domingo, 24 de janeiro de 2016

O que está em jogo

A escolha do novo Presidente da República assume importância tendo em conta o clima político que o país vive após as eleições legislativas de Outubro do ano passado. O novo inquilino de Belém não pode ser apenas um árbitro, mas alguém que saiba apelar ao consenso. Não será fácil, já que, as feridas resultantes do processo político ainda não estão saradas. 

O Chefe de Estado não pode só controlar o governo, mas tem de estar em cima da oposição. Ou seja, a magistratura de influência deve ser exercida sobre todos os agentes políticos que estão na Assembleia da República. Um dos maiores erros de Cavaco Silva foi ter deixado muitas vezes a decisão nas mãos do parlamento. Ora, isso será fatal nos próximos cinco anos, já que, mesmo havendo legislativas dentro de dois anos, também não é crível que haja uma maioria absoluta de um só partido. As condições de governabilidade à direita vão mudar com a entrada da nova liderança do CDS. Só o regresso de Portas ao partido garante ao PSD apoio parlamentar para passar o programa do governo na Assembleia da República. 

As incógnitas relativamente ao funcionamento dos jogos partidários são maiores do que as certezas, pelo que, o papel do Presidente vai ser fundamental. Não basta ser mero árbitro ou vigilante. Tem de actuar consoante o interesse nacional, mas não deixar que as instituições se degradem. 

Tenho a certeza que vamos assistir a um Presidente mais interventivo, não só a nível dos discursos, como aconteceu com o actual Chefe de Estado. Na minha opinião a intervenção será mais pública, o que vai originar pressões por parte de todos os sectores. 

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