domingo, 6 de dezembro de 2015

Olhar a Semana - A esquerda não gosta de Passos Coelho. Nem como líder do PSD

A semana ficou marcada pela discussão sobre o programa do XXI governo constitucional, que sucedeu ao XX nomeado pelo Presidente da República após as eleições de 4 de Outubro. Ao longo dos dois debates realizados em dois meses, e das negociações levadas a cabo pelas forças partidárias desde o acto eleitoral fica uma certeza. A esquerda não gosta nem um bocadinho de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, mas mais do primeiro do que do segundo. 

A principal razão para a farsa com dedo do BE e PCP, mas cujo principal rosto é o líder socialista. António Costa não é mais do que um joguete lançado pelos partidos de esquerda para impedirem Passos Coelho de governar. Neste aspecto as críticas de PSD e PP têm justificação. 

A prova daquilo que escrevo são as declarações de Jerónimo de Sousa que não garante o apoio total a António Costa. Ou seja, ainda só passaram dois dias após a entrada em funções do executivo socialista e já há ameaças à união de esquerda. 

Tudo isto faz sentido se tivermos em linha de conta o principal objectivo de PCP e BE. Isto é, acabar com governação da direita, mas também tentar tirar Passos Coelho do PSD. Numa altura em que se aproxima o Congresso e as eleições autárquicas o actual líder social-democrata pode ser colocado em causa, além da forma como vai encarar o papel de oposição ao governo ser julgado pelas elites sociais-democratas. No fundo, os partidos de esquerda pretendem uma oposição negativa por parte da direita que justifique alterações nas lideranças e, posteriormente, acabarem com António Costa. Infelizmente a moção de rejeição ao programa socialista foi um doce dado pelo PSD e CDS aos argumentos comunistas e bloquistas. 

No discurso da esquerda nota-se uma certa frustração relativamente a uma pessoa que já venceu duas eleições legislativas, embora sem maioria absoluta. Pode ser que à terceira venha uma maioria para o PSD.


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