quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A força da oposição interna

A oposição interna dentro de um partido político, mesmo que esteja no executivo é sempre bem vinda. Nenhuma organização consegue sobreviver sem críticas ou discordâncias. O que se tem passado em Portugal nalguns partidos, nomeadamente no CDS, acaba por criar uma unanimidade falsa em torno do líder. A partir do momento em que a figura mais importante sai de cena, aparecem inúmeras tendências que estavam adormecidas, mas podem acabar por dividir o partido na hora de escolher o rumo para o futuro. 

A maioria absoluta conquistada o ano passado pelo Partido Conservador nas eleições legislativas não significou a aclamação em torno de David Cameron. Um número importante de deputados e não só sempre esteve contra a permanência do Reino Unido na União Europeia. O pequeno, mas relevante grupo obrigou o primeiro-ministro a encetar negociações com a Europa, convocar um referendo e permitir aos ministros fazerem campanha por qualquer dos lados. O líder do partido não teve outro remédio senão aceitar, mesmo tendo o poder dentro e fora da Câmara dos Comuns. 

Na campanha eleitoral norte-americana também assistimos a uma proliferação de candidatos no Partido Republicano. 

Normalmente as oposições internas nos partidos escondem-se durante algum tempo e só aparecem quando o líder perde eleições ou finaliza o mandato. O bom exemplo no Reino Unido nunca poderia ser aplicado em Portugal, já que, ninguém tem coragem de enfrentar o poder instituído com medo de ser afastado. No nosso país não existe esta prática de fazer oposição interna sob pena de ser considerado contestatário ou ter como único objectivo a conquista do poder. Como se vê no Reino Unido, os conservadores eurocépticos só pretendem margem para debater uma questão importante. 

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