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domingo, 8 de novembro de 2015

Olhar a Semana: Portugal tem três primeiro-ministro em funções

A conturbada situação política em que vivemos permite concluir que o país tem três primeiro-ministros. O primeiro dos primeiros chama-se Pedro Passos Coelho que venceu as eleições legislativas. Independentemente do que acontecer nos próximos tempos, a direita vai sempre reclamar esse título. O segundo chefe de governo é o aspirante mor ao cargo. António Costa está perto de chegar onde sempre quis, mas dificilmente será reconhecido como tal. O líder socialista trará consigo o crivo de ter perdido as eleições e só ter conseguido chegar ao cargo devido a manobras de bastidores que são totalmente legítimas. Por fim, o ex-primeiro-ministro José Sócrates voltou à vida política activa com as últimas intervenções. Os auditórios estão cheios, a comunicação social divulga a excelente oratória do ex-PM que quer voltar a ser protagonista, mais até do que o actual e futuro primeiro-ministro. As recentes tertúlias mostram que a justiça não é o único alvo de Sócrates, já que existem motivações políticas. 

Os próximos meses, Passos Coelho, António Costa e José Sócrates vão ser os principais actores de uma novela política para conquistar as diversas vertentes do poder. O formal, material e da comunicação social. Cada um procurará o seu espaço para defender as posições, mas também para atacar os restantes. 

As três personagens estão ligadas. Senão vejamos: Costa tem que se preocupar com Passos Coelho na oposição e Sócrates na tentativa de condicionar o aparelho socialista. As distritais do partido preferem o ex-primeiro-ministro, sendo que o futuro chefe de governo será comparado a Sócrates, em particular, no discurso, na capacidade de conquistar público, além de atrair as bases do partido. Passos Coelho estará na oposição, mas para isso tem ligar as intervenções de Sócrates à liderança de António Costa. A direita não vai deixar escapar o erro que Sócrates comete apenas por ambições políticas. A própria governação do futuro governo socialista será condicionado pelas alterações que serão necessárias fazer na área da justiça por causa da Operação Marquês. 

O país fica em suspenso até ao dia em que tenhamos um único primeiro-ministro com legitimidade formal, material e política. 

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