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terça-feira, 30 de junho de 2015

Sócrates. De novo

A entrevista de José Sócrates ao Diário de Notícias e à TSF é bastante esclarecedor sobre as intenções do antigo primeiro-ministro. Mesmo que esteja detido, Sócrates quer envolver o Partido Socialista na questão da sua detenção. É um acto perigoso, mas que pode ter resultados positivos. As eleições dirão se esta estratégia corre bem ou não.

Convém esclarecer que o PS tem descido nas sondagens e os analistas acreditam que tudo está relacionado com a forma como António Costa tem lidado com o assunto. Existem muitos dirigentes socialistas que querem uma defesa mais acérrima do actual secretário-geral no caso que levou à detenção de Sócrates. Ora, Costa não sabe o que fazer. Se dar mais apoio ou separar as águas. O problema é que o próprio antigo primeiro-ministro não pretende dissociar o seu caso de uma teoria da conspiração. Se Sócrates estiver cá fora na campanha vamos ter muito sinais destes, o que prejudica o Partido Socialista. 

Acredito que Costa esteja incomodado cada vez que Sócrates fala à comunicação social porque o nome do Partido Socialista vem sempre à baila. 


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Jogo grego

A decisão do governo grego em realizar um referendo é acertada. A população tem o direito de escolher a permanência na zona euro até porque a vontade do Syriza é sair da moeda única. Se assim não fosse aceitariam as condições propostas pela troika que não foram diferentes das aplicadas em Portugal e Irlanda, embora com condições diferentes devido à situação de cada país. 

O governo liderado por Tsipras tem de assumir a ruptura com a Europa, em particular com as exigências de estar na zona euro e também na própria União Europeia. Perdeu tempo demais e deveria ter colocado essa hipótese na campanha para as eleições de Janeiro. 

Os gregos vão votar favoravelmente na continuação da zona euro, o que cria um problema para Tsipras e Varoufakis. Caso perca, Tsipras tem de convocar eleições antecipadas e dar lugar aos outros. Os que querem limpar a Grécia da pálida imagem dos últimos anos. A única questão que se coloca é saber porque razão o actual executivo andou este tempo no jogo do rato e do gato. 

Entrevista a Ana Free

1- Neste momento quais são os teus projectos para o futuro? 

De momento estou a trabalhar no meu novo EP "The Weight Of The Soul" que está previsto para ser lançado em Setembro. Estamos quase a terminar a fase de gravações e estou ansiosa para divulgar este novo trabalho que tem sido uma das minhas grandes paixões musicais este ano.

2- A crise na indústria da música ainda permite sonhar em obter lucro nesta área? 

É um modelo diferente hoje em dia. Ainda há muito dinheiro na indústria, é só saber como trabalhar e no que para conseguir sobreviver. Acho que hoje em dia, a criatividade é mais importante agora do que nunca.

3- A paixão é superior a qualquer crise de vendas? 

Sim, definitivamente. A música é algo que te escolhe a ti, não tu a música. É uma força maior. Por isso é que há que ter paciência e amor pela arte.

4- Na tua opinião quais são as qualidades para se ser um ídolo? 

Ser uma pessoa genuína é essencial. É a coisa mais importante para mim. Os ídolos não são só uma imagem de música e composição mas também ser ídolo é entender que haja pessoas que te admirem como pessoa sem nunca te terem conhecido. É importante também aceitar que ser uma figura pública é ter uma responsabilidade para com os fãs. Há quem lide bem com isso e quem não. Para mim é um privilégio poder usar o meu nome e a minha música para melhorar o mundo que me rodeia.

5- Portugal tem muitos talentos? O que lhes falta para actuarem nos grandes palcos internacionais? 

Portugal está cheio de talento. Algum está exposto mas infelizmente muito não está. Há pessoas muito dedicadas mesmo à arte. A chave do progresso é ser quase como uma esponja, abrir a cabeça a outros métodos de produção musical, não ter medo de correr riscos e destacar.

6- Qual é tua música com que te identificas mais? 

Tenho muitas. Gosto muito da Renegade do meu disco de estreia Together. Mas este novo EP é mesmo pessoal. Sinto uma conexão muito profunda com os temas que escolhi para o novo projecto e penso que ouve-se na letra e na performance das musicas.

7- A música que te deu mais trabalho a fazer? 

Neste novo trabalho foi certamente o single de avance, que já está à venda, a Say It To Me. Foi um desafio chegar ao som que queríamos mas por fim conseguimos!

domingo, 28 de junho de 2015

Olhar a Semana... "A tragédia grega"

Eurogrupo_logo.jpgNão se vislumbram avanços nas negociações do Eurogrupo com a Grécia, apenas recuos. De tal forma que o cenário final mais provável será sempre o da tragédia, tal como já aqui o referi, seja para a Grécia, para a Europa (dentro e fora da Zona Euro) ou para ambas.
Mas há uma consequência que já se vislumbra, nesta fase do processo: a democracia e a soberania.
O tão badalado ataque à soberania de um Estado intervencionado não tem propriamente a ver com a questão económico-financeira, nem com o cumprimento de determinadas regras. Quem gastou mais do que o que tinha e pediu emprestado tem que estar, naturalmente, sujeito a um conjunto de requisitos. Este conjunto de condições seriam facilmente ultrapassáveis com naturais cedências e contra-propostas. Mas a verdade é que neste momento, após o quase certo abandono ou "expulsão" da Grécia do Eurogrupo (após a rejeição de extensão do programa de ajustamento e a não subscrição da Grécia do relatório final), a realidade é mais política que financeira. O diferendo entre Credores e Grécia ultrapassa o mero âmbito económico para se centrar no político, com a perspectiva (ou objectivo claro por parte do mercado) de provocar a queda do governo de Alexis Tsipras e novas eleições. Nada, aliás, que seja original nos últimos tempos na União Europeia.
O mais curioso é que, para um governo tão guerreiro nas negociações, tenha tido a tentação de, facilmente, cair no enredo e mordido o anzol com o anúncio de um referendo interno, em jeito de "moção de confiança" pública.
Resta agora saber qual o futuro da Grécia e de que forma é que a Zona Euro, a União Europeia e os mercados reajam a esta nova realidade.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Rostos da campanha

O principais partidos britânicos já escolheram os rostos da campanha sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. As forças da oposição estão no terreno para prepararem as respectivas estratégias. O UKIP coloca em Nigel Farage a responsabilidade de lutar pela saída do país do clube europeu. Por sua vez, o histórico Alan Johnson encabeça o Partido Trabalhista na luta pela manutenção do Reino Unido. 

Ao mesmo tempo alguns movimentos cívicos organizam-se para defender a sua causa.O debate sobre o referendo vai ser um dos pontos altos da política britânica nos últimos tempos, mais importante que as eleições legislativas porque o escrutínio marca a vida das pessoas e o futuro político do país, independentemente do resultado que se vier a verificar. O voto no SIM ou no NÃO terá consequências para o Reino Unido e a Europa significativos.

O Partido Conservador vai ter como rosto principal nesta campanha o primeiro-ministro, embora sem a ajuda dos restantes membros do governo. A polémica sobre a participação e opiniões pessoais dos ministros tem causado embaraço ao novo executivo. Neste momento, tanto o Labour como o UKIP adiantam-se na defesa das posições que têm para a Europa.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Passos de Coelho

A subida da coligação nas sondagens mostra que o trabalho para a legislativas está a ser bem feito. Com calma e tranquilidade e sobretudo sem prometer um mundo cheio de oportunidades como faz António Costa. O discurso do momento revela um governo seguro daquilo que fez, embora tenha custado muitos sacrifícios a todos os portugueses. No fundo, a maioria de nós não quer voltar a um passado recente. É verdade que a detenção de José Sócrates não ajudou nada o actual líder socialista, por isso se o antigo primeiro-ministro for libertado em cima da campanha eleitoral vai haver problemas porque esse será o tema principal do pré-eleições. 

Neste caso as sondagens motivam os dois partidos do governo que tiveram de recuperar vários pontos face ao Partido Socialista ao longo do último ano. De facto, os números do PSD e CDS quando faltam três meses para as legislativas são notáveis. O Verão e o aumento da capacidade económica dos portugueses nesta altura pode ajudar ao voto na direita. Outro problema para o PS é a dispersão de novos partidos à esquerda, que vão procurar conquistar os votos dos socialistas descontentes e não as pessoas que ainda estão indecisas.Note-se os constantes do Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português às opções tomadas pela direcção socialista. As últimas oferecem uma nova oportunidade ao governo tendo em conta os resultados das sondagens. Por estas razões PSD/CDS tendem a crescer e o PS a descer. Duvido que António Costa dispare porque nem quando estava no auge da popularidade conseguiu esse feito. 

Penso que não haverá maioria absoluta e acho que os pequenos partidos vão ser decisivos para a formação de um governo estável. Senão mudam-se os líderes dos principais partidos e vamos novamente para eleições.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Alta Tensão na Europa

grecia vs uniao europeia.jpgO que se esperava poder ser resolvido com mais ou menos custo e suor, independentemente do recente período eleitoral grego e da formação do seu governo, tem-se tornado num verdadeiro inferno para todos: Grécia, União Europeia, FMI, credores e, indirectamente, para os países recentemente intervencionados e periféricos na UE.
Não se vislumbra qualquer cedência substantiva, de parte a parte, que permita terminar o braço-de-ferro existente. E nesta fase, face aos pressupostos e à realidade que está em cima da mesa, acresce a cada vez mais previsível rotura negocial e o default grego, a que se junta a previsível saída da Grécia da Zona Euro. Resultado… ninguém ficará a ganhar. Nem tanto pelo que financeiramente tal situação possa representar, mais engenharia, menos engenharia; mais austeridade, menos austeridade; mais mercado, menos mercado; mais ou menos sacrifícios para os gregos; sendo certo que, obviamente, os primeiros “perdedores” serão os credores.
A Grécia terá um futuro complicado interna e externamente, nomeadamente na sua relação europeia fora da Zona Euro. Aos gregos avizinham-se dias muito complicados, elevados sacrifícios, conflitualidade social e política, sendo que, neste último âmbito, poderá ter mais impactos negativos para o Syriza o falhanço negocial do que a cedência nalguns princípios eleitorais defendidos.
E a União Europeia? O que perderá ela? A tensão é enorme. Não pela eventual saída, por si só, da Grécia da Zona Euro. A tensão europeia residirá na dificuldade que as instituições europeias, nomeadamente o BCE e o Parlamento, em prever, planear e precaver, os impactos que tal realidade pode provocar na economia, em alguns países europeus, na própria credibilidade e consistência da União Europeia. No fundo, não está a ser conseguido, pela União Europeia, prever o efeito sistémico do fracasso negocial e do futuro grego. E não vale a pena Passos Coelho vir com paninhos quentes porque Portugal pode mesmo “cair”: os juros da dívida portuguesa subiram e apenas conseguiu colocar no mercado (para financiamento) o mínimo de dívida pública (750 milhões de euros).
Mais ainda… politicamente há ainda outro nervosismo europeu. Uma significativa aproximação, demasiada aproximação, da Grécia à Rússia tendo em conta o actual clima de conflitualidade institucional por causa da Ucrânia. Algo que, politicamente, será uma vitória para Putin, quem sabe a salvação grega e uma importante derrota europeia com repercussões na sua relação com a NATO e os Estados Unidos.
A todos os níveis, não está fácil a relação com o Olimpo. Os Deuses devem andar loucos.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O voo polémico

TAP.jpgUma política de privatizações ou concessões de empresas e/ou serviços públicos é, numa primeira fase, uma questão ideológica, mesmo que o peso programático tenha vários níveis de aplicabilidade (desde o ultra e radical neoliberalismo aos conceitos mais moderados).
Contrariamente às ideologias da esquerda mais radical, nem tudo tem e deve ser público, gerido pelo Estado. A utopia social de um Estado controlador e “proprietário”, que trata todos por igual (apesar das diferenças), que a todos dá tudo, resulta num Estado falido, numa população nivelada pela pobreza, numa maior diferenciação de classes e uma sociedade mais elitista (por mais paradoxo que possa parecer). A grande responsabilidade do Estado não é a gestão (mesmo que da coisa pública) mas sim a regulamentação e fiscalização. Daí que generalizar todo o tecido social e económico de um país ao confronto ideológico do público vs privado não faz sentido. Há sectores e áreas nas quais encaixa perfeitamente a responsabilidade social do Estado: a educação e a saúde (mesmo que haja, e bem, complementaridade privada); a justiça; a energia (essa, infelizmente, entregue) e a água e o saneamento básico (cada vez mais difíceis de segurar). E quando se refere a responsabilidade do Estado ela pode (e deve, em inúmeras circunstâncias) ser descentralizada, por exemplo, para o Poder Local.
No que respeita aos transportes, sejam eles rodoviário, ferroviário ou aéreo, só mesmo por razões ideológicas é que os mesmos são tidos como “bandeiras de Estado”. Importa notar que Portugal não tem, por exemplo, nenhuma “companhia de bandeira” no sector do transporte marítimo (e nós com tanto mar à frente), apesar de, e muito bem, o Estado ter a gestão portuária. Pena que, no que respeita ao transporte aéreo, não se tenha mantido a gestão dos aeroportos. Portanto, privatizar a TAP só tem de polémico a fundamentação ideológica. Ou melhor… só deveria ter, porque o que aconteceu foi que o processo da venda da TAP foi transposto para o confronto eleitoralista e para a demagogia político-partidária (é bom recordar ao PS o que foram também as suas opções políticas de privatização, nomeadamente no que respeita à TAP; por exemplo, em 2000 (ministro Jorge Coelho, à data) com a Swissair ou no Pacto de Estabilidade e Coesão (PEC IV) 2010-2013).
A TAP, bem ou mal, não foi vendida por 10 milhões de euros (não sei quantos Jorge Jesus) mas sim por cerca de 350 milhões de euros, aos quais acrescem cerca de mil milhões de euros em dívidas e cerca de 500 milhões de euros em capitais negativos. Os 10 milhões correspondem ao encaixe governamental do valor das suas acções. Entre ter uma empresa do Estado, completamente falida, excessivamente suportada pelas contribuições ficais dos cidadãos (sem usufruto directo dos mesmos, pelo menos da maioria) e ceder 61% do seu capital (restando ao Estado Português cerca de 39% com direito a veto e com capacidade para decidir em matérias estratégicas), é caso para podermos afirmar que a TAP foi bem vendida (surpresa é terem dado tanto valor por ela).
Face ao historial de posições políticas e estratégias governativas do PS, a sua actual posição nesta problemática, não abona nada a favor da sua credibilidade e imagem. Não é viável, nem credível, que o PS inverta o processo se for Governo. Não fazem sentido a maioria das críticas à actuação e decisão do Governo de Passos Coelho, nesta matéria, porque o ónus da questão pode facilmente reverter o sentido e levar os portugueses a questionar: o PS de hoje, de António Costa, rasgava todas as posições anteriores sobre a matéria da privatização da TAP? E quais seriam as alternativas ao actual estado da empresa?
Há, no entanto, um dado que importa referir e que o PS bem poderia aproveitar para, de forma mais consistente, ser oposição: o timing da decisão e do processo. Depois de tantas tentativas (social-democratas e socialistas), depois de todos os avanços e recuos que o processo foi sujeito, a poucos meses de um processo eleitoral, qual a pressa de Passos Coelho em fechar o negócio? Isso sim, importa questionar porque, face a tanta polémica gerada, o bom-senso político poderia sugerir o aguardar pelo desfecho eleitoral.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Loucura republicana

A corrida para a liderança do Partido Republicano conta com 12 candidatos. O último e mais inesperado é Donald Trump. O multimilionário parece que vai mesmo avançar, após vários anos em que ameaçou. Neste momento ainda faltam dois nomes para a corrida estar completa. Scott Walker é o último nome forte que deverá entrar. 

O mais interessante na campanha republicana passa por saber quem é o mais forte para concorrer contra Hillary Clinton em Novembro. Os republicanos acreditam que pode haver uma janela de oportunidade por causa do desgaste de oito anos do Partido Democrata no poder. Hillary Clinton é tida como favorita, mas o mandato de Barack Obama por ser um factor contra a candidatura. 

Estamos perante uma tentativa de assalto ao poder no Partido Republicano e à Casa Branca. O número de candidatos não tem parado de aumentar. A diversidade de estratégias, propostas é positivo, mas o debate corre o risco de se centrar nas questões pessoais. Penso que alguns nomes esgotam todas as possibilidades de voltarem a concorrer. No entanto, no seu início as primárias republicanas costumam ter este aliciante. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Europa à Direita

Os partidos de Direita parecem estar a conquistar alguns países europeus. A vitória dos conservadores no Reino Unido, bem como a pesada derrota da esquerda são um sinal importante para os partidos socialistas europeus, em particular o português.

Na Dinamarca a antecipação de eleições por parte de Helle Thorning-Schmidt pode não ter o efeito desejável, isto é, oferecer à esquerda uma maioria no parlamento que lhe permita formar uma coligação governamental. 

Na Grécia o fracasso do governo liderado pelo Syriza provoca uma oportunidade para a Direita regressar ao poder uma vez que o PASOK está praticamente morto. 

Na vizinha Espanha os anos de austeridade do governo liderado por Mariano Rajoy não foi suficiente para a população castigar o executivo. O PP volta novamente ao primeiro lugar nas sondagens, originando uma queda do Podemos. 

Em Portugal, a maioria só está a três pontos percentuais de um PS que prometeu muito com António Costa.

A Direita não foi castigada por causa da austeridade implementada em Espanha, Reino Unido e Portugal. Ao invés, antes da ascensão ao poder destes partidos, as forças de esquerda, nomeadamente as socialistas foram responsabilizadas pelos erros cometido que originaram a crise financeira em 2008. Ou seja, a partir daí deu-se uma viragem à Direita. Quatro a cinco anos depois não se está a verificar um regresso dos partidos de Esquerda ao poder. Mesmo após a implementação de medidas duras. 

A manutenção de alguns governos no poder durante o período da crise deveu-se à compreensão das populações relativamente à necessidade de consolidar as contas públicas porque sem isso era impossível ter êxito económico. Penso que houve uma consciência em relação a este aspecto.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Maioria sobe, Partido Socialista desce

A última sondagem divulgada coloca o PS com mais três pontos percentuais do que a coligação formada pelo PSD e CDS-PP. 

Nos últimos meses assistimos a uma confiança desmedida dos socialistas numa vitória eleitoral em Setembro ou Outubro. Quando faltam 4 meses para o acto eleitoral, verificamos uma tendência de subida na coligação e descida no Partido Socialista. Ainda falta os partidos da direita apresentarem uma lista de independentes que estará na Assembleia da República nos próximos quatro anos para subir mais nas intenções de voto. Ou aproximarem-se de Marinho Pinto para formar uma coligação de três partidos. Neste momento tudo joga a favor de Portas e Passos Coelho, já que os partidos de esquerda, em particular o PCP, não querem apoiar António Costa. 

Em Setembro este cenário era impensável pois Costa tinha tudo para ser eleito primeiro-ministro. Venceu Seguro nas primárias e o governo caminhava para o seu fim. É impressionante como tudo mudou em poucos meses. A culpa não é dos ventos desfavoráveis aos socialistas nas últimas eleições em vários países europeus. O secretário-geral do PS ainda não percebeu que não pode adoptar o mesmo discurso de antigos líderes socialistas, em particular de José Sócrates na campanha eleitoral em 2009. Também não convém ameaçar que vai rasgar todos os compromissos estabelecidos pelo governo durante o mandato, como foi a reforma da justiça, a privatização da TAP e outros assuntos. As pessoas não acreditam neste discurso porque procuram alternativas políticas e não discursos fáceis. 

A maioria tem optado pela melhor estratégia. Não muda uma vírgula às opções tomadas ao longo do mandato. Seria fácil dizer que optavam por um caminho diferente só para conquistar mais votos. Ainda bem que em Portugal a forma de fazer política começa a ser diferente, sobretudo nas campanhas eleitorais. O único ainda não percebeu isso foi o candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Jogo perigoso de David Cameron

O referendo europeu sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia tem tudo para correr mal ao primeiro-ministro britânico, excepto o resultado da votação. A população, tal como David Cameron, vota sim à continuidade do país no clube europeu. No entanto, o processo que culmina na consulta popular pode fazer com que Cameron caia politicamente antes de 2020. 

Neste momento o primeiro-ministro anda à procura de apoios junto dos parceiros europeus para a sua causa. O suporte de Angela Merkel é um bom sinal, mas são os países de leste que vão bloquear qualquer iniciativa britânica. O bloco composto pelos países do norte, leste e centro da Europa não estão com o Reino Unido. Os únicos que pretendem alterações na actual correlação de forças são países como Portugal que têm pouca voz nas instituições. Penso que Cameron está mais preocupado com os interesses dos britânicos do que com a união na Europa. 

A batalha política tem tudo para correr mal na frente externa e interna. Em termos externos Cameron tem os mais fortes contra si. No plano interno os conservadores e a população não lhe vai perdoar senão aterrar em Londres com condições favoráveis para o seu país. Caso não haja mudanças estruturais com Bruxelas o sentido de voto dos britânicos pode mudar a favor da saída. Nessa situação não resta ao actual primeiro-ministro abandonar o barco em 2016 ou 2017. Ou seja, o tempo que o novo chefe de governo fica no cargo muito provavelmente será de um ou dois anos, não havendo possibilidades políticas de cumprir os cinco anos. 

As hipóteses avançadas jogam todas contra o primeiro-ministro. No entanto, ele foi o principal responsável por se ter colocado nesta posição. Não tenho dúvidas que Cameron cumpriu o seu dever em termos internos e agora está focado em fazer regressar o Reino Unido ao poder na Europa. 

Nos últimos cinco anos David Cameron obteve vitórias no plano interno. Penso que não terá a mesma facilidade quando lidar com Angela Merkel, François Hollande e os outros chefes de governo do norte da Europa. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dúvidas programáticas

Um dos temas fortes desta pré-campanha e, previsivelmente, da campanha eleitoral é, de novo, a temática da TSU (Taxa Social Única), não apenas a sua concepção mas também os impactos que possa ter no emprego, na economia, na sustentabilidade da Segurança Social. Do ponto de vista da criação de emprego, o facto de se reduzir (quer para as empresas, quer para os trabalhadores) o valor da contribuição restam imensas dúvidas que essa conjuntura tenha impacto significativo na criação de emprego ou na diminuição do desemprego. Se isso significar, em termos muito lineares, uma redução de encargos para as empresas, perante a realidade do tecido empresarial português, feito muito à base de micro, pequenas e médias empresas, a poupança não é expressiva que faça com que o empregador crie mais postos de trabalho. Quanto muito investe, consolida orçamentação, capital ou amortiza encargos. Por outro lado, parece-me claro que, no caso das grandes empresas, essa redução significa mais rapidamente consolidação de capital e investimento do que mais emprego. E poderá ser, por esta via, que a redução da TSU possa ter impactos na economia: investimento e sustentabilidade financeira.
Mas a maior discussão sobre esta temática prende-se com os efeitos sobre a tão problemática sustentabilidade da segurança social. Uma redução da TSU, seja em que universo for, resulta num decréscimo contributivo, agravado pela previsibilidade de não geração de novos empregos. Assim, resta definir aos partidos políticos, de forma clara e transparente, quais as alternativas e quais os recursos para garantir o pagamento das reformas presentes e futuras. Sem demagogias…
Uma outra dúvida, mais “existencial” do que “programática”, tem sido, por diversas vezes, colocada pelos que se interessam pelo futuro da União Europeia e pelo futuro grego. Em relação a este último, a saída da Grécia da Zona Euro terá efeitos sistémicos? Ou o receio acaba por atingir mais depressa os países mais fortes (como a Alemanha) do que os chamados países periféricos (como Portugal)? O que me parece mais relevante é que terá mais impacto para a União Europeia, para os seus princípios e objectivos, para a consolidação (ou revisão) do seu projecto, a saída da Inglaterra da União Europeia do que, propriamente, a saída da Grécia do Euro. A promessa eleitoral de David Cameron está cumprida e a rainha Isabel II oficializou: 2016 será o ano em que os súbditos de Sua Majestade irão pronunciar “sim” ou “não” à permanência da Inglaterra na União Europeia, regista-se com especial olhar (e pressão) dos escoceses. Importa não esquecer que a Escócia ainda há pouco tempo se pronunciou sobre a temática, sem que o “sim” tivesse obtido expressiva vantagem. Por outro lado, os escoceses esperarão que, do próprio referendo, surja a implementação de um maior leque de poderes à Escócia, conforme as promessas de David Cameron, durante a campanha do referendo escocês, curiosamente sobre a permanência ou não na União Europeia.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sócrates estragou tudo

A decisão de Sócrates em se recusar a ir para casa torna o processo político mais complicado de se resolver. Não se percebe porque razão o antigo primeiro-ministro andou a fazer campanha contra a justiça e a comunicação social para não aceitar a alteração da medida de coacção. Mais uma vez Sócrates quer fazer-se de vítima perante todos. 

Caso tivesse aceite a medida do juiz Carlos Alexandre, não tenho dúvidas que teria uma recepção de luxo. A partir de casa também poderia organizar melhor a sua defesa. Sócrates não sai de Évora porque quer castigar a justiça e colocar todos os agentes políticos do seu lado. No fundo, ainda não é o momento certo para abandonar a prisão. 

Talvez isso aconteça perto das eleições para criar mais impacto. Se isso acontecer quem fica a perder é o Partido Socialista e António Costa porque o foco estaria todo na libertação total do ex-primeiro-ministro e não nas ideias políticas do futuro. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cameron não precisa disto

Os primeiros dias de David Cameron após a reeleição não correm bem. O primeiro-ministro decidiu fazer um ultimato aos seus ministros. A imprensa britânica revelou que o chefe de governo pretende que os seus membros adoptem uma única postura pública, apesar de deixar cada um votar como bem entender durante as renegociações com Bruxelas que poderá levar a um referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

David Cameron não tem o poder de controlar o voto pessoal de cada ministro, mas tem a garantia de controlar cada palavra que cada ministro profere. Ao mínimo descuido há o risco de ser expulso do governo.

A posição do chefe de governo não pode ser tolerável porque choca com a liberdade de voto das pessoas. Mesmo que tenham responsabilidades governativas há sempre um direito de opção que deve ser respeitado. 

Não tenho dúvidas que Cameron tenta unir o seu partido à volta de um tema que vai dominar o debate político no Reino Unido até 2017, mas não tem o direito de recorrer à ameaça política. Desconhecia este temperamento do actual primeiro-ministro. Não acredito que a soberba maioria absoluta conquistada há um mês tenha mudado a forma de David Cameron fazer política nem o seu carácter. Penso que se trata de uma atitude cautelosa para evitar ser atacado pela oposição. 

Não é preciso recorrer a golpes baixos para convencer a população. Ainda por cima o primeiro-ministro é favorável à manutenção do Reino Unido no clube europeu. Convém estabelecer a diferença entre ser eurocéptico e dar a oportunidade dos britânicos se pronunciarem sobre um assunto. Ainda que seja delicado e provoque alterações profundas no país e na Europa.

A maioria absoluta não deve ser utilizada para fazer uma nova forma de política. Na hora da vitória esteve muito bem quando se recordou de Nick Clegg. David Cameron não precisa disto porque tem tudo a seu favor nos próximos cinco anos. 

O outro Judas

O social-Democrata António Capucho decidiu tornar público o seu apoio a António Costa ao ter discursado na convenção do Partido Socialista. Capucho tem todo o direito de ter as suas opções políticas, mas o problema tem a ver com a forma. O ex-autarca de Cascais tem tido este comportamento por questões de vingança política e não devido a convicções ideológicas. Por estas razões não se percebe a sua atitude. É óbvio que António Capucho vai ter um lugar importante se o Partido Socialista vencer as legislativas. Ninguém tem dúvidas disso. No entanto, Costa corre um risco porque Capucho não traz ninguém e está completamente só. Nem votantes, nem militantes sociais-democratas que estejam descontentes com governo. Por ser um homem só, Capucho pode muito bem ficar sozinho quando precisar de ajuda. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O que Jesus fez ao Benfica foi uma traição?

A resposta à pergunta é não. O treinador do Benfica estava em final de contrato e queria ganhar mais dinheiro. Isso é legítimo e ninguém pode colocar em causa a vontade do actual treinador do Sporting. A troca de Jesus não tem nada a ver com aquilo que fez José Mourinho. 

O presidente do Benfica fez bem em não aumentar o salário do técnico se a estratégia passa por reduzir custos. Todos têm de contribuir para uma nova fase no clube da Luz. Outro aspecto é a formação. Jesus nunca deu prioridade aos talentos que tem no Seixal. Também tem em Alcochete, mas a política em Alvalade mudou com esta contratação. Bruno de Carvalho quer vencer um título de campeão para não ser colocado em causa pela elite sportinguista que prepara o assalto ao poder. Jesus oferece garantias ao presidente leonino de uma luta permanente pelo título, até porque o Benfica fica mais fraco e o FC Porto de Lopetegui continua no mesmo rumo. 

O futuro do Benfica tem de passar pela aposta em jogadores portugueses que sejam jovens. Têm de ter talento, mas não podem ser ultrapassados por um estrangeiro que fica durante meses sem jogar porque ainda se tem de adaptar. 

Neste momento o grande obstáculo do presidente são os adeptos. Como aconteceu há uns anos ninguém queria ver Mourinho em Alvaldade. O mesmo se passa com Jesus. Contudo, o facto de ser sportinguista e de enfraquecer o rival faz esquecer qualquer antipatia porque no futebol o que conta são os golos que dão títulos. 

A resposta benfiquista a perda do treinador é o possível empréstimo de Nani do Manchester United para o Benfica na próxima temporada. 


quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Queda

A demissão de Joseph Blatter seis dias depois da sua reeleição confirma as suspeitas lançadas por Luís Figo durante a campanha eleitoral. O Rei da FIFA nem chegou a aquecer o lugar para o qual tentou ser eterno. A partir de agora o futebol fica mais limpo e haverá oportunidade para todos contribuírem na melhoria do futebol mundial. As federações mais pequenas ficam a ganhar com este anúncio. 

O futuro da FIFA é mais incerto do que o de Blatter. O ex-presidente terá que enfrentar a justiça devido ao caso que foi notícia na semana passada. 

O problema de Joseph Blatter teve a ver com o facto de nunca ter sido um presidente consensual. Os benefícios para uns em detrimento de outros foram uma evidência ao longo de um mandato que começou em 1998. A nova liderança tem a missão de limitar o número de mandatos. O presidente da FIFA não pode ficar eternamente no poder. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Acusação de Sócrates

Não parece normal que o ministério público ainda não tenha deduzido acusação ao antigo primeiro-ministro, quando já passou meio ano desde a sua detenção. Tendo em conta que estamos perante um caso excepcional a justiça deveria ser mais célere e eficaz. No programa "Eixo do Mal", Daniel Oliveira colocou a hipótese desta só ser conhecida quando estivermos perto das eleições. Se esta situação vier a acontecer não é bom para o funcionamento da justiça nem ajuda ao esquecimento político deste caso. 

Ou seja, corremos o risco da campanha eleitoral ser marcada pelos crimes que o ex-chefe de governo eventualmente cometeu. Na minha opinião isto seria o fim da credibilidade de justiça. 

Uma vez que se trata do envolvimento de um antigo primeiro-ministro as autoridades deveriam ter mais cuidado nas consequências políticas devido ao tardio desenrolar do processo. Isso tem dado margem para José Sócrates utilizar os meios de comunicação social em seu favor, embora também tenha alguns jornais contra si. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Legislativas: Presidente da República Vs Primeiro- Ministro



Estas serão umas das legislativas mais disputadas de sempre. O Governo já está em campanha deste o anúncio da Coligação e o PS começou em força com a apresentação do seu cenário macroeconómico para o País. O PS marcou o passo ao Governo, fazendo-o ir ao seu encalce. Trata-se de avaliar um mandato de austeridade ao nível da carga tributária e dos cortes nos rendimentos e pensões, herdada uma gigantesca dívida pública impossível de se extinguir durante uma legislatura, ou ao invés o regresso do glorioso passado político da maioria  absoluta socratista, da regeneração através de um líder que se esforça por ser carismático mas que acaba por ser populista, que diz só prometer o que cumprirá com uma base sólida, um estudo macroeconómico construído por economistas socialistas e liberais em simultâneo.
Estas eleições estão na iminência de abrir ao debate duas grandes questões políticas nacionais: a primeira é saber como se formará um Governo minoritário com um acordo de incidência parlamentar e ainda assim o actual Presidente da República (doravante PR) aceitar nomeá-lo como está constitucionalmente obrigado; a segunda é que os eleitores estão cada vez mais exigentes e distantes de políticas eleitoralistas, pelo que estão empenhados em saber se as medidas programáticas da Coligação e do PS são exequíveis e se assentam num plano económico real.

Para escrutinar a primeira questão, sobretudo devido às últimas insinuações presidenciais de só dar posse a um Governo maioritário, é preciso não esquecer que o PR está obrigado a nomear o chefe do Governo em função dos resultados eleitorias (Art.º 133-f’ “ex vi” Art.º187-1 CRP). Portanto dizer que não nomeia o Primeiro- Ministro (doravante PM) depois da expressão popular decorrente de umas eleições legislativas será um um acto, no mínimo, injustificável por parte do actual PR. Os próprios líderes partidários terão de ser ouvidos a esse respeito, pelo que se pronunciarão a respeito desta matéria bem como o Conselho de Estado caso lhe seja solicitado (Art.º145-e’ CRP). Sucede ainda que as propostas dos programas eleitorais dos partidos conformar-se-ão no programa do Governo da maioria que o sustenta (Art.º 188 CRP), medidas eleitorais essas que acarretam apenas a responsabilidade política parlamentar do Executivo do próximo PM. Torna-se especialmente grave este cenário constitucional retirado das palavras do PR, uma vez que o mandato do próximo PM só se inicia com a sua posse (Artº.186-1 CRP), encontrando-se automaticamente o actual em funções de gestão após o acto eleitoral até à nomeação do próximo PM (Art. 195-1, a’ CRP) que poderá não ser nomeado se não conseguir uma maioria parlamentar absoluta após apuramento de resultados de 12 de Outubro. Existe ainda o problema da data, que pela proximidade temporal do prazo limite de apresentação do Orçamento de Estado pelo Governo poderá deixar a Administração Pública financeiramente em regime de duodécimos. Esta data rígida está consagrada na LEO (Lei de Enquadramento Orçamental). É caso pra dizer que o actual PR tudo tem feito para estender o mandato do Executivo, evidentemente não poderá estender a legislatura porque a própria configuração do hemiciclo parlamentar será alterada substancialmente face aos resultados do próximo acto eleitoral. Provavelmente, tentando fazer um juízo de prognose póstuma, o político Cavaco Silva, único com duas maiorias absolutas seguidas como PM e PR em Portugal, está a forçar agora aquilo que já tentara no passado entre PSD e PS (com o anterior líder), a formação de um bloco central no arco da governabilidade, esquecendo-se da formação de novos partidos emergentes em todo o espectro político, eventuais decisores políticos e porventura a peça chave de solução do enigma que se avizinha de acordo com o seu apoio político. Se a terceira força política não for o PCP, será ela mesmo os novos acordos de incidência parlamentar e com isso a formação do novo Governo, quer isto dizer, as próprias eleições.

Ainda há espaço para Marcelo Rebelo de Sousa

A candidatura de Rui Rio à presidência da República tira espaço a Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes para se afirmarem como a alternativa que a direita tem a António Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto. O apoio do PSD ao antigo autarca da Câmara Municipal do Porto retira as legítimas aspirações dos dois antigos presidentes em contarem com a ajuda de Passos Coelho ou da nova direcção social-democrata que vier a ser eleita na eventualidade de uma derrota nas próximas legislativas. Neste aspecto, Santana Lopes estava mais à espera de ser o candidato oficial do que Marcelo Rebelo de Sousa. 

O professor ainda vai a tempo, mas tem de se decidir rapidamente. Na minha opinião fica a ganhar se for sozinho a jogo do que esperar por algum milagre. Devido à sua popularidade e pela forma como consegue cativar as pessoas com os seus comentários, Marcelo Rebelo de Sousa não deve ficar dependente de uma decisão que parece ser irrevogável. Neste momento o único dilema de Marcelo é saber se avança ou não pelo seu próprio pé. Penso que tinha todas as vantagens porque só há um candidato da direita e um de esquerda. Não há muita dispersão de candidaturas nos dois pólos. Nem o professor académico nem Rui Rio ocupam o centro e conseguem ir buscar votos aos apoiantes e militantes mais fervorosos do PSD e PS, ficando em aberto o espaço ocupado pelo CDS e aqueles que variam o seu sentido de voto entre os sociais-democratas e socialistas. 
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