sábado, 23 de janeiro de 2016

Figuras da campanha

Na véspera da eleição presidencial cumprimos a tradição de desrespeitar o dia de reflexão, mas esperamos não ter uma multa da Comissão Nacional de Eleições.

O grande vencedor dos debates, tendo em conta as pontuações atribuídas pelo autor e dos leitores foi Marcelo Rebelo de Sousa. Os pontos da último debate não contam porque Maria de Belém não esteve presente. Segue uma análise de todos os candidatos em conformidade com os pontos.

Marcelo Rebelo de Sousa - 27 pontos

O professor conseguiu transmitir confiança nos debates apesar de não ter expressado algumas opiniões. No entanto, fez o que queria contra os adversários, e nos confrontos mais importantes também esteve por cima, embora com Maria de Belém exagerou nas críticas. No duelo com Sampaio da Nóvoa não teve a unanimidade da crítica, mas conseguiu travar o ímpeto do reitor da Universidade de Lisboa, que só falou das contradições. A verdade é que ninguém sabe quais são as propostas de Nóvoa, mesmo depois das duas semanas da campanha eleitoral. A experiência de comentário televisivo foi importante para Marcelo ter passado pelos pingos da chuva. 

Henrique Neto - 25 pontos

O empresário socialista mostrou ao país as ideias e o discurso com que iria abordar a campanha eleitoral. Venceu os debates com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, mesmo não tendo a máquina socialista no seu lado. No entanto, a experiência política também é importante nestas alturas. O país ficou a conhecer um homem simpático, elegante, cordial, que subiu na vida pelo próprio pé sem ter favores por parte de alguém, apesar de ter sido deputado. Ou seja, demonstrou que é possível ser independente dentro de um partido. O candidato Henrique marcou pontos nesta campanha. Também ficámos a saber que o candidato escreveu um livro que se intitula "Uma estratégia para Portugal".

Paulo Morais - 25 pontos

O ex-vereador da Câmara Municipal do Porto tinha como único objectivo trazer o tema da corrupção na política para a campanha eleitoral. A mensagem foi eficaz, em particular nos debates porque teve tempo para explicar os princípios da candidatura, tendo revelado um conhecimento bastante bom da Constituição da República Portuguesa, o que não aconteceu com alguns adversários. A luta de Paulo de Morais continua noutros locais, sendo certo que haverá mais pessoas com vontade de combater o fenómeno. 

Marisa Matias - 21 pontos

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda surpreendeu, apesar de já ter feito campanha para as europeias em 2014. Os debates serviram para Marisa Matias mostrar as convicções sem medo de dizer que chumbava o Orçamento rectificativo que salvou o Banif, tendo sido o momento em que a concorrente marcou diferenças em relação a Maria de Belém. Marisa também mostrou ser melhor do que Catarina Martins em termos de imagem. A melhor prestação foi no último debate com todos os candidatos.

Maria de Belém - 18 pontos

A socialista apoiada por alguns militantes que não estavam com Sampaio da Nóvoa não esteve bem nos debates, mostrando fragilidade intelectual e presencial. Neste aspecto é bem pior do que a concorrente do Bloco de Esquerda. Ninguém ficou a conhecer as ideias da antiga presidente socialista. O discurso repetido sobre o currículo não correu bem porque foi confrontada com uma polémica sobre acumulação de funções enquanto deputada e no sector privado. A questão das subvenções vitalícias ajudou a esvaziar os últimos comícios que estavam programados. 


Edgar Silva - 16 pontos

A cassete do Partido Comunista Português foi fielmente reproduzido pelo padre Edgar nos debates. Também não saiu da ideologia partidária. O momento mais crítico aconteceu quando não soube responder a uma pergunta relativamente ao regime que vigorava na Coreia do Norte. O candidato não teve a dinâmica necessária para incomodar os restantes adversários. 

António Sampaio da Nóvoa - 15 pontos

O  antigo reitor da Universidade de Lisboa não conseguiu convencer os indecisos. A imagem que passou foi de um candidato também muito repetitivo sem capacidade de trazer novos assuntos a debate, sendo que responder aos ataques não é igualmente o ponto forte. Tem uma postura demasiado estática para quem procura convencer os eleitores. Os conselhos dos profissionais de comunicação não devem ter sido os melhores ou o professor decidiu teimar. 


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