sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os violentos, os maus perdedores e os verdadeiros democratas

O parlamento é a casa da democracia nos regimes republicanos e monarquias constitucionais. Nele se reúnem os deputados eleitos pelo povo, mas ligados aos partidos políticos. As regras que regem o funcionamento do Estado, bem como a produção legislativa necessária à prossecução do bem-comum são obrigatoriamente votadas e aprovadas na Assembleia do povo ou dos seus representantes. 

Os parlamentos são espaços de discussão, debate, confronto ideológico, troca de visões e opiniões, mas também palco de violência verbal e também física. No Kosovo um grupo da oposição impediu a votação de uma lei lançado gás lacrimogéneo. No entanto, em Portugal não é muito diferente, já que, as golpadas políticas verificadas depois das últimas eleições motivaram uma reacção colegial por parte dos dois principais líderes que comandaram o país durante os últimos quatro anos e agora têm que ocupar o lugar na oposição. Ao contrário, durante o debate de uma proposta para se iniciarem ataques aéreos do Reino Unido contra o Estado Islâmico na Síria, o ministro sombra do Partido Trabalhista, Hillary Benn, mostrava a discordância face ao posicionamento do líder trabalhista perante a Câmara dos Comuns e o mundo. 

Os três exemplos referidos revelam a diferença de culturas, mas também a forma como foram evoluindo as democracias. O Kosovo ainda é um país jovem com muito para aprender, sobretudo no que diz respeito às práticas constitucionais. No entanto, compreende-se a violência devido às diferenças étnicas existentes no país com a Sérvia sempre atenta. 
No Reino Unido a barulhenta Câmara dos Comuns dá uma lição de democracia ao mundo. O trato entre os principais líderes, a forma como se respeita a opinião dos outros, mas mais importante, a importância que cada deputado representa para o parlamento, já que, com ele as pessoas estão sempre em primeiro. As tradições parlamentares significam um respeito pelo debate político, sendo que, dentro da pequena Câmara discutem-se ideias, projectos e política. O discurso de Hillary Benn confirma o exemplo de Westminster. 

Em Portugal não há gás lacrimogéneo, mas a linguagem ultrapassa os limites do aceitável. As birras de dois líderes com responsabilidades fazem antever o pior até à queda do governo liderado por António Costa. A forma como não se aceita perder o poder leva muitos a repensarem o sistema. O mais preocupante é não haver alguém que possa ser diferente. Pedro Passos Coelho esteve perto de o ser, mas ontem perdeu grande parte da credibilidade. 

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