdade, até porque, sentiu-se um certo desapontamento relativamente aos nossos principais actores políticos e à forma como se fez política em Portugal nos últimos anos. O descontentamento não atingiu apenas os cidadãos anónimos. Estamos a assistir a uma fuga dos nossos melhores políticos para o estrangeiro. Veremos se Durão Barroso também tem a mesma atitude. Por aqui se vê a degradação da actual situação política.

A ambição de Guterres passa por ser secretário-geral das Nações Unidas. Um cargo com mais prestígio do que ter de aturar as quezílias políticas dos nossos líderes partidários. 

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