segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Marcelo, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém retiram protagonismo ao actual governo

A principal questão em torno da eleição do novo Presidente da República é saber se vai demitir o actual governo em caso de instabilidade política entre os signatários do acordo parlamentar à esquerda. O problema não se coloca  no caso de um dos partidos retirar oficialmente o apoio ao governo de Costa. A partir desse momento acabou a actual legislatura e serão convocadas eleições legislativas.

Os candidatos não foram claros nos debates relativamente à preocupação. Apenas Henrique Neto e Paulo Morais disseram frontalmente que dissolviam a Assembleia da República se houver problemas. No entanto, os dois não vão ter acesso ao Palácio de Belém. Por seu lado, Marisa Matias e Edgar Silva tiveram de dizer por meias palavras que a governação poderia sofrer riscos se enveredar por caminhos contrários à ideologia dos candidatos. Isto é, se chegar a Belém propostas que não têm o apoio de PCP ou BE o veto será a arma utilizada para fragilizar o executivo, mas sem o fazer cair, diminuindo a possibilidade da direita sonhar com o regresso ao poder. 

Os três principais concorrentes optaram por um discurso moderado com apelos ao consenso e à "verificação das condições de estabilidade". Neste sentido, aquele que gera mais desconfiança é Marcelo Rebelo de Sousa por ser de direita e criar "factos políticos" que prejudiquem os socialistas. Sampaio da Nóvoa é mais aliado do actual executivo do que Maria de Belém. Nota-se uma abrangência do docente em relação aos partidos de esquerda, que a candidata do socialismo democrático não tem. 

Apesar das dúvidas em relação a Marcelo, não acredito que Costa consiga dormir descansado com Sampaio da Nóvoa em Belém. O professor foi lançado por algumas pessoas importantes da sociedade civil, mas dificilmente será um pau mandado do primeiro-ministro. A falta de experiência política e o desconhecimento da sociedade portuguesa obrigam-no a recorrer aos homens que estão por detrás da candidatura. Acredito que Sampaio da Nóvoa não tem capacidade para tomar decisões sozinho, faltando saber quem é o testa-de-ferra que o orienta. 

A eleição do novo Chefe de Estado vai ser um problema para António Costa, já que, nenhum parece gostar da actual solução parlamentar, de forma directa ou indirecta. Outro motivo tem a ver com o protagonismo do próximo Presidente. Não tenho dúvidas que Marcelo, António ou Maria pretendem trazer para si a condução da vida política do país nos próximos cinco anos, retirando ao governo poderes executivos, mas também mediáticos. 

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