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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Verão quente de 2016 sem partidos no centro

Os próximos meses vão ser quentes devido à situação política instalada após as legislativas. Os dois principais partidos do arco da governação, PSD e PS, perderam votos que se traduziram numa redução significativa do número de deputados na Assembleia da República. Nenhum conseguiu chegar perto dos 100 deputados, o que se traduziu num aumento para os restantes partidos, em particular o Bloco de Esquerda, além de permitir a entrada de um novo partido que elegeu um deputado pelo círculo de Lisboa. 

O líder do PSD pediu uma revisão constitucional extraordinária para ser possível realizar eleições antecipadas. Ora, Passos Coelho começa mal como líder da oposição, já que mostra mau perder e quer a todo o custo obter uma maioria absoluta que lhe permita governar à vontade. O ainda primeiro-ministro não percebeu que o país também castigou as políticas de austeridade do governo anterior. Quem não fizer uma leitura adequada dos resultados eleitorais pode vir a ser prejudicado no futuro. Neste momento, o coração de Passos Coelho fala mais alto do que a razão de deixar o Partido Socialista e os restantes partidos de esquerda desfazerem-se nos próximos meses.

A estratégia de António Costa também passa por convocar eleições antecipadas invocando o não cumprimento por parte de PCP e BE dos acordos. À medida que o líder socialista for percebendo que está a ser condicionado pelos restantes parceiros vai invocar que não tem condições para governar. Sócrates também utilizou a estratégia para tentar a maioria absoluta. Costa vai culpar os partidos à esquerda, mas também os da direita por não terem colaborado. 

O quadro político português não se vai alterar, mesmo que os maiores partidos utilizem as respectivas estratégias para conquistar a maioria absoluta nas próximas eleições que deverão ocorrer em Setembro 2016. Ou seja, a última maioria conquistada por um destes partidos foi em 2005 pelo PS liderado por José Sócrates. Não é crível que PS e PSD estejam em condições de reclamar esse estatuto numa altura em que fogem cada vez mais do centro para as extremidades. O desvio para a direita ou esquerda não é só deles, mas dos partidos com que se têm coligado. A Coligação PAF tornou o PSD menos social-democrata e o PS irá virar à esquerda por causa do PCP e BE. Não acredito que os dois partidos recuperem o centro na próxima década a não ser que apareça algum candidato com ideologias antigas. Francisco Assis já assumiu uma corrente diferente dentro do PS, enquanto os sociais-democratas esperam avanços por parte de Rui Rio. No entanto, os actuais líderes do PSD e PS fecharam os partidos em torno de si para não haver críticas internas. Um dos sinais que conferem realidade à análise é o discurso radical do protagonistas.Isto pode fazer com que apareça um partido moderado para aproveitar o espaço deixado pelas lideranças de Costa e Passos Coelho.

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