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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A primeira vítima da gerigonça

O anúncio da saída de Paulo Portas da liderança do CDS ao fim de 16 anos deve ser analisada com cuidado, embora todos os sinais apontem para que seja uma decisão mesmo irrevogável. No entanto, não acredito que Portas fique longe do partido nos próximos dois anos, altura em que se realizam eleições autárquicas importantes para a manutenção do governo socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português. Na eventualidade da direita voltar a ter condições para governar o país tenho a convicção que Portas regressa à vida política.

O afastamento de Portas representa uma vitória para António Costa porque surge na sequência do acordos da esquerda para derrubar o governo da direita. No parlamento, o primeiro-ministro tem apenas que se preocupar com Pedro Passos Coelho. 

O líder centrista não se conformou com as alterações das circunstâncias. Contudo, não faz sentido anunciar a saída depois de ter tido um discurso violento e de rejeição ao governo socialista. Isto é, porque razão afirmou convictamente que nunca iria dar a mão ao executivo, sabendo que não iria estar no parlamento durante a maior parte da legislatura. Também pode estar a querer fugir de eventuais responsabilidades que serão imputadas ao governo anterior, como aconteceu com o Banif. O voto contra do CDS ao orçamento rectificativo, bem como o discurso de João Almeida, foram tentativas de lavar as mãos para Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque assumirem as culpas. Uma vez que a geringonça vai durar pelo menos até às autárquicas, mais vale desaparecer por uns tempos, como aconteceu em 2005 após o fim do governo liderado por Santana Lopes e a esmagadora vitória de José Sócrates. 

Havendo ou não estratégia nesta saída, a esquerda consegue uma grande vitória política porque Portas era um excelente tribuno, além de ter algumas qualidades políticas. 

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