quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

As vontades de mudança de António Costa

Os primeiros dias de Costa como primeiro-ministro de Portugal mostram muita vontade de mudar o que estava mal no executivo anterior. Isso nota-se no discurso que tem sobre virar a página da austeridade, bem como em relação à Europa. O problema do actual chefe de governo tem a ver com a concretização do objectivo porque senão conseguir resultados tem os dias contados, já que, o pretexto para a apresentação da moção de rejeição foi alcançar objectivos no curto prazo, tendo os portugueses dado um benefício da dúvida à Coligação de direita que se apresentou nas eleições não dando o poder ao líder socialista.

No plano interno a devolução de rendimentos será imediata, mas a pressa socialista pode ter custos daqui a um ano, o que vai provocar a tomada de medidas impopulares que não serão bem aceites pelos parceiros parlamentares. A questão dos rendimentos é a prioridade das pessoas, em particular daquelas que sofreram cortes nos salários e pensões, embora haja outros assuntos que preocupem os portugueses. As primeiras medidas visaram repor e reverter aquilo que a direita supostamente fez mal. 

O discurso de mudança na Europa protagonizado por Costa tem sentido, mas necessita de ser encabeçado por um país com mais força na União Europeia, como está a acontecer com o Reino Unido. No entanto, o primeiro-ministro português recusa estar ao lado dos britânicos. Ora, este é precisamente o momento em que alguns países deveriam apoiar as negociações britânicas porque David Cameron não actua só em defesa dos interesses do Reino Unido, mas de muitas vozes discordantes das regras europeias. A iniciativa do nosso chefe de governo é louvável, embora caia em saco roto, a não ser que se alie a alguns governos, como o grego, para exigir mudanças. Não acredito que António Costa queira ficar colado a nível externo a executivos considerados pouco credíveis pelo poder em Bruxelas. 

Ainda é cedo para perceber qual a abordagem final de António Costa, pelo que, será necessário perguntar se o chefe de governo vai conseguir aquilo que tem prometido. 


Sem comentários:

Share Button