quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Passos segue cartilha de cavaco

O primeiro-ministro em gestão apareceu com um novo discurso. Pedro Passos Coelho quer fazer uma revisão extraordinária da Constituição para convocar eleições antecipadas antes de Marcelo Rebelo de Sousa ter plenos poderes constitucionais. 

A tentativa de Passos Coelho condicionar a legitimidade do futuro executivo liderado por António Costa passa pela convocação de novas eleições para obter uma maioria absoluta que lhe garante plenos poderes. O líder do PSD vai utilizar a mesma estratégia de Cavaco Silva em 1987, quando a esquerda também derrubou o governo, embora Mário Soares não tenha dado posse ao PS, PRD e PCP. A história é conhecida, mas o problema é que em 2015, Cavaco Silva não tem poderes constitucionais que lhe permitam convocar eleições antecipadas, pelo que, a pressão de Passos é para o futuro chefe de Estado. No caso de Passos ficar em gestão, é um sinal claro que vamos ter novo acto eleitoral. 

A partir de agora a luta de Passos Coelho vai ser esta devido à sua crença em repetir o mesmo resultado de Cavaco Silva. Na minha opinião é uma táctica arriscada porque a coligação perdeu muitos votos que se traduziram numa perca de mandatos para, no mínimo, chegar perto dos 115 deputados. A maioria de esquerda tem uma enorme vantagem  no parlamento, pelo que, só uma zanga entre PS, BE e PCP pode tornar o jogo favorável para a direita. Passos não deve cometer o mesmo erro que Costa ao tentar chegar ao poder demasiado cedo e em condições políticas desfavoráveis. 


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