terça-feira, 10 de novembro de 2015

Passos cai de pé, Costa entra por baixo

O debate do programa de governo provou que António Costa efectuou o arranjinho político com o BE e PCP para chegar a primeiro-ministro e garantir a sobrevivência política. No entanto, também é verdade que isto não acontecia se a dupla Passos Coelho/Paulo Portas não estivessem no governo. Os dois partidos de esquerda querem mudanças de políticas, que são legítimas e lançam Costa para o poder, mesmo que isso represente não terminar a legislatura.

A forma como António Costa encarou os últimos dois dias merece reflexão, já que estamos perante o futuro primeiro-ministro caso Cavaco Silva proceda à indigitação. O líder socialista não debateu o programa de governo, preferindo lançar os seus benjamins. O único discurso de Costa foi feito nas declarações finais dos partidos quando não havia direito a resposta. Os outros líderes partidários, como Pedro Passos Coelho, explicaram as razões das políticas e debateram os diferentes pontos de vista. Costa entendeu que não deveria trocar argumentos com os restantes deputados porque já se sente no papel de chefe do governo. 

A dignidade com que Passos Coelho cai do governo não é a mesma com que Costa irá entrar. Passos cai de pé e Costa entra por baixo, sendo previsível que não saia bem na fotografia. É espantoso que o secretário-geral não tem ninguém com ele. Os partidos que lhe dão a mão só querem o derrube de Passos Coelho e Portas, estando atentos ao que se passa  na governação. O acordo firmado entre os três partidos nunca envolveu uma reunião à mesa, dando sinais de instabilidade sobre aquilo que poderá acontecer. As pessoas não vão no engodo que está a ser feito. O Presidente da República também não. Por isso tenho dúvidas que Cavaco Silva aceite esta solução. 

Não há um sinal de união entre os partido que assinaram o acordo, nem o Partido Socialista se mostra unido nesta solução, porque tudo acontece para salvar a face de António Costa, que se comporta como primeiro-ministro sem ser indigitado pelo Chefe de Estado. 

Os portugueses podem não ter dado a maioria absoluta à direita, mas foram claros ao não querer Costa como chefe de governo. O voto nos outros partidos da esquerda também teve esse significado.

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