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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A intolerância origina dois caminhos para a União Europeia

A vitória da Frente Nacional nas eleições regionais francesas será motivo para mais discussões e desconfiança no seio da União Europeia, em particular no Sul e centro do continente europeu. Os resultados de um partido da extrema-direita faz soar o mesmo alarme que tocou no princípio do ano quando o Syriza venceu as eleições gregas. Ou seja, as mudanças que se estão a verificar inquietam os que acreditavam numa União com o caminho traçado. 

A história revela que a União Europeia sempre foi um espaço de mudança política e social que nunca provocou alarmismo ou intolerância. No entanto, após a substituição de grandes líderes como Helmut Kohl, Jacques Chirac, Tony Blair e Sílvio Berlusconi, a nova geração de chefes de governo e de Estado não aceitou a possibilidade de outros países também fazerem parte das decisões, em particular após a entrada dos países do Leste no clube europeu. Os mesmos líderes que governaram a Europa nos últimos dez anos começam a perceber que têm o lugar em risco, além de haver alterações significativas nas políticas europeias nos próximos tempos. 

As vitórias do Syriza e Frente Nacional provam que as políticas decididas fora das instituições têm um prazo de validade. Os sinais dados por alguns países em relação à legitimidade europeia só podem originar uma mudança abrupta ou a fractura da União Europeia em vários blocos.

A primeira hipótese surgirá naturalmente, mas depende das promessas dos novos líderes europeus. Tanto o Syriza como a Frente Nacional não devem defraudar os eleitores, mesmo que estejam no poder, até porque as campanhas do Reino Unido e da Dinamarca contra as actuais políticas europeias são favoráveis às pretensões do governo de Atenas e do provável executivo francês. No plano interno, Londres e Copenhaga são conservadores, mas existem posições comuns sobre o modo de funcionamento da União. A Dinamarca rejeitou a integração europeia no último referendo e o escrutínio popular no Reino Unido em 2016 servirá para as mentes mais eurocépticas revelaram algumas posições.

A formação de blocos dentro da Europa seria uma má opção, já que iria revelar fragilidades em vários níveis numa altura em que a economia não é a melhor e o espaço europeu mostra carências ao nível da segurança interna. A construção da Europa em grupos políticos iria favorecer outras potências como a Rússia e a China. 


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