quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os governos devem ser conhecidos nas campanhas

A conclusão que se pode chegar depois do país ter conhecido dois governos diferentes é que nenhum deles serviria o país. O executivo apresentado por Pedro Passos Coelho e o governo que vai entrar em funções plenas de António Costa podiam ser muito melhores, mas os condicionalismos com que os dois líderes formaram o elenco não permitiram ir mais além. Se o líder social-democrata nomeou pessoas para serem governo durante 28 dias, o secretário-geral socialista tem de lidar com a instabilidade dos acordos estabelecidos com os partidos de esquerda. 

Apesar de alguma fraca qualidade é possível fazer comparações. O governo que mantém a esperança de voltar a ser formado era composto por personalidades técnicas e com experiência profissional. Passos Coelho e Portas preferiram encher as secretarias de Estado com os militantes de ambos os partidos. A estrutura assentava num ciclo duro junto do primeiro-ministro e algumas pessoas com qualidade profissional. Ao invés, António Costa chamou o aparelho socialista, em particular aqueles que estiveram ligados aos governos de José Sócrates. Também convidou académicos que podem ser uma boa surpresa, mas será a sua entourage que fará o combate político contra a direita. A experiência de Capoulas Santos, Augusto Santos Silva, João Soares, Ana Paula Vitorino, Eduardo Cabrita serão fundamentais para abafar as críticas provenientes do PSD e CDS. 

Os portugueses votam para eleger deputados à Assembleia da República, sendo que o governo responde perante o Parlamento, daí a necessidade de apresentação do programa do governo e do mecanismo da moção de rejeição, que foi utilizado pela esquerda. No entanto, a tradição diz que também se vota para eleger um primeiro-ministro. O problema é que ninguém sabe quem são os restantes membros do governo. Nos futuros actos eleitorais, os candidatos a chefe de governo deveriam apresentar as pessoas com quem pretendem trabalhar para clarificar melhor o eleitor das opções que estão em jogo. Não basta escolher em função do programa eleitoral. Na minha opinião os partidos ficavam a ganhar se derem este passo em frente, já que, as pessoas sabiam ao que iam. Outra medida seria imitar o sistema britânico que só permite a escolha dos ministros entre os deputados eleitos para a Câmara dos Comuns. 

Tenho a certeza que a formação do governo originava menos dúvidas relativamente à capacidade e qualidade se os principais líderes apresentarem as caras que vão tomar conta do país nas diversas pastas. 

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