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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Cameron ganha em toda a linha


A habilidade política é uma das qualidades que mais admiro em David Cameron. O primeiro-ministro britânico conseguiu convencer o Parlamento a autorizar a extensão dos bombardeamentos contra o Estado Islâmico na Síria. Não se trata de uma novidade, mas tem enorme significado político, já que, a proposta vai criar novamente divisões no Partido Trabalhista, em particular entre os deputados da força política que foi copiosamente derrotada nas últimas legislativas realizadas em Maio. 

O chefe de governo consegue uma vitória internacional, no seu partido e na Câmara dos Comuns. 

A primeira vitória em termos internacionais diz respeito à posição que o Reino Unido vai ter no conflito. Alguns países do Médio-Oriente pedem ajuda à Grã-Bretanha, o que significa a importância do país na defesa do mundo livre, à semelhança do que acontece com os Estados Unidos. A subida do Reino Unido na hierarquia também será importante nas negociações para a manutenção na União Europeia. Cameron aceita o pedido de François Hollande, sendo que, certamente terá um apoio importante nas reivindicações europeias. 

O líder dos conservadores reforça a posição dentro do partido, apesar de ter uma maioria absoluta de deputados bem superior aos 325 necessários para combater a oposição. Mesmo que 10 deputados conservadores votem contra a intervenção na Síria, Cameron ganha mais poder para o próximo objectivo, que será a questão europeia. É impressionante a forma como o primeiro-ministro obtém vitória atrás de vitória nos últimos cinco anos.

Por fim, a vitória sobre o Partido Trabalhista, que saiu desfeito das eleições legislativas e do recente acto eleitoral que culminou com a vitória de Jeremy Corbyn. O novo líder quebra uma tradição de apoio aos conflitos, mesmo que não haja "boots on the ground". A opção de Corbyn permitir o voto livre aos restantes deputados não tem efeitos positivos porque alguns parlamentares rebeldes disseram que iriam votar a favor mesmo antes da carta escrita por Corbyn a Cameron contra os ataques aéreos. Ou seja, mais uma vez os trabalhistas estão divididos dentro do parlamento, e, bem pior do que isso, contra um líder que nunca desejaram. 

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